quarta-feira, outubro 10, 2007

PORTUCALE

E mais um 5 de Outubro se passou, desta vez a proporcionar um fim-de-semana prolongado, que calha sempre bem para se ir descansando, ou, então, como foi o meu caso, para ir sofrendo as tradicionais maleitas do início de Outono (que incluem nariz entupido e muita tosse).
De uma emblemática varanda na Capital, ecoaram os discursos do costume, tentando dar alento e um "fashion look" a ideias, propostas e desígnios que até nem precisariam de muito para se manter actuais, porque ainda em dívida.
A "utopia" de alguns, resulta claro, não se encontra hoje cumprida.
E, por aqui, sempre se dirá que da tal varanda, afinal, nada se ouve, nada se entende.
Contudo, o que por aqui me traz à esplanada terá certamente que ver com outras celebrações que não as relativas à Implantação desta República.

Na verdade, é com um sentido de protesto claro que me venho interrogando:

Por que raio todos nós, enquanto Nação, Povo, País, nos esquecemos que também esta data marca uma Ideia muito mais Antiga e Fundamentante? Que realmente definiu a nossa Essência?

De facto, e segundo a communis opinio dos historiadores, também a 5 de Outubro, mas de 1143, El-Rei D. Afonso Henriques (já assim se tinha auto-proclamado em 1140) assinava, com Afonso VII de Castela e Leão, o Tratado de Zamora, o nosso primeiro instrumento de direito internacional público e também o documento tido como fundador da Nacionalidade Portuguesa.
Num leve, mas veemente, desabafo vou dizendo: seria de bom senso e bom gosto que se atribuísse a dignidade e o real destaque que tal acontecimento, ainda que mais vetusto (e, porque não, por isso mesmo, mais valioso) merece.
E quem sabe se ao procurarmos o Caminho que nos foi deixado há mais de oitocentos anos, não encontramos o verdadeiro Rumo que esta nossa jovem Coisa Pública deve tomar?

quinta-feira, outubro 04, 2007

Free Burma!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Verão

O Pico, visto do Faial, junto ao Peter Café Sport, Agosto de 2007

Apenas me ocorre dizer em jeito de recordação e saboreando o gin bebido ao final da tarde:

Já lá estávamos antes de chegar e ainda lá ficámos depois de ter partido.

Até à volta!


terça-feira, agosto 21, 2007

Silly Season II

Ilha de Faro
versus
Ilhas Faroe

segunda-feira, agosto 20, 2007

quarta-feira, julho 25, 2007

Literatura de Buvete


Milan Kundera foi um autor que conheci em idade relativamente jovem e, desde aí, tenho vindo a ler com interesse e prazer os seus romances.


Herdeiro de um pensamento condicionado por uma geografia política que moldou hábitos, estilos e percepções de vida diferentes - assentes, lá está, no dualismo imposto por um Muro -, Kundera é um mestre no que toca à sátira dos costumes, à reflexão sobre as paixões e os dramas humanos.


A cadência da escrita, o estilo, as considerações filosóficas, tudo isso contribui para uma obra sólida, coesa e que vale a pena conhecer.

E lembrei-me de Kundera para sugerir uma leitura agradável, ainda dentro do tema de conversas que se vão ouvindo nesta esplanada.


Na verdade, a trama de um dos romances mais hilariantes deste exilado Autor checoslovaco (sim, ainda checoslovaco), passa-se precisamente numas... TERMAS da Europa Central.


Assim, à beira da Catedral e no Buvete de umas quaisquer termas de Portugal, lê-se "A Valsa do Adeus".

terça-feira, julho 24, 2007

Termas III



Nesta esplanada, onde também se vai pedindo "uma água fresca, fáxabor", não nos podíamos esquecer das termas mais emblemáticas de Portugal.

Próximas da mata do Buçaco - um local também muito engraçado - damo-nos conta, pela visita à página, que estas termas são das poucas que ainda se mantêm fiéis à imagem clássica, desprovida de quaisquer eufemismos ou pretensiosismos espúrios.

De facto, pela consulta feita aos tratamentos disponíveis não temos cá Banhos de Vichy nem massagens de lodos nem algas.

Temos tratamentos para a sinusite e ginástica em piscina termal, isso sim!

Embora seja certo dizer que cada estância termal está destinada a certos fins terapêuticos, definidos em função das propriedades químicas das suas águas - que diferem de localização para localização - também certo será que, pelo conceito, do modo que é dado a conhecer, estas termas seguem uma linha muito mais sóbria.

Na verdade, nem de outra forma poderia ser. E falo por experiência própria. Não há nenhum glamour no tratamento de uma coisa tão aborrecida e inconveniente como a sinusite.

Por outro lado, a própria vila do Luso tem um toque vintage bem preservado - com o Grande Hotel a dar a cor local - que seduz qualquer nostálgico da série "Poirot".

E, depois, é agarrarmos nos garrafões vazios que vamos guardando em casa (eu por mim, detesto esse hábito) e rumarmos, com o povo, todos juntos, até às fontes públicas do Luso para os encher.

Como era o slogan? Água do Luso tão natural...

segunda-feira, julho 23, 2007

Termas II




E de S. Pedro do Sul, podemos sempre partir rumo à Curia, uma pacata vilória aqui da zona de Coimbra, de que eu sempre ouvi falar na minha infância como destino para o tal turismo sénior, retemperador das maleitas já aludidas no post anterior.
Contudo, este é um sector do turismo tuga que realmente está a mudar.

Resta saber se para melhor. Senão vejamos:

Se em S. Pedro do Sul, o que estava a dar era o D. Afonso Henriques trocar a sua armadura por uma bela toalha (relembrando todas as implicações inconvenientes que daí podem advir, devido a associações de ideias inevitáveis) e tratar as maleitas das batalhas, com o afamado banho de Vichy, o Spa - que é agora o nome moderno dado a estes locais pelas pessoas bem e de sucesso (mas também com um toque de novo riquismo bacoco) -, sito na Curia, propõe um tratamento de lodos e algas para a pele.
Por sessenta euros (doze contos de reis, caramba!), o termalista (palavra tão gira como campista) - ou agora será "spalista"??? - vê-se coberto por várias camadas do bom lodo viscoso que costumamos pisar no fundo das ribeiras e dos rios (coisa boa!), na promessa de uma pele que, em vez de suor, transpirará saúde, beleza e graça... E ainda tem direito a uma massagem de relaxamento!

E pronto... C'est trés chic! Ou não...

É que eu gostava de saber onde é que ficou aquele hábito muito mais saudável de ir para o buvete e estar ali a beber aguinha e pensar na vida. Para quê inventar tanto??? Para quê tanto elitismo apropriador?

Definitivamente, continuo a achar esta onda fashion muito abichanada!

quinta-feira, julho 12, 2007

Termas


Sempre tive a ideia de que passar uns tempos nas termas era para pessoas com um sortido de maleitas que normalmente vêm com problemas alérgicos ou então a consequência natural de um sossegado envelhecimento em que o que apetece mesmo é gozar os rendimentos que a reforma vai dando, depois de uma vida de aturado e árduo trabalho, que, não raras as vezes, sempre demonstrou alguma ingratidão para com o espírito e o corpo.

Contudo, as novas termas de São Pedro do Sul parecem ser algo de diferente.

Na onda dos spas, o Balneário D. Afonso Henriques (se ele soubesse que ia ficar associado a uma coisa tão abichanada... ai, ai!!!) oferece momentos de salutar lazer para todos aqueles que se lembram que têm de começar a ser saudáveis apenas nas férias.
Num qualquer acompanhamento ao mito metro-sexual, agora muito na moda, podemos dar-nos conta de que o banho de Vichy é supostamente uma experiência verdadeiramente única - quanto mais não seja pelo nome mais ou menos, digamos, "alegre" que tem.
Enfim, numa alternativa aos destinos tropicais, é só seguir até Viseu e consultar o Tom-Tom para o resto.
O sítio deve ser fácil de encontrar.

terça-feira, maio 29, 2007

A Banhos


O quarto de banho terá bidé?
Na praia da Figueira da Foz, 26 de Maio

segunda-feira, maio 07, 2007

Meteo


E para o Dia de Cortejo, Coimbra espera uma temperatura de vinte e graus, com céu limpo e vento a soprar fraco a moderado.


Segundo informações colhidas à beira da telefonia, Santarém será a cidade mais quente do País, enquanto que no Cairo estarão outros vinte e seis graus.


Vai-se falando do tempo à beira da Catedral. Enjoy the Sun!

terça-feira, abril 24, 2007

Estava eu em Coimbra...

Na véspera de mais um feriado comemorativo, à beira da Catedral vai-se falando desse dia em que cada um, à sua maneira, disse "Presente" e escolheu o seu lado da barricada.

Muitas estórias, peças da grande história que se escreveu, poderiam aqui ser registadas.

Por exemplo, o caso do Engenheiro Agrónomo Almerindo Lacerda, afilhado do Senhor Almirante Thomaz e comandante da Companhia de Atiradores 5, de '62 a '70, Guiné Bissau, que se encontrava, nesse dia 25, na casa de férias do seu tio Luís Manuel, na Praia das Maçãs e que começou por pensar que o golpe era da Direita.

Ou então o relato do Paulo Costa, soldado do Batalhão de Transmissões 10, dos anos de '68 a '72, que tinha visto o seu Sargento Lopes a ser despedaçado por uma mina, numa qualquer picada em Angola e que também se tinha levantado cedo nessa manhã para se apresentar ao serviço na empresa de mudanças do seu tio Alberto.

Ou ainda o da Maria Celeste, estudante do sétimo ano dos Liceus, natural e residente em Setúbal e madrinha de guerra do seu primo Toni.

Contudo, há um relato curioso, que vale a pena ser contado. O relato de uma estudante de Coimbra, uma resistente silenciosa, que, embora não entendendo muito de política e de activismo, suspirava por uma lufada de ar fresco que ia tardando. Não gostava daqueles senhores de óculos escuros que entravam no Pigalle ao mesmo tempo que ela, que pareciam também gostar de jogar matraquilhos no Moçambique, mas que permaneciam sempre sentados, sisudos e sérios.

Por sinal, tudo tinha começado depois de uma das suas amigas ter assobiado, em jeito de inocente brincadeira, para os cães errados, que latiam no edifício em frente à sua residência, na Antero de Quental. Enfim... Não obstante ter sido abordada na noite do mesmo dia em que ocorreu tal precalço quasi-sacrílego, a nossa ora protagonista nunca terá visitado as tais instalações da Direcção-Geral de Segurança.

Por acaso, quando era mais nova, ouvia o seu pai, de vez em quando, comentar com a sua mãe que aquele seu amigo, ex-presidente da Associação Académica, tinha sido novamente preso pela PIDE. Desde esses tempos, que não tinha ficado a gostar daquela "força de segurança".

Noite de 24: No quarto de beliches e cama individual, esta nossa estudante tentava perceber alguma coisa de Economia, enquanto as suas colegas se concentravam em volumosas sebentas de "Fisiologia do Sistema Nervoso Central" e "Introdução à Lógica Aristotélica" ou outra coisa do género - tudo ao som da música que ia passando na telefonia.

Já a noite ia quase no seu termo, e os livros ainda a meio, quando a Emissora Nacional concede essa pérola a todos os seus estimados ouvintes: "E agora, convosco, o representante de Portugal no Festival da Eurovisão, Paulo de Carvalho, com o tema 'E Depois do Adeus'"... Era uma música de que elas gostavam, tal como gostavam do Zeca, que não se ouvia tanto...

Passado pouco tempo, a nossa estudante e as suas duas companheiras de quarto (ambas nascidas e criadas no Brasil) fecharam as luzes e deitaram-se.

Manhã de 25: "Mininas, Mininas, um golpi d' istado!!!". Era uma das suas companheiras de quarto que entrava no quarto, num estado de agitação invulgar para aquelas horas da manhã.

A nossa estudante, tentando tirar a cabeça da almofada, apenas pergunta, ainda bocejante: "Mas o que é que é um golpe de estado?"

Pouco tempo depois, saem do quarto, já vestidas, curiosas, expectantes, correndo logo para junto das pias Irmãs Religiosas, as guardiãs daquela residência, numa tentativa de recolher mais informações sobre o que realmente se estava a passar.

Ao que parecia, os militares tinham-se revoltado novamente, como há coisa de um mês atrás nas Caldas da Rainha... Só que desta vez a coisa parecia mais séria. O Senhor Presidente do Conselho e o Presidente da República estavam cercados no Quartel do Carmo em Lisboa.

Logo de seguida, correram para as arcadas do jardim da residência. Em frente, na rua, a turba ia aumentando em gritos de guerra... estudantes, na sua maioria, mas também imensos futricas...

A sede da PIDE estava cercada por militares. Carros eram virados, pedras eram lançadas a muitos dos tais indivíduos que agora já não tinham óculos escuros nem aquela pose de inquisidores silenciosos... Muitos tinham era a cabeça partida, fruto de uma mais violenta e certeira pontaria, qual acto de catarse retributiva de alguns que ali dentro se encontraram de frente com a mais sombria mão pesada e enluvada do regime.

A nossa Estudante continuava perplexa... Nunca tinha visto nada assim... De início, não sabia muito bem o que fazer, mas depois preferiu optar pelo silêncio, pelos comentários discretos... Apenas mais tarde se deixou levar pela onda dos comícios - foi a todos - do entusiasmo voluntarista e prenhe de utopias.

Contudo, no mais profundo do seu Ser e Sentir, viveu, logo ali, um Triunfo... O Triunfo de um novo Começo!

Pelo menos, o que estivesse para vir teria de ser bem melhor do que até aí fora. Os seus desejos eram os mais simples e, sim, os mais Puros!

Esta é uma estória ouvida na esplanda. Embora alguns dos factos aqui descritos e narrados se tenham realmente passado, outros há que foram puramente ficcionados.

quarta-feira, abril 18, 2007

Quando a Caixa toca...


Estas são imagens recolhidas na Caixa Automática da CGD, em Coimbra, ao pé do D. Dinis.

Para todos os fãs da Caixa, que gostam desta esplanada.

Enquanto levantam dez euros para uns finos e uma nata...

O telefone é que não percebi para que servia...

De qualquer modo, também continuam a existir cadernetas! Vá-se lá entender...

sexta-feira, março 23, 2007

Duran Duran?...

Há pouco, em serão televisivo, a propósito da anabeliana comédia romântica que está a estrear nas nossas salas de cinema - o "Music and Lyrics", com o Hugh Grant e a incompreendida Drew Barrymore (a menina que aparentemente ficou mesmo traumatizadinha para o resto da vida, em virtude de um tal de "ET" que se instalou em sua casa e que tinha um duvidoso e luzidio dedo indicador, mais próprio para um toque rectal do que para ter piada) - ouvi um comentário engraçado: o revivalismo dos anos oitenta está aí!

Bem, estes eram os nossos anos oitenta... Ou, pelos menos, os mais Pop - como os Ban gostavam de cantar!

Por certo, a fazer lembrar "Rio" dos Duran Duran, mas muito, muito, muito mais nosso! Upa, upa!

Muito antes do Dan Brown, já este grupo era um verdadeiro código! Mas não de bom gosto...

quinta-feira, março 15, 2007

Uma Perrier, por favor!





Em Nova Iorque há um restaurante, onde, além da carta de vinhos, existe uma carta de águas.

De há uns anos para cá que me venho interessando por esta marca.

Em Roland Garros, a Perrier é a patrocinadora oficial do torneio;

Para Hemingway, é a sparkle que se mistura com Hague.

Quanto a mim, gosto dela simples, bem fresca, embora com um excelente James Martins de Vinte Anos - em copo de fino vidro raso e duas pedras de gelo, à sombra de um abrasador e estival sol alentejano -,também seja excelente.

Na esplanada, alguém pede: "Uma Perrier, por favor!"

quinta-feira, março 01, 2007

O Conde Olavo - parte I (continuação)



E dos mesmos autores em Story Squared. A trama continua:


«O conde tossiu ruidosamente, prenunciando aquela ligeira comichão na ponta do nariz a pingar, indiciadora de um iminente ataque de espirros. O cheiro a clorofila daquela estufa quase morta, empoeirada e cheia de fungos a isso convidava naturalmente.
"A Senhora desce já, senhor Conde", disse a empregada ao entrar na estufa vinda da lúgubre sala de jantar, pintada em tons de verde escudo e com móveis de estilo "Renascença", já carcomidos por séculos de pesarosas heranças familiares.

O Conde acenou sombriamente, lançando o seu gélido olhar para Benedita que começou a sentir estranhos arrepios. Este sujeito provocava-lhe um sentimento de medo tal que muitos dos seus frequentes pesadelos o tinham como personagem predominante e principal.

Ao sacar do seu argênteo relógio de bolso, prenda do seu severo pai aquando do seu exame final da instrução primária, o Conde começou a calcular mentalmente o tempo do percurso das suas duas amigas que tinham ficado de vir ter a casa da senhora Felisbina. Muito do seu sucesso nesta nova empresa dependia das prodigiosas capacidades dramáticas dessas duas senhoras tão pias e tão castas.

Deviam estar para chegar... Hoje era um excelente dia, ainda que persistindo o incomodativo eco do relógio de cuco, causador de uma noite insone. Hoje era um excelente dia, pois era o início de uma nova conquista e isso, para o Conde Olavo, tinha sido sempre motivo de grande entusiasmo. A campainha voltou a tocar. "São elas" - pensou, sentindo um doce conforto no peito.»

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Na praia de sempre

Para ver e ouvir. É um clip. O resto é para quem sabe...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

O Conde Olavo - parte I


Esta a primeira parte de uma estória a duas mãos que vai fazendo jorrar alguns bons rios de tinta virtuais em StorySquared.

"Naquela manhã chuvosa, o Conde Olavo acordou mais mal-humorado do que era costume... tinha dormido mal durante a noite inteira.

O relógio de cuco pendurado na parede do seu sombrio e exíguo quarto, atulhado de papéis amarelecidos pelo tempo e pela antiguidade, tocou a todos os dez minutos durante a uma e as oito da manhã!Por entre lamentos e pigarreios, o Conde lá se ia revirando na cama, tendo tomado a decisão de não se levantar por uma questão de orgulho e claro masoquismo. Não se renderia àquele pássaro estúpido de madeira, ponderando de modo resoluto a hipótese de lhe dar o devido "tratamento" no dia seguinte, com a ajuda de um sábio e prudente martelo!

E logo nesse dia que tinha tanto para fazer: da parte da manhã devia encontrar-se com as senhoras Hermengarda e Isolda, pias e castas viúvas nos seus portentosos sessenta e cinco anos de idade, em que a beleza era benevolamente emprestada por umas pitadas bem medidas de um rouge com cheiro a arroz empacotado num bafiento pacote e por um batôn rançoso, que tinham comprado em Paris há mais de vinte anos!
Para a tarde o Conde guardava a melhor parte do seu novo projecto audacioso, para o qual contava com a ajuda destas duas amigas.

Tudo começaria por uma ida a casa de Alberto e Ana, dois gémeos de dez anos, que tinham perdido os seus pais há pouco tempo e que estavam ao cuidado da sua avó, velha conhecida do Conde Olavo, com quem mantinha sólidas relações de amizade.

Conde Olavo chegou a casa dos gémeos a meio da manhã, hora cuidadosamente escolhida para poder ser convidado para o almoço que lhe daria a oportunidade perfeita para tratar dos negócios com a Dona Felisbina e conhecer os petizes.
Ao tocar a campaínha colocou o seu ar de pêsame combinado com um tímido sorriso paternalista que, segundo ele, iria tornar a transição muito mais suave.
A porta foi diligentemente aberta pela criada dedicada, a Benedita, cujo único traço físico digno de nota era uma portentosa verruga no queixo.
- Bom dia, senhor Conde. A senhora e as crianças esperam-no no jardim de Inverno. - disse Benedita com a sua voz esganiçada, enquanto tomava conta da cartola e do casaco fossilizado do conde.
- Bom dia, Benedita. Explêndida manhã, não é verdade! - há semanas que não parava de chover - Deixe-se estar que consigo orientar-me sozinho - e encaminhou-se em direcção ao jardim.
A estufa teria sido, tal como o resto da casa, um local aprazível que tinha entrado em declíneo há muito. As plantas, em tempos coloridas e viçosas, definhavam raquíticas nos seus vasos; a mobília de verga estava preta por causa dos ferozes ataques do bolor; e circulava no ar um cheiro a morte iminente."


A Excelente Cúmplice: marianapcosta

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

And now the Solution!

"A shrubbery?" - A solução! Parabéns Olavo Lupia e Sub-Lodo (espero que dê agora para deixares o teu precioso e sábio comentário). Um mote carnavalesco para todos os convivas desta esplanada.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O Caminho Do Bosque


Na prudente, imaginativa e inspiradora orientação do grande ELC, trago um pouco "a água ao meu moinho" e para hoje proponho este post enigmático.

Há Demandas que valem a pena pelo Prazer da Descoberta!