quarta-feira, julho 25, 2007

Literatura de Buvete


Milan Kundera foi um autor que conheci em idade relativamente jovem e, desde aí, tenho vindo a ler com interesse e prazer os seus romances.


Herdeiro de um pensamento condicionado por uma geografia política que moldou hábitos, estilos e percepções de vida diferentes - assentes, lá está, no dualismo imposto por um Muro -, Kundera é um mestre no que toca à sátira dos costumes, à reflexão sobre as paixões e os dramas humanos.


A cadência da escrita, o estilo, as considerações filosóficas, tudo isso contribui para uma obra sólida, coesa e que vale a pena conhecer.

E lembrei-me de Kundera para sugerir uma leitura agradável, ainda dentro do tema de conversas que se vão ouvindo nesta esplanada.


Na verdade, a trama de um dos romances mais hilariantes deste exilado Autor checoslovaco (sim, ainda checoslovaco), passa-se precisamente numas... TERMAS da Europa Central.


Assim, à beira da Catedral e no Buvete de umas quaisquer termas de Portugal, lê-se "A Valsa do Adeus".

terça-feira, julho 24, 2007

Termas III



Nesta esplanada, onde também se vai pedindo "uma água fresca, fáxabor", não nos podíamos esquecer das termas mais emblemáticas de Portugal.

Próximas da mata do Buçaco - um local também muito engraçado - damo-nos conta, pela visita à página, que estas termas são das poucas que ainda se mantêm fiéis à imagem clássica, desprovida de quaisquer eufemismos ou pretensiosismos espúrios.

De facto, pela consulta feita aos tratamentos disponíveis não temos cá Banhos de Vichy nem massagens de lodos nem algas.

Temos tratamentos para a sinusite e ginástica em piscina termal, isso sim!

Embora seja certo dizer que cada estância termal está destinada a certos fins terapêuticos, definidos em função das propriedades químicas das suas águas - que diferem de localização para localização - também certo será que, pelo conceito, do modo que é dado a conhecer, estas termas seguem uma linha muito mais sóbria.

Na verdade, nem de outra forma poderia ser. E falo por experiência própria. Não há nenhum glamour no tratamento de uma coisa tão aborrecida e inconveniente como a sinusite.

Por outro lado, a própria vila do Luso tem um toque vintage bem preservado - com o Grande Hotel a dar a cor local - que seduz qualquer nostálgico da série "Poirot".

E, depois, é agarrarmos nos garrafões vazios que vamos guardando em casa (eu por mim, detesto esse hábito) e rumarmos, com o povo, todos juntos, até às fontes públicas do Luso para os encher.

Como era o slogan? Água do Luso tão natural...

segunda-feira, julho 23, 2007

Termas II




E de S. Pedro do Sul, podemos sempre partir rumo à Curia, uma pacata vilória aqui da zona de Coimbra, de que eu sempre ouvi falar na minha infância como destino para o tal turismo sénior, retemperador das maleitas já aludidas no post anterior.
Contudo, este é um sector do turismo tuga que realmente está a mudar.

Resta saber se para melhor. Senão vejamos:

Se em S. Pedro do Sul, o que estava a dar era o D. Afonso Henriques trocar a sua armadura por uma bela toalha (relembrando todas as implicações inconvenientes que daí podem advir, devido a associações de ideias inevitáveis) e tratar as maleitas das batalhas, com o afamado banho de Vichy, o Spa - que é agora o nome moderno dado a estes locais pelas pessoas bem e de sucesso (mas também com um toque de novo riquismo bacoco) -, sito na Curia, propõe um tratamento de lodos e algas para a pele.
Por sessenta euros (doze contos de reis, caramba!), o termalista (palavra tão gira como campista) - ou agora será "spalista"??? - vê-se coberto por várias camadas do bom lodo viscoso que costumamos pisar no fundo das ribeiras e dos rios (coisa boa!), na promessa de uma pele que, em vez de suor, transpirará saúde, beleza e graça... E ainda tem direito a uma massagem de relaxamento!

E pronto... C'est trés chic! Ou não...

É que eu gostava de saber onde é que ficou aquele hábito muito mais saudável de ir para o buvete e estar ali a beber aguinha e pensar na vida. Para quê inventar tanto??? Para quê tanto elitismo apropriador?

Definitivamente, continuo a achar esta onda fashion muito abichanada!

quinta-feira, julho 12, 2007

Termas


Sempre tive a ideia de que passar uns tempos nas termas era para pessoas com um sortido de maleitas que normalmente vêm com problemas alérgicos ou então a consequência natural de um sossegado envelhecimento em que o que apetece mesmo é gozar os rendimentos que a reforma vai dando, depois de uma vida de aturado e árduo trabalho, que, não raras as vezes, sempre demonstrou alguma ingratidão para com o espírito e o corpo.

Contudo, as novas termas de São Pedro do Sul parecem ser algo de diferente.

Na onda dos spas, o Balneário D. Afonso Henriques (se ele soubesse que ia ficar associado a uma coisa tão abichanada... ai, ai!!!) oferece momentos de salutar lazer para todos aqueles que se lembram que têm de começar a ser saudáveis apenas nas férias.
Num qualquer acompanhamento ao mito metro-sexual, agora muito na moda, podemos dar-nos conta de que o banho de Vichy é supostamente uma experiência verdadeiramente única - quanto mais não seja pelo nome mais ou menos, digamos, "alegre" que tem.
Enfim, numa alternativa aos destinos tropicais, é só seguir até Viseu e consultar o Tom-Tom para o resto.
O sítio deve ser fácil de encontrar.

terça-feira, maio 29, 2007

A Banhos


O quarto de banho terá bidé?
Na praia da Figueira da Foz, 26 de Maio

segunda-feira, maio 07, 2007

Meteo


E para o Dia de Cortejo, Coimbra espera uma temperatura de vinte e graus, com céu limpo e vento a soprar fraco a moderado.


Segundo informações colhidas à beira da telefonia, Santarém será a cidade mais quente do País, enquanto que no Cairo estarão outros vinte e seis graus.


Vai-se falando do tempo à beira da Catedral. Enjoy the Sun!

terça-feira, abril 24, 2007

Estava eu em Coimbra...

Na véspera de mais um feriado comemorativo, à beira da Catedral vai-se falando desse dia em que cada um, à sua maneira, disse "Presente" e escolheu o seu lado da barricada.

Muitas estórias, peças da grande história que se escreveu, poderiam aqui ser registadas.

Por exemplo, o caso do Engenheiro Agrónomo Almerindo Lacerda, afilhado do Senhor Almirante Thomaz e comandante da Companhia de Atiradores 5, de '62 a '70, Guiné Bissau, que se encontrava, nesse dia 25, na casa de férias do seu tio Luís Manuel, na Praia das Maçãs e que começou por pensar que o golpe era da Direita.

Ou então o relato do Paulo Costa, soldado do Batalhão de Transmissões 10, dos anos de '68 a '72, que tinha visto o seu Sargento Lopes a ser despedaçado por uma mina, numa qualquer picada em Angola e que também se tinha levantado cedo nessa manhã para se apresentar ao serviço na empresa de mudanças do seu tio Alberto.

Ou ainda o da Maria Celeste, estudante do sétimo ano dos Liceus, natural e residente em Setúbal e madrinha de guerra do seu primo Toni.

Contudo, há um relato curioso, que vale a pena ser contado. O relato de uma estudante de Coimbra, uma resistente silenciosa, que, embora não entendendo muito de política e de activismo, suspirava por uma lufada de ar fresco que ia tardando. Não gostava daqueles senhores de óculos escuros que entravam no Pigalle ao mesmo tempo que ela, que pareciam também gostar de jogar matraquilhos no Moçambique, mas que permaneciam sempre sentados, sisudos e sérios.

Por sinal, tudo tinha começado depois de uma das suas amigas ter assobiado, em jeito de inocente brincadeira, para os cães errados, que latiam no edifício em frente à sua residência, na Antero de Quental. Enfim... Não obstante ter sido abordada na noite do mesmo dia em que ocorreu tal precalço quasi-sacrílego, a nossa ora protagonista nunca terá visitado as tais instalações da Direcção-Geral de Segurança.

Por acaso, quando era mais nova, ouvia o seu pai, de vez em quando, comentar com a sua mãe que aquele seu amigo, ex-presidente da Associação Académica, tinha sido novamente preso pela PIDE. Desde esses tempos, que não tinha ficado a gostar daquela "força de segurança".

Noite de 24: No quarto de beliches e cama individual, esta nossa estudante tentava perceber alguma coisa de Economia, enquanto as suas colegas se concentravam em volumosas sebentas de "Fisiologia do Sistema Nervoso Central" e "Introdução à Lógica Aristotélica" ou outra coisa do género - tudo ao som da música que ia passando na telefonia.

Já a noite ia quase no seu termo, e os livros ainda a meio, quando a Emissora Nacional concede essa pérola a todos os seus estimados ouvintes: "E agora, convosco, o representante de Portugal no Festival da Eurovisão, Paulo de Carvalho, com o tema 'E Depois do Adeus'"... Era uma música de que elas gostavam, tal como gostavam do Zeca, que não se ouvia tanto...

Passado pouco tempo, a nossa estudante e as suas duas companheiras de quarto (ambas nascidas e criadas no Brasil) fecharam as luzes e deitaram-se.

Manhã de 25: "Mininas, Mininas, um golpi d' istado!!!". Era uma das suas companheiras de quarto que entrava no quarto, num estado de agitação invulgar para aquelas horas da manhã.

A nossa estudante, tentando tirar a cabeça da almofada, apenas pergunta, ainda bocejante: "Mas o que é que é um golpe de estado?"

Pouco tempo depois, saem do quarto, já vestidas, curiosas, expectantes, correndo logo para junto das pias Irmãs Religiosas, as guardiãs daquela residência, numa tentativa de recolher mais informações sobre o que realmente se estava a passar.

Ao que parecia, os militares tinham-se revoltado novamente, como há coisa de um mês atrás nas Caldas da Rainha... Só que desta vez a coisa parecia mais séria. O Senhor Presidente do Conselho e o Presidente da República estavam cercados no Quartel do Carmo em Lisboa.

Logo de seguida, correram para as arcadas do jardim da residência. Em frente, na rua, a turba ia aumentando em gritos de guerra... estudantes, na sua maioria, mas também imensos futricas...

A sede da PIDE estava cercada por militares. Carros eram virados, pedras eram lançadas a muitos dos tais indivíduos que agora já não tinham óculos escuros nem aquela pose de inquisidores silenciosos... Muitos tinham era a cabeça partida, fruto de uma mais violenta e certeira pontaria, qual acto de catarse retributiva de alguns que ali dentro se encontraram de frente com a mais sombria mão pesada e enluvada do regime.

A nossa Estudante continuava perplexa... Nunca tinha visto nada assim... De início, não sabia muito bem o que fazer, mas depois preferiu optar pelo silêncio, pelos comentários discretos... Apenas mais tarde se deixou levar pela onda dos comícios - foi a todos - do entusiasmo voluntarista e prenhe de utopias.

Contudo, no mais profundo do seu Ser e Sentir, viveu, logo ali, um Triunfo... O Triunfo de um novo Começo!

Pelo menos, o que estivesse para vir teria de ser bem melhor do que até aí fora. Os seus desejos eram os mais simples e, sim, os mais Puros!

Esta é uma estória ouvida na esplanda. Embora alguns dos factos aqui descritos e narrados se tenham realmente passado, outros há que foram puramente ficcionados.

quarta-feira, abril 18, 2007

Quando a Caixa toca...


Estas são imagens recolhidas na Caixa Automática da CGD, em Coimbra, ao pé do D. Dinis.

Para todos os fãs da Caixa, que gostam desta esplanada.

Enquanto levantam dez euros para uns finos e uma nata...

O telefone é que não percebi para que servia...

De qualquer modo, também continuam a existir cadernetas! Vá-se lá entender...

sexta-feira, março 23, 2007

Duran Duran?...

Há pouco, em serão televisivo, a propósito da anabeliana comédia romântica que está a estrear nas nossas salas de cinema - o "Music and Lyrics", com o Hugh Grant e a incompreendida Drew Barrymore (a menina que aparentemente ficou mesmo traumatizadinha para o resto da vida, em virtude de um tal de "ET" que se instalou em sua casa e que tinha um duvidoso e luzidio dedo indicador, mais próprio para um toque rectal do que para ter piada) - ouvi um comentário engraçado: o revivalismo dos anos oitenta está aí!

Bem, estes eram os nossos anos oitenta... Ou, pelos menos, os mais Pop - como os Ban gostavam de cantar!

Por certo, a fazer lembrar "Rio" dos Duran Duran, mas muito, muito, muito mais nosso! Upa, upa!

Muito antes do Dan Brown, já este grupo era um verdadeiro código! Mas não de bom gosto...

quinta-feira, março 15, 2007

Uma Perrier, por favor!





Em Nova Iorque há um restaurante, onde, além da carta de vinhos, existe uma carta de águas.

De há uns anos para cá que me venho interessando por esta marca.

Em Roland Garros, a Perrier é a patrocinadora oficial do torneio;

Para Hemingway, é a sparkle que se mistura com Hague.

Quanto a mim, gosto dela simples, bem fresca, embora com um excelente James Martins de Vinte Anos - em copo de fino vidro raso e duas pedras de gelo, à sombra de um abrasador e estival sol alentejano -,também seja excelente.

Na esplanada, alguém pede: "Uma Perrier, por favor!"

quinta-feira, março 01, 2007

O Conde Olavo - parte I (continuação)



E dos mesmos autores em Story Squared. A trama continua:


«O conde tossiu ruidosamente, prenunciando aquela ligeira comichão na ponta do nariz a pingar, indiciadora de um iminente ataque de espirros. O cheiro a clorofila daquela estufa quase morta, empoeirada e cheia de fungos a isso convidava naturalmente.
"A Senhora desce já, senhor Conde", disse a empregada ao entrar na estufa vinda da lúgubre sala de jantar, pintada em tons de verde escudo e com móveis de estilo "Renascença", já carcomidos por séculos de pesarosas heranças familiares.

O Conde acenou sombriamente, lançando o seu gélido olhar para Benedita que começou a sentir estranhos arrepios. Este sujeito provocava-lhe um sentimento de medo tal que muitos dos seus frequentes pesadelos o tinham como personagem predominante e principal.

Ao sacar do seu argênteo relógio de bolso, prenda do seu severo pai aquando do seu exame final da instrução primária, o Conde começou a calcular mentalmente o tempo do percurso das suas duas amigas que tinham ficado de vir ter a casa da senhora Felisbina. Muito do seu sucesso nesta nova empresa dependia das prodigiosas capacidades dramáticas dessas duas senhoras tão pias e tão castas.

Deviam estar para chegar... Hoje era um excelente dia, ainda que persistindo o incomodativo eco do relógio de cuco, causador de uma noite insone. Hoje era um excelente dia, pois era o início de uma nova conquista e isso, para o Conde Olavo, tinha sido sempre motivo de grande entusiasmo. A campainha voltou a tocar. "São elas" - pensou, sentindo um doce conforto no peito.»

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Na praia de sempre

Para ver e ouvir. É um clip. O resto é para quem sabe...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

O Conde Olavo - parte I


Esta a primeira parte de uma estória a duas mãos que vai fazendo jorrar alguns bons rios de tinta virtuais em StorySquared.

"Naquela manhã chuvosa, o Conde Olavo acordou mais mal-humorado do que era costume... tinha dormido mal durante a noite inteira.

O relógio de cuco pendurado na parede do seu sombrio e exíguo quarto, atulhado de papéis amarelecidos pelo tempo e pela antiguidade, tocou a todos os dez minutos durante a uma e as oito da manhã!Por entre lamentos e pigarreios, o Conde lá se ia revirando na cama, tendo tomado a decisão de não se levantar por uma questão de orgulho e claro masoquismo. Não se renderia àquele pássaro estúpido de madeira, ponderando de modo resoluto a hipótese de lhe dar o devido "tratamento" no dia seguinte, com a ajuda de um sábio e prudente martelo!

E logo nesse dia que tinha tanto para fazer: da parte da manhã devia encontrar-se com as senhoras Hermengarda e Isolda, pias e castas viúvas nos seus portentosos sessenta e cinco anos de idade, em que a beleza era benevolamente emprestada por umas pitadas bem medidas de um rouge com cheiro a arroz empacotado num bafiento pacote e por um batôn rançoso, que tinham comprado em Paris há mais de vinte anos!
Para a tarde o Conde guardava a melhor parte do seu novo projecto audacioso, para o qual contava com a ajuda destas duas amigas.

Tudo começaria por uma ida a casa de Alberto e Ana, dois gémeos de dez anos, que tinham perdido os seus pais há pouco tempo e que estavam ao cuidado da sua avó, velha conhecida do Conde Olavo, com quem mantinha sólidas relações de amizade.

Conde Olavo chegou a casa dos gémeos a meio da manhã, hora cuidadosamente escolhida para poder ser convidado para o almoço que lhe daria a oportunidade perfeita para tratar dos negócios com a Dona Felisbina e conhecer os petizes.
Ao tocar a campaínha colocou o seu ar de pêsame combinado com um tímido sorriso paternalista que, segundo ele, iria tornar a transição muito mais suave.
A porta foi diligentemente aberta pela criada dedicada, a Benedita, cujo único traço físico digno de nota era uma portentosa verruga no queixo.
- Bom dia, senhor Conde. A senhora e as crianças esperam-no no jardim de Inverno. - disse Benedita com a sua voz esganiçada, enquanto tomava conta da cartola e do casaco fossilizado do conde.
- Bom dia, Benedita. Explêndida manhã, não é verdade! - há semanas que não parava de chover - Deixe-se estar que consigo orientar-me sozinho - e encaminhou-se em direcção ao jardim.
A estufa teria sido, tal como o resto da casa, um local aprazível que tinha entrado em declíneo há muito. As plantas, em tempos coloridas e viçosas, definhavam raquíticas nos seus vasos; a mobília de verga estava preta por causa dos ferozes ataques do bolor; e circulava no ar um cheiro a morte iminente."


A Excelente Cúmplice: marianapcosta

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

And now the Solution!

"A shrubbery?" - A solução! Parabéns Olavo Lupia e Sub-Lodo (espero que dê agora para deixares o teu precioso e sábio comentário). Um mote carnavalesco para todos os convivas desta esplanada.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O Caminho Do Bosque


Na prudente, imaginativa e inspiradora orientação do grande ELC, trago um pouco "a água ao meu moinho" e para hoje proponho este post enigmático.

Há Demandas que valem a pena pelo Prazer da Descoberta!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Anabela e o seu casaquinho de malha



À mesa da esplanada, sentou-se Anabela... Tinha chegado há pouco do serviço - era secretária de administração do senhor Manuel, empresário, anafado e cardíaco - e costumava fazer aquele caminho todos os dias, parando para beber um néctar de pêra, num escrupuloso recato submisso e transbordante de uma castidade e virtude tão profundas que chegavam a deixar dúvidas quanto à sua genuidade.

Mas Anabela era assim... Pouco faladora e comedida nas suas aparências, prestando culto a uma timidez que roçava um ressabio bacoco e uma inusitada antipatia.

Quem a não conhecesse bem poderia dizer: "Ora aqui está um belo exemplar de 'bicho-do-mato'!". O que também em parte corresponderia à verdade.

De facto, Anabela vivia nos arredores da cidade, à beira da A1, num lugar pacato, com igreja, adro e cafés domingueiros, onde a "malta jovem" se gostava de reunir com os mais velhos, a fim de discutir bola, carros e velocidade, acompanhados por "finos" e "imperiais" bem frescas ou, então, qual testemunho de uma idade mais séria, generosas "selhas" de tinto da adega do senhor Martins - industrial hoteleiro, proprietário do snack-bar "Belami".

Anabela viveu em casa dos seus pais até aos dezanove anos.
O seu lar paterno era uma bela moradia, construída pelo senhor Lopes e a dona Amélia, com os proventos desses árduos e difíceis tempos passados na Suíça, a trabalhar como vigilante nocturno numa central de camionagem e a servir às mesas de um restaurante português, à beira da estrada para Neuchatelle, respectivamente.
A obra arquitectónica era uma "maison-tipo-chalé", pintada de branco, com portas lacadas no mesmo tom, janelas de um bom alumínio - com vidro duplo - e - "la pièce de resistance"- uma escadaria lateral exterior, revestida a azulejos verdes - os mesmos do quarto de banho do primeiro andar, que tinha "poliban" com banheira acoplada -, dando acesso directo à cozinha IKEA, recentemente remodelada para este estilo, naquele mesmo piso.

Anabela era uma pessoa sensível e de uma discreta beleza.

Cabelo loiro escorrido - e pintado pela sua vizinha e prima cabeleireira Soraia (tinha conseguido formar-se nesta fina arte, mercê da frequência de um curso do Centro de Emprego, patrocinado pelo Fundo Social Europeu), altura mediana, olhos castanhos e faces redondas.
Os seus seios algo desmesurados e proporcionais a umas ancas que a celulite ia generosamente deslaçando, faziam as delícias do seu patrão e alimentavam algumas das suas mais sórdidas fantasias, assentando-lhes que nem uma luva o conhecido slogan do Chivas Scotch: "ou se tem ou não se tem".

No que toca ao seu estilo: algo entre o já aludido recato e uma discreta sofisticação.

Anabela gostava de alternar o seu guarda-roupa entre o preto, o rosa-pálido e o verde escuro, nunca abrindo mão das suas calças de ganga de cintura descaída, que entravam com esforço.

No seu quotidiano, de mulher emancipada - porque titular de carta de condução (equivalente a qualquer curso superior, mestrado, pós-graduação ou, até mesmo doutoramento) e com um descomunal traseiro que se abanava todo ao sair do seu Clio metalizado -, gostava de usar decotes, que mercê do que já acima foi dito, sempre alimentavam uma utópica promoção, sugerindo a possibilidade de alguma contribuição em géneros à sua entidade patronal, no sentido de apressar o que tardava.
Camisola de gola alta preta, calças de sarja a combinar e um blusão de cabedal, para as suas raras noites de loucura total, em que saía para a cidade com as suas "colegas", no intuito de dançarem as músicas de discoteca, acompanhadas por um fogoso "Carolans".
As botas subiam até aos joelhos cobertos - "boas e baratas", adquiridas nos saldos do "Calçado Guimarães", ali ao Taveiro, no Retail Park.
A insistência neste traje festivo, levantava os maiores reparos sussurados da vizinhança.
O preto era apenas usado convenientemente pelas vetustas e pias matronas de plúrimas verrugas labiais e nasais, numa atitude resignada de eterna dor pelos seus maridos já idos, esquecendo todas as noites de pancadaria por que passaram, de cada vez que eles chegavam a casa vindos tardiamente da taberna.
Enfim... O conjunto era completado pelo fio de prata, mesmo por fora da tal gola alta - um belo e carinhoso presente da sua madrinha, a dona Lurdes, aquando da sua Comunhão Solene. Nunca o tirava.

Contudo, havia uma peça do seu vestuário que era uma constante e uma verdadeira imagem de marca: O CASAQUINHO DE MALHA.
Anabela tinha uma predilecção pela simplicidade, cujo expoente máximo era atingido no uso de três banais casacos de malha fina, a substituir quaiquer pólos ou algo de mais sofisticado - porque de sofisticado já vimos que quase ultrapassava os seus limites, quando envergava o seu traje de noite.
O primeiro, em preto e com pequenos botões brancos de madre-pérola, usava-o muitas vezes, no trabalho, para cobrir os já aludidos decotes, nessa inocente tentativa de impingir aos outros, que com ela se cruzavam, uma ideia de verdadeira pudica.
Um segundo, em tons de verde alface, para andar por casa, passando longas tardes de Sábado com a sua sobrinha a ver compactos seguidos da série "Floribela", com a sua sobrinha Carla Sandra.
A propósito: sempre devemos referir que não era assim tão raro deixar cair uma ou duas lágrimas de verdadeira e gostosa emoção, sempre que aparecia em cena a protagonista desta telenovela para a "malta jovem", uma vez que sentia identificar-se com a personagem.

De facto, é precisamente esta característica de Anabela que nos leva ao terceiro Casaquinho de Malha.
Tal como no Senhor dos Anéis há o Anel Um, também Anabela nutria um especial afecto por este exemplar do seu figurino.
O terceiro casaco de malha era em tons rosa e representava um marco importante na vida da nossa rapariga da mesa ao lado.
Anabela tinha dezoito anos. A noite era de Verão e de romaria em honra de Nossa Senhora das Dores e Queixumes. Tinha ido à festa com os seus pais, membros da comissão organizadora desse ano, vulgo "festeiros".
Naquele ar morno, típico de princípios de Julho, Anabela conversava com as suas amigas, numa roda fechada, quando aparece Tó Zé.
Desde pequenos que se conheciam, visto serem vizinhos. As suas famílias mantinham sólidas relações que passavam por largas sardinhadas e visionamento de jogos de futebol pela Sport TV recentemente assinada.
Desde há alguns anos para cá que Tó Zé vinha dando sinais de corte e alguns avanços a Anabela, que sempre se manteve reservada, pois sabia que ainda não tinha idade nem permissão para namorar. Por outro lado, confiava nas palavras da sua irmã mais velha, Diana (em homenagem à Lady D): "Lembra-te, Bela: os homens são todos uns porcos!".
Diana era mãe solteira e estava empregada numa empresa de serviços de limpeza em Lisboa, proscrita pelos próprios pais, que viam, tanto na sua conduta bem disposta, divertida e ambiciosa (gostaria de ter cursado Letras, para ser professora), como no jeito de expressar uma sensualidade natural, a razão pela qual tinha sido violada, nas traseiras da Escola Secundária. Ela era a única culpada, porque "punha os rapazes atiçados", nas palavras da sua chorosa Mãe.
Contudo, aquela noite de romaria parecia convidar Anabela a abandonar-se à loucura e aceitar o convite de Tó Zé para dançar.
Os "Inovação 6" - excelente grupo de baile, formado por virtuosos do órgão e da guitarra eléctrica, versado em covers dos grandes êxitos da música romântica e do "roque an rôle" - tinham começado a tocar um "slow".
Tó Zé encaminhou Anabela para a pista de dança, improvisada em tábuas, ali no Adro da Igreja e junto à Quermesse - onde se encontrava a sua mãe e mais algumas senhoras respeitadas e devotas.
Anabela lá ia, num andar compassado, de cabeça baixa, com as faces coradas e de braços muito bem cruzadinhos. A sua submissão encontrava nesta postura corporal o mais puro e cristalino reflexo. Aquela seria a noite em que tudo se decidiria.
A música em Inglês (Anabela preferia o Francês, porque sempre dava para perceber as "privates" das suas primas da França) convidava a uma maior proximidade e Tó Zé apertou-a contra a sua barriga descomunal - tal como o resto dele: alto, gordo, cabelo loiriço desalinhado e maltratado; um ar de labrego tal que encontrava o seu maior encanto no facto de ser uma verdadeira "besta" - com cara de mocho -, "muito querida" por todos quantos temiam o seu afectado e pedante mau génio volátil e patológico.
Dançaram o tema e, no final, selaram o seu futuro com um beijo salivante.
O futuro e o casamento, onde o creme de legumes seria a sopa chique, naquele salão de festas de uma empresa de banquetes, ali da Mealhada.
Tó Zé tinha uma casa já feita (moderna, segundo ele, na linha de traça já a seu tempo descrita, mais acima) e emprego certo;
Era agente comercial (um rapaz das entregas, com carro de serviço - o que lhe dava um certo estatuto) da empresa onde arranjou trabalho a Anabela, depois do casamento.
Viviam felizes e sossegados, desde então. Ainda não tinham filhos; queriam esperar.
As noites em que se dispunham a fazer "O Amor" eram vividas numa envergonhada escuridão de urros e grunhos másculos, onde Anabela não tinha qualquer palavra a dizer e onde muitas vezes sentia falta da sua mão, dos seus delicados dedos, que, de todo a todo, eram rotundamente proibidos.
Tó Zé, irritava-se com tal libertinagem: "Aiiii! Vamos lá a ver!... Que é que estás a fazer? Bem..."
Anabela não se queixava e estava contente.
Desde aquela romaria até às mais recentes, insiste em levar sempre o seu Casaquinho de Malha cor-de-rosa, repetindo o mesmo ritual, a mesma postura - até porque, no final de contas, encontra-se acompanhada pelo seu marido, implicando uma atitude de saudável respeito, a fim de evitar olhares indiscretos e certamente cenas da mais sangrenta violência passional, conduzidas pelo sólido e preciso punho calejado do Tó Zé.
De resto, o estilo de Anabela é elogiado pelas amigas, sempre que a encontram ou com ela saem, aquando dos seus eventos sociais: "Fogo! Anabela, tu tens coisas muita lindas! Cinco estrelas!"
Acabado o sumítico néctar de pêra, eterno substituto de um tal de café expresso que tinha sempre em mente tomar mas que nunca pedia (é mesmo só um pretexto para, nas mais diversas ocasiões, romper com a clausura e a rotina), Anabela levantou-se e encaminhou-se para o estacionamento, toda lampeira.
De volta a casa, depois de mais um dia de Sucesso - o seu Casaquinho de Malha Rosa tinha sido, na verdade, o sapato de cristal desta nossa Cinderella (sim porque afinal "ainda há Cinderellas")!

sábado, janeiro 27, 2007

Para quando o segundo volume?

Tardou, mas chegou!

Esta coisa de comentar o direito público tem muito que se lhe diga.

De facto, rezam as crónicas que já um egrégio Mestre Civilista da nossa Casa terá aceite um desafio que, à altura, parecia ser bastante promissor: comentar, numa sábia e avisada cadência, o então recém-nascido acquis do Direito Administrativo pátrio.

A obra lá ia ganhando forma na Revista de Legislação e Jurisprudência... Ao mesmo ritmo com que as tais leis objecto de doutos comentários iam sendo revogadas, republicadas e reformadas.

O nosso Mestre não teria mãos a medir para tanta inconstância. O trabalho começava a sofrer atrasos, desactualizações, tornando-se no mais espúrio exercício de retórica.

Pois bem, um dia, fartou-se.

No seu último artigo sobre a hercúlea tarefa, terá escrito: quando as reformas legislativas cessarem na sua verborreia e no seu furor, eu retomarei o trabalho.

Nunca o fez.

Pois é... O direito público e a sua maleabilidade para as novas ideias, tributárias de uma alternância político-partidária que traz à evidência díspares concepções do Estado e das Instituições, que se perderão mais nos pormenores do que nos verdadeiros direitos e interesses que pretendem consagrar e concretizar.

Enfim... Os pais do nosso Direito Constitucional contemporâneo certamente que de outra arte e engenho se socorreram, procurando uma salutar constância doutrinal, a par das últimas quatro revisões a que a Lei Fundamental foi sujeita.

Para uma leitura de consulta. Um must jurídico, sem dúvida.

sábado, janeiro 20, 2007

Dr. House - A verdadeira história


Por impulso de bravos e já fraternos amigos, fui instado a revelar esta pequena e dramática estória da vida de um homem que um dia jurou honrar Hipócrates.

O médico que vai fazendo as delícias dos seus fãs, nas noites de quinta-feira, na TVI, trocou, nos seus tempos de vida universitária, a John Hopkins Medical School, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Aos dezassete anos, fez-se embarcadiço num arrastão de pesca da Nova Inglaterra - um tal de Andrea Gail (mais tarde naufragado, em jeito de história trágica) - tendo aportado nos Açores nos idos de 1969.

Segundo as crónicas e as plaquetes do seu carro de quarto-anista - carro nº 19 "Sem Remédio", com muita cerveja pilsen -, o emérito Dr. House terá decidido rumar a terras lusitanas para cursar o que ele defendia ser a "Verdadeira Medicina".

Muito antes de Bolonha, a FMUC seria, para este clínico, o verdadeiro Liceu Aristotélico, onde, com método, ordem e muito estudo, se formavam os melhores médicos, os verdadeiros profissionais, peritos nos puzzles médicos e na concretização dos melhores diagnósticos - tudo aspectos onde ele próprio é hoje um mestre.

O seu percurso universitário encontra-se repleto daquelas peripécias que apenas nesta cidade dos estudantes podem ser vividas.

Desde as recitativas missas nocturnas, nas escadas da Sé Velha, tendo por fiel companheira uma bela garrafa d'água "Fastio" ou "Caramulo" de litro e meio cheia do gostoso "traçado" do Pratas, até às serenatas cantadas por esconças ruas dos Olivais - dedicadas a rosáceas e trigueiras tricanas, por quem o seu coração de breve marinheiro ia batendo - Dr. House, na altura conhecido pelos seus pares como o Zé Pesca (em virtude de, por um lado, estar sempre a falar da sua curta experiência, junto do mestre Clooney, nas artes da apanha da sardinha do Atlântico Norte, e de, por outro, querer sempre responder a todas as perguntas formuladas pelos seus professores), Dr. House, dizíamos, teve uma vida de boémia preenchida.

Comensal na República dos Kágados e residente num quarto junto ao Quebra-Costas, House gostava também daqueles pequenos prazeres que passam por ouvir uma boa Canção de Coimbra no silêncio de uma noite de exames de Anatomia I e II.

Na verdade, terá sido em virtude dessa mesma vida nocturna descontraída e levada em jeito brioso, fiel aos mais rigoros valores da Praxe Académica, que ele foi vítima do acidente causador do seu handicap mais característico.

Ora, rezam as crónicas que, em noites vespertinas à Queima das Fitas onde se tornaria estudante finalista e cartolado, House acedeu ao convite de alguns veteranos para ingressar na maior troupe do ano que, nessa altura, se iria formar, espalhando o terror por alguns incautos caloiros que esperavam ter o pior da sua triste - mas também garbosa -, existência atingido o seu termo.

À meia-noite, junto à Porta Férrea da Faculdade de Direito, lá estava ele, um dos primeiros a chegar, com aquele brilho nos olhos, próprio de alguém que vivia com entusiasmo todos estes pedaços de uma existência que sempre ficaria na sua memória como um tempo fora do tempo.

Passados cinco minutos, mercê do seu espírito solícito e cheio de ideias que, segundo ele próprio defendia, "tinham imensa piada" (coisas como formar trupe e sair dali a pé-coxinho), foi mandado calar pelo chefe de troupe.

"Oh Zé Pesca, isto é para ser feito com alguma sobriedade, pá!" - atirou-lhe o bom do Tomásio, veterano de dez matrículas como escolar de leis.

Troupe formada, House eufórico procurava, cantalorando baixinho temas da sua terra natal, tais como aquela muito gira do "Old MacDonald had a Farm", entrar naquele espírito que tanto o fascinava e de que tanto queria fazer parte: sim, ele queria fazer parte do grupo!

Enfim...

Começaram por descer, em passo veloz, a rua fronteira ao Museu Machado de Castro, gritando os típicos impropérios na passagem junto à República dos Corsários.

De súbito, avistaram um rapaz espigadote, junto da tasca do Augusto, que o Tó Luís identificou como sendo caloiro do seu curso - Estudos Portugueses e Clássicos, ou coisa do género (Letras, para todos os efeitos...).

O olhar de pânico do petiz foi confirmado pelo pigarreio de angústia. Seria, pois, naquela noite que, coitado dele, ia perder aquele seu frondoso e longo cabelo que fazia os encantos de todas as moças de sua aldeia, quando o viam actuar no grupo de baile de que era organista?

Ao ter desatado a correr, a troupe de House lançou-se na feroz perseguição. House apenas queria que o chefe decretasse um Ad Libitum, sem apelo nem agravo!

O som das solas dos negros sapatos fazia-se ouvir no empedrado da calçada da descedente Padre António Vieira.

A correria era alucinante! Alguns elementos iam escorregando, levantando-se logo de seguida, sem vacilar.

House empunhava, orgulhoso, a tesoura que lhe tinha sido passada pelo Gomes que já começava a não aguentar o ritmo.

"Estou quase a apanhar-te, caloiro! Estou quase...!" - ia gritando, abafado pela capa negra que lhe cobria o rosto.

Nisto, Maria Rita, estudante de enfermagem, um pouco stressada e já bem disposta, por ocasião da festa de aquecimento para as noites do parque, que estava a dar no seu t1, arrendado a uma bonifácea senhora funcionária dos correios já aposentada (e que a tinha na conta de "menina", conforme ao anúncio afixado nas cantinas), Maria Rita, dizíamos, numa gritaria quasi-orgásmica, é acometida de um sentimento envagelizante.

Isto porquê?

Decide despejar a sua vodka de melão à rua, nessa tentativa filantrópica de baptizar todos esses trovadores que por ali, julgava ela, iam passando para a ver.

O piso tornou-se molhado. Pouco molhado, mas ainda assim...

O caloiro, ofegante, só pensava em chegar à benemérita protecção do seu enfeminado padrinho que se encontrava na Secção de Badmington da Associação Académica, ali mesmo ao virar.

House continuava a sua correria, sem qualquer cuidado. Escorrega na ora pia baptismal de Maria - uma poia de canixe, empapada pela vodka.

Nisto, há algo que lhe sai debaixo dos pés... Sente-se a cair! O caloiro a escapulir-se, a tesoura a bater-lhe na testa.

Acto contínuo, todos os seus companheiros se abeiram dele. O estado do nosso doutor não é famoso. As dores no joelho são lacinantes.

Tinha deslocado e esmagado uma rótula.

Maria Rita ri-se como uma perdida.

Ninguém diz nada até que chega Tomásio.

"ZÉ, TU PÁ... SÓ ESTÁS BEM É EM CASA!!! IN' DA' HOUSE, TÁS A OUVIR?

É o que faz trazer gajos das medicinas, pá!!!"

A troupe foi desmantelada ali mesmo.

House foi encaminhado aos Huc, onde terá sido operado nessa mesma noite.

Na noite da Serenata, já Zé Pesca era conhecido por House, sem uma rótula e com uma canadiana.

Um caramujo, que não sairia senão à porta, para escutar a música que tanto amava.

House formou-se nesse ano e rumou a terras do Tio Sam. Côxo, mas Feliz. Em Coimbra tinha vivido!

Advertência: O Dr. House não está protocolado com nenhum dos sub-sistemas sociais do Serviço Nacional de Saúde português (ADSE, Caixas de Previdência ou Serviços Sociais do Ministério da Justiça)

sábado, janeiro 06, 2007

Um breve tributo ao Bom Gosto... e à Sabedoria


O Jaeger LeCoutre Reversi, marcando preciosos e sedutores compassos de tempo, o gosto pela arte, pelo belo, pela velocidade e pela aventura...

O puro prazer em poder desfrutar de obras-primas, ilicitamente tomadas como suas, na solidão de um estúdio soberbamente mobilado...

Um estilo de vida invejável!

E tudo isso, soube deixar para trás para provar e viver um sentimento antigo...

A única Demanda que valerá a pena, por certo!

Um DVD que merece sair da prateleira, sem dúvida!

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Anno Domini 2007


Porque o Amor é intemporal...
E assim que o encontramos na sua forma mais pura, queremos vivê-lo para sempre!!!
Feliz Ano Novo!!!