quinta-feira, janeiro 31, 2008

"Cartographya"


Rementendo-me em parte a tudo quanto disse em post mais antigo, trago por ora até à mesa da esplanada um contributo para o mapa de locais onde se pode fumar.


A imagem é do Café Tropical, em Coimbra. Um dos tais sítios onde o "manto cerúleo de fumo" (é uma expressão com alguma piada) apenas era permitido na esplanada. Há poucos dias fui lá e a surpresa que tive foi agradável: um dístico azul, permitindo a descontracção e a liberdade de outros tempos, não idos há muito, no seu interior.


Por outro lado, o sistema de exaustão implementado parece funcionar bem, não tendo havido grandes queixas até agora, segundo o que pude apurar junto de convivas mais assíduos.


O melhor de tudo, a certeza de que certas imagens de marca se mantêm... A Liberdade a melhor delas todas!

terça-feira, janeiro 29, 2008

No início eram os "Warsaw"

As boas estórias são sempre contadas a preto e branco. "Control" de Anton Corbjin é, certamente, uma delas.

A vida de Ian Curtis foi breve e certamente não por obediência ao antigo brocardo que diz que morrem jovens aqueles que os deuses amam. De facto, tenho para mim que o vocalista e a verdadeira âncora dos Joy Division não queria nada com os deuses.

O seu duelo era outro... era com a vida que sempre conheceu, não suportando a cidade em que vivia, rejeitando a rotina institucionalizada pela escola, os modelos pré-estabelecidos - de que cedo se separou -, enfim, tudo o que lhe era dado por um ambiente claustrofóbico de horizontes curtos e sem espaço para outros sonhos, esses, produtos da combinação de tal cinzentismo com uma débil imagem de esperança.

A Ian Curtis juntou-se toda uma geração que procurava a fórmula perfeita de exteriorizar esse desespero provocado por uma sociedade convencional que, na altura (finais dos anos setenta), conhecia um dos seus mais cruciais momentos de agonia. Lá está, o que veio depois foi a sua lenta falência, ainda hoje em marcha e com resultados pouco promissores.

E será precisamente mercê deste circunstancialismo baseado na analogia histórica, que o filme "Control" vem assumir relevância e pertinência, espalhando o romantismo e a nostalgia suficientes para eventualmente (r)estabelecer a esperança na certeza de que haverá sempre uma maneira de quebrar, de romper com o que está de errado, ainda que não se proponha a quem governa qualquer mudança para todo um Estado, Povo ou Classe. A falta de crença na bondade de quem se elege é um borrão de tinta difícil de apagar.

Na verdade, a onda de revivalismo que por estes tempos se vive, explica bem o desejo de ir procurar no passado as soluções certas para ultrapassar mais uma crise social e cultural. O punk, por exemplo, voltou a estar na moda, se bem que mais artificial. Um artificialismo querido por quem é mais sensato, mas também mais fútil. Certamente que a geração dos morangos (entenda-se essa tribo dada pelo nome de "betos") não sabe o que é casar-se aos dezasseis, não sabe o que é começar a trabalhar sem ter curso superior ou parte dele, não sabe verdadeiramente o que é não ter dinheiro.
Mas de qualquer forma, sempre entendi que os momentos de ruptura, apesar de gerarem muita bagunça e desorganização, são inspiradores, únicos e que merecem ser vividos. E ainda que com alguma dose de higiene ou assepticismo materialista, possamos deles tirar o melhor, em termos criativos.
Em cenários industriais, de tijolos escuros e paisagens de um verde que não se vê, o percurso interior de um indivíduo perturbado, epiléctico, mas acutilante - que escrevia poemas em folhas de papel com linhas e marcador preto, em vez de um asséptico teclado de portátil com wireless - reflecte uma certa coragem ingénua de todos aqueles que encontraram, precisamente, as tais soluções que se procuram agora recuperar para sobreviver na incerteza.
As letras e os poemas continuam actuais e profundos. O som ocluso dos concertos e da banda sonora (a recuperar o melhor da voz e dos arranjos musicais em temas como "Radio" ou "Love will Tear us Apart"), como que saído de alguma sala exígua, intima qualquer um e obriga a olhar para dentro.
A vanguarda queria-se assim, sombria, metida consigo e entregue aos excessos, denunciando, claramente, uma única regra: a ausência de quaisquer outras. Em tempos de ruptura, o espaço é caótico, a geometria desordenada. A tal coragem ingénua repercutir-se-ia, certamente, na tomada de consciência da realidade circundante de que se não pode fugir. Qualquer caminho a tomar seria, forçosamente, um trilho sem retorno. Com tudo o que isso trouxesse. Embora não optando pela gratuitidade de qualquer escolha tida por menos boa ou mesmo má, há um certo fascínio que se partilha: eles não se importaram - escreveram e criaram algo, assente em tais parcos pressupostos.
E se para Ian Curtis e outros, tal devia-se à sua angústia, não tendo outra escolha, para os fãs nada mais resta se não tirar o melhor de todo esse conflito: um bom som e bons poemas com significado e estilo próprio.
Tal como a certa altura é dito pelo guitarrista: "Vocês são o público, nós os Joy Division" - a fronteira está traçada. E as tropas querem animação.

No início chamavam-se Warsaw. No fim de tudo, Ian Curtis morreu novo. Foi pena.

Sam Riley está nomeado para o Bafta de melhor actor em ascenção (Orange Rising Star Award).
Também com PenaSuave e devendo a boa sugestão ao Paulo.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

I'm with the Band

Da Bibliotecária veio este desafio interessante: consiste em editarmos um álbum imaginário de uma banda igualmente imaginária - da qual faremos parte -, seguindo alguns passos.

1. Comecemos por ir à Wikipedia. Aí chegados, cliquemos na opção Random Article (no painel esquerdo). O título do primeiro artigo que aparecer será o nome da nossa banda.

2. Seguidamente, iremos às Random quotes. Clicamos na opção "random quotes": as últimas quatro palavras da última citação que aparecer na página servirão como título do nosso álbum.

3. Ir ao Flickr - a terceira fotografia - não importa o que seja - será a capa do nosso álbum.

4. Por fim, devemos utilizar um gestor de composição gráfica de modo a reunir todos os elementos - recomendo o Motivator.

5. Os créditos para a minha montagem: Koyo Seiko, uma foto de andzer no Flickr e a citação "What other dungeon is so dark as one's own heart! What jailer so inexorable as one's self!", de Nathaniel Hawthorne (1804-1864).

Nos tops, a partir de hoje, os Koyo Seiko com o seu álbum de estreia "inexorable as one's self!". Aclamados pela crítica!


Um desafio nacionalizado que lanço à Mariana, ao Ricardo e ao Cachapa.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Antes do GPS...

Johannes Vermeer, "O Geógrafo", Delft, 1668-69


Também em traços de Pena Suave.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Direito de Resposta

É numa certa linha de serenidade argumentativa, a encapotar um qualquer programismo higienista, que este artigo, a meu ver, se insere. Tudo porque, por um lado, nenhum fumador, pelo menos pelo que tenho lido e conversado, pensa como este senhor antropólogo diz pensar - nenhum fumador entende ser esta lei algo de verdadeiramente violador dos seus direitos fundamentais, era só o que mais faltava.
O que os fumadores entendem, e apenas por mim posso falar, é que se verificam dois defeitos nesta lei. Dois simples mas preocupantes defeitos:
1. Tal como o senhor antropólogo soube reconhecer, para lá das adjectivações que achou por bem empregar (é sempre bom contar com o diáfano manto das metáforas, para não dizer o que realmente se quer), existem lacunas na lei, relativamente aos aspectos concretos em que se pode praticar o regime de excepção conferido.
De facto, consagra-se a possibilidade de escolha do proprietário de um estabelecimento com uma área inferior a cem metros quadrados, entre ser aquele espaço para fumo ou livre do mesmo. Tudo o que tem de possuir é o tal equipamento de extracção autónoma de fumo.
Contudo, é aqui que se nota uma certa má-fé de quem legisla: um ano, se não mais! Um ano, senão mais tempo, tiveram os autores da presente lei para que com a mesma tivesse sido aprovada a respectiva regulamentação, incluindo a homologação de um equipamento, fosse ele qual fosse. É que, na verdade, e sei porque falo com alguns proprietários de estabelecimentos, o que tem vindo a imperar é uma incómoda dúvida por parte daqueles - ninguém sabe ao certo qual exaustor devem comprar, uma vez que as entidades competentes pela fiscalização (nem a elas lhes compete, certamente), nenhuma informação possuem. Devido a quê? Lá está, à lacuna.
Foi, assim, com este plano engenhoso que a inteligência higiniesta conseguiu o falso sucesso desta lei: muitos estabelecimentos optaram pela opção FUMO ZERO, porque tacitamente coagidos, não querendo arriscar, de modo nenhum o pagamento de pesadas coimas. Acredite o senhor antropólogo, quando fala do Café Tropical, que a sua frequência de fumadores rondará os noventa por cento! Certamente que o proprietário começa a sentir os efeitos. Não há sinais de fumo, nem de consumo!
E sabe também o senhor antropólogo que o café de excelência da vida universitária dos seus colegas, mesmo ao lado do Café Tropical, tinha esse mesmo tipo de clientela. Dois cafés tipicamente universitários, que, não querendo discutir qualquer mérito desta iniciativa legislativa (nunca foi o caso), provavelmente teriam querido que o senhor tossisse à vontade ou usasse a esplanada, mas que também não abdicariam da sua clientela habitual - que é fumadora sim! E fumar não é doença! Ninguém rouba, mata, viola ou extorque para fumar! PAGA IMPOSTOS, ISSO SIM!
E isso também não se contesta.
Em resumo, os fumadores apenas exigem uma regulamentação clara - uma regulamentação que a lei prevê e que, lá está, protege os seus direitos!
2.
Um segundo ponto que se revela preocupante é que agora se dá a todos o direito, que antes nem se pensava poder ter, de se intrometerem na vida de quem fuma. E não se fala em denunciar infracções. É correcto que se o faça. Embora também não acredite, para infelicidade dos não fumadores, que haverá assim tantas prevaricações. Como disse, não somos criminosos. Do que falo é do semblante com que agora somos vistos nesse ar livre, onde certamente o carro do senhor antropólogo liberta a flatulência mecânica: somos vistos como criminosos.
Isso mesmo me confessou uma empregada da pastelaria que costumo frequentar acerca de uma cliente, UMA SEMANA ANTES DO NOVO ANO! "Olhavam para ela como um criminosa!"
É disto que falo, do gosto que este povo tem, habituado assim, infelizmente durante mais de 40 anos, em ser delator, cioso do seu indicador de unha ruída, alimentando-se voyeuristicamente da suposta desgraça dos outros. Enfim, pode ter a certeza o senhor antropólogo que ninguém fumará ao pé dele... Quer dizer, se conseguir alguma bolsa de estudo para estudar os Índios da Amazónia talvez apanhe com uns fumos (já Cristóvão Colombo e os nossos Descobridores falavam de tal hábito relativamente aos ameríndios) - olhe, talvez assim consiga ter uma visão diferente.
De resto, concordo com a lei e ainda mais com a sua urgente regulamentação!

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Bons Aromas - uma review pessoal

Cigarrilhas Captain Black com sabor a cereja.

Feitas de Black Cavendish da mesma marca, estas cigarrilhas vêm com filtro aromatizado de cereja que permitem travos mais leves e adocicados.

Não recomendáveis para quem goste de aromas mais amargos.

Para mim, uma cigarrilha que se fuma facilmente, própria para quem queira começar a explorar algo mais do que simples cigarros, passando bons momentos de um momento, certamente, egoísta.

E dizem na Vícios Urbanos, de modo, a meu ver, tão iluminado quanto provinciano, que já não existem!

Que as deixaram de importar, por falta de procura - que muitas vezes se fica nos snobs clichés por ignorância -, isso, talvez...

Vale a pena experimentar.

Everyday Stuff

Em resposta ao desafio lançado pelo Cachapa, trago para a mesa da esplanada, entre uns bafos aromatizados de baunilha do meu "small cigar", uma brevíssima review acerca, não de um, mas de dois objectos do meu quotidiano: o meu moleskine e a minha caderneta de papel.

O toque vintage de ambos os items é algo que não dispenso no meu dia-a-dia, tal como não dispenso ouvir "telefonia" em vez de "rádio".

O moleskine revela a sua extrema utilidade sempre que quero captar momentos, ideias ou meros esboços gráficos, que, no meu caso, apenas eu e quem mais me conhece entende - meros exercícios e incursões no campo do desenho, dados à estampa apenas por pura auto-recreação... No que toca à escrita, ela varia, desde a mais simples nota sobre um compromisso, até algo mais profundo como uma pequena diletância literária. Prefiro canetas de aparo a esferográficas e lapiseiras de minas grossas às mais finas. Vem em capas duras e tem um "side pocket", que tal como consta do panfleto explicativo que acompanha cada exemplar é uma invenção registada da própria marca.
Já a caderneta serve para aquilo que os cartões de multibanco servem (eu não tenho cartão)... Não tem grandes vantagens - só há bem pouco tempo me dei conta de que já se pode carregar o telemóvel num terminal de Caixa Automática, coisa que estava reservada aos terminais SIBS e que me atirava assim para o terceiro mundismo que entendo serem as payshops (talvez apenas porque aquelas que conheço são quiosques de um mau gosto terrível).
Por outro lado, se por vezes é o multibanco que se encontra com uma fila de espera considerável, dando-me por feliz por ter optado por comportamento diverso, já noutras alturas me aconselho repetidamente a pedir um desses cartões de débito;
É que perco a paciência quando vejo certas pessoas, com aquele ar, lá está, de falsa santidade e virtude inusitada, a não arredarem pé dos terminais, conferindo e voltando a conferir extensos extractos de conta (por vezes olham para trás, com um riso escarninho ou um esgar de desprezo por quem está à espera, inserindo logo de seguida outra dessas cadernetas - "falta só actualizar as da conta poupança, do plano de reforma ou da caixa-habitação".
Contudo, a caderneta também vem em capas rígidas, ainda que maleáveis, e permite reunir todas as informações que pretendo, sem ter que acumular na carteira infindos e desagregados talões, cedidos por cada operação realizada, caso assim se deseje (esta, uma funcionalidade apenas introduzida há uns anos).
Dois items do meu dia-a-dia que mais não são do que isso mesmo - Everyday Stuff!


O meme foi também encaminhado para a Mariana e para o Ricardo.


terça-feira, janeiro 08, 2008

Os Clássicos também fumam


De Francisco José Viegas n' A Origem das Espécies

domingo, janeiro 06, 2008

E piu se muove!

Porque à evidência o continua a ser...

Ao toque continua quente e reconfortante...

Ao cheiro, aromatizado...

Ao sabor, o que cada um, LIVRE nos seus sentidos, puder apurar!

Também à Pena Suave.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

A tertúlia





"Nos cafés dou de beber à poesia..."
Couto Viana


Onde ficará agora o tempo em que, no fumo de um cigarro, o ligeiro discorrer e a cúmplice partilha fraterna de motes e glosas, de ideias e impressões marcavam as notas indeléveis de uma boa tertúlia?

Ficámos certamente mais higiénicos e a respirar um ar dito mais "puro", mas perdemos definitivamente o toque e o engenho de uma liberdade que marcou uma geração de pensamento livre, cuja imagem de marca residia, precisamente, nesse gesto de acender um "Definitivo" ou um "SG Ventil".

Abram agora alas para galões e bolos fat-free, porque já nem a cerveja será de bom tom pedir! Abram agora alas para gente saudável que apenas bebe suminhos de fruta, com um semblante de falsa santidade e insólita virtude.

A poesia, essa, procurará outros lugares onde beber, onde correr.



Post publicado também em Pena Suave

terça-feira, janeiro 01, 2008

O bar




O melhor Bar da Figueira da Foz, onde as caipiroskas e o Dry Martini têm um significado especial.

O lugar onde receber o novo Ano se torna um ritual de bom gosto, repleto de intensa cumplicidade.

Perfumaria Bar, na Figueira da Foz - para quem gosta de Pub's e sabe apreciar bons momentos.

sábado, dezembro 22, 2007

Lista de Presentes

A esplanada junto à Catedral encheu-se de iluminações festivas, enfeites dourados e vermelhos, e pôs toalhas de pano em tons de verde escuro sobre as mesas.
Neste contexto e respondendo ao mote lançado pela Mariana, entrego-me de bom grado a esse pequeno prazer de muito bom gosto que é elaborar uma pequena lista de prendas mais ou menos impossíveis de receber.
Temos assim o seguinte Top10:

1. Um casino nas Caraíbas, com um contrato de exploração a sessenta anos;

2. Um CRN Navetta 43, iate;

3. Um T3 em Montecarlo, em condomínio fechado, com piscina;

4. Uma réplica em tamanho real de um Viper da primeira série da BattleStar Galactica;

5. Um jantar para a Mariana com a Kate Mulgrew, no Don Cesar em Cap d'Antibes;

6. Uma noite para duas pessoas no Palácio de Versalhes;

7. Uma visita à Estação Espacial Internacional;

8. Um caderno de esboços de Raphael;

9. Um dos livros de apontamentos de Leonardo Da Vinci;

10. Um Jaeger-LeCoultre Reverso.

E assim se vai passando o Natal na esplanada.

Mas, cumpre-me dizer que, na verdade, a melhor prenda que podia receber, nesta mesma linha de excentricidades, seria, precisamente, poder oferecer um Austin-Martin DBS a quem eu muito bem sei.

Outra lista do género em: Ricardo

sábado, dezembro 01, 2007

Ser Portugal... outra vez!!!



"Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!"
Fernando Pessoa


E na madrugada do amanhecer que se aproxima vou tomando como certo e seguro que ele será, um dia, o mesmo de há 367 anos atrás.

Que em todos nós haja um Bandarra.

Que, a bem deste Reino, a verdadeira Restauração não tarde!

Pois falta, mais do que nunca, cumprir Portugal!

Viva El-Rei! Viva Portugal!

segunda-feira, novembro 26, 2007

Olhó Foguetão!


E se nesta esplanada à beira da Catedral a nostalgia assume um mote para várias reflexões - sendo a palavra "revivalismo" uma das mais frequentemente escritas -, é altura para, em jeito de levíssima crítica musical, deixar aqui nota da melhor "cover" que alguma vez ouvi de uma música que nos "eites" fez o seu sucesso - apoiada por uma legião de fãs, que viam, na extravagância do artista, um sinal de modernismo e excentricidade snob, um ícone da melhor "pop art".
"Dreams in Colour" de David Fonseca é o disco, e o clássico "Rocket Man" de Sir Elton John, uma das suas faixas.
Com arranjos excelentes e a transpirar uma atitude muito mais descontraída do que o original, este é um tema que apetece ouvir várias vezes seguidas.
Aqui fica a sugestão.

terça-feira, novembro 20, 2007

Star Trek Enterprise - Um post, uma review geek



Respondendo ao desafio da Mariana, cumpre, pois, neste momento fazer a minha própria review acerca de mais esta série baseada e inspirada na visão de Gene Rodenberry - para mim, o Autor de ficção científica mais completo de todos (e atenção, eu cresci a ver a Galactica!).
Ao pegar no enredo que ficou em aberto no final de "Star Trek - First Contact", esta série procura relatar como foram aqueles primeiros tempos de verdadeira exploração espacial - as únicas fronteiras (para além do espaço - a última fronteira), a barreira da velocidade Warp 5 e um certo atraso científico com implicações na táctica de combate e na eventual força de persuasão, a que estamos habituados, mercê da mais finíssima tradição da Star Fleet.
De facto, e entrando na substância do desafio, uma das coisas que me faz mais "espécie" nesta série é o facto deste modelo de nave não ter escudos deflectores. Ao invés de tais escudos, o que parece haver - e já é bem bom - é o mecanismo de polarização da armadura do casco.
Por outro lado, não consigo entender como é que a tecnologia das armas de "phaser" está ainda tão pouco desenvolvida ao ponto de apenas existirem apenas dois canhões subdimensionados relativamente ao tamanho do disco da nave, para fazer face a situações de combate em que o nível de proximidade e as exigências de reacção podem ser elevados.
Na verdade, tenho para mim que tal opção conceptual não beneficiou em nada uma certa visão acerca do avanço científico a que supostamente se teria chegado no final do séc.XXII, em muito devido à cooperação dos Vulcanos.
Mas, olhando para aspectos mais mundanos da série, há coisas a que achei piada:
1. A tripulação está sempre a comer!
Quem vir os episódios da primeira época todos seguidos, não poderá deixar de constatar que há sempre várias cenas passadas na messe dos oficiais e na sala de jantar privada do comandante, relatando lautas refeições que não são nem confeccionadas por algum bonacheirão Neelix (Star Trek Voyager), nem fornecidas pelos replicadores (este outro pormenor a que também me custa habituar - a inexistência daquelas maravilhosas consolas, às quais basta apenas pedir o que se quer beber ou comer).
2. Gosto dos quadros que estão na sala de prontidão do Comandante Archer.
3. A nave tem qualquer coisa de "vintage" em tudo quanto é estrutura, equipamento, sem prejuízo dos reparos mais técnicos que acima fiz.
4. A Primeira Directiva é ainda algo em fase de idealização, o que torna muito mais densas todas as considerações morais e políticas, que, de certo modo, se encontram presentes em todos os enredos de Star Trek.
5. O relato dos primeiros contactos com civilizações como os Klingons e os Ferengi e outras tantas - umas que virão a fazer parte da Federação, outras que lhe oferecerão sempre luta.
No que toca ao genérico, a banda sonora é demasiado neo-romântica para o meu gosto, preferindo muito mais o tema sinfónico presente no "Star Trek Voyager" ou mesmo em "Deep Space Nine".
Contudo, a partir do momento em que escolhem o Scott Bakula para o papel de Jonathan Archer, tal escolha musical torna-se, de certo modo, compreensível... A impulsividade inusitada bem como um certo dramatismo teatral e ingénuo não se compaginam de modo nenhum com as minhas preferências.
Na verdade, para quem cresceu a ver personagens firmes e decididas como Jean-Luc Picard, William Riker e Kathryn Janeway, apenas pode ficar com uma impressão: o comandante Jonathan Archer fica muito aquém de qualquer um deles!
De qualquer modo e para finalizar, penso que o "Star Trek Enterprise" é uma série que, na onda de revivalismo que por aí anda na moda, apresenta uma proposta coerente no preenchimento de tudo quanto ficou por contar após o legado de Zeffrin Cochrane.
Entre a realidade e a utopia, este é um "post" verdadeiramente geek. Só para conhecedores!

terça-feira, novembro 13, 2007

Desculpe, tem um euro... ou cinquenta cêntimos?

O que hoje trago à conversa é mais um item da minha lista de pequenos ódios urbanos que de há uns anos para cá venho alimentando: detesto que me peçam trocos!!!
E se repararmos é algo que acontece constantemente, seja em quiosques, tabacarias, supermercados, barbeiros, frutarias, mercados de peixe e verduras, padarias e outros estabelecimentos comerciais do género.
Na verdade, tenho para mim como certo que o facilitismo inerente a esta alta ciência matemática merceeira é um verdadeiro instituto Luso. De facto, a memória que guardo das minhas ainda parcas deambulações pelo Velho Continente e pelo Mundo dá-me conta de que nunca fui confrontado com tais solitações.

Seja para comprar um jornal, bilhetes de autocarro, pão, coisas de supermercado, seja para pagar um café ou uma água, o resultado vai sendo recorrente: estendo uma nota de cinco, dez euros, para uma conta que envolverá sempre um cálculo mais complexo e tenho o funcionário que me atende a perguntar à socapa, mas com um ar muito consternado, se "por acaso não (tenho) um euro ou mesmo cinquenta cêntimos... ou cinco!".
Resultado: sou obrigado a abrir de novo a carteira para satisfazer tal desejo de facilitar os trocos. Tudo porque sempre "dão muito jeito"! De indivíduo com dinheiro - que apresentei para pagar o que devo -, passo de novo a uma situação de devedor de que eventualmente poderá não haver saída. Sim, porque se houver coragem o sujeito(a) que estiver a atender insistirá na sua carestia de moedas.

E quando se chega a uma solução de consenso, os resultados ainda são mais caricatos: já me aconteceu por diversas vezes, ver o dinheiro que tenho a haver substituído por pastilhas elásticas que nunca pedi, que nunca quis mastigar, nem deitar fora, nem nada, mas que perfazem, de algum modo, a quantia em dívida!

Até poderia aceitar a falta de trocos como um problema crónico do nosso comércio, mas logo que a caixa registadora é aberta, a mais das vezes, tal mito - também usado como argumento - desfaz-se por completo.
Nunca eu tive tantos trocos no meu mealheiro como têm aquelas caixas, ali fartas que nem porcos de loiça com ranhura!
Enfim, a lógica medieval ainda vai valendo nestes nossos burgos. A bolsa só é "gorda" se estiver carregada de dobrões!!!

De uma coisa, no entanto, pode haver certezas: nunca nesta esplanada se ouvirá: "Desculpe, por acaso não tem um euro... ou cinquenta cêntimos?"



Nota: Este post serve também como um desafio lançado a Ricardo José.



domingo, outubro 28, 2007

N' A Latada à Bolonhesa



E na passada Sexta-feira foi assim! Dois excelentes concertos - David Fonseca e The Gift - deram o mote para uma noite fantástica de boa música, bom gosto e momentos plenos de sentido!

Mais um ano, mais uma Latada; para Caloiros, Doutores e Antigos Estudantes - sim, porque quer se queira quer não a Festa, continua a ser da Academia!

De facto, a noite teve isso tudo, mas pecou por defeito num aspecto, talvez apenas estético, talvez apenas mais querido de quem já não trilha esse Caminho e dele sente nostalgia.

Contudo, não podia deixar de trazer aqui à conversa a constatação que fiz, enquanto assistia aos concertos.

Ao ser uma festa de Estudantes da Academia de Coimbra e estar precisamente habituado a uma certa cor local que sempre marcou a diferença, foi com alguma tristeza que me dei conta de que se contavam pelos dedos aqueles que vestiam Capa e Batina.

E a chamada para o "encore" das bandas? Parece, afinal, que já lá vai o tempo em que, a plenos pulmões, da multidão ecoava um clamor colectivo.
As bandas, ao ouvirem "Briosa" sabiam o que lhes aguardava - mais uma subida ao palco e mais um bom bocado de música.

Desta vez, acredite-se ou não, não ouvi "Briosa" uma única vez. E quando nos atrevemos a fazê-lo, olharam para nós como se fôssemos uma espécie de estrangeiros ou coisa do género.

Bolonha veio para ficar. Bolonha parece marcar uma nova era, onde novos graus de praxe se misturam com um cenário mais adequado aos "Morangos Com Açúcar" e a uma futilidade irresponsável de a quem pouco ou nada foi exigido, reinando a ignorância acerca de uma coisa, agora "antiquada", chamada Tradição.

Enfim, valeu a música nesta Latada à Bolonhesa!

quarta-feira, outubro 24, 2007

Um Ano, um dia na Esplanada

O tempo passa... Ainda que mais devagar nesta Esplanada, onde a intenção, essa, permanece.

O lugar onde o que interessa são as ideias e as conversas;

O lugar que não procura qualquer cânone regulador;

O lugar onde se fala de tudo e onde a arte de criar encontra o seu solo sagrado;

Esse lugar é aqui, junto a uma Catedral - mas que nada quer ter que ver com ela (apenas se procura respirar a sua história);

Esse Lugar fez, por estes dias, um ano. E um ano corresponde aqui a um dia.

Venha o segundo dia! Não há qualquer encerramento para descanso do pessoal.

Um café e uma Perrier, por favor!

quarta-feira, outubro 10, 2007

PORTUCALE

E mais um 5 de Outubro se passou, desta vez a proporcionar um fim-de-semana prolongado, que calha sempre bem para se ir descansando, ou, então, como foi o meu caso, para ir sofrendo as tradicionais maleitas do início de Outono (que incluem nariz entupido e muita tosse).
De uma emblemática varanda na Capital, ecoaram os discursos do costume, tentando dar alento e um "fashion look" a ideias, propostas e desígnios que até nem precisariam de muito para se manter actuais, porque ainda em dívida.
A "utopia" de alguns, resulta claro, não se encontra hoje cumprida.
E, por aqui, sempre se dirá que da tal varanda, afinal, nada se ouve, nada se entende.
Contudo, o que por aqui me traz à esplanada terá certamente que ver com outras celebrações que não as relativas à Implantação desta República.

Na verdade, é com um sentido de protesto claro que me venho interrogando:

Por que raio todos nós, enquanto Nação, Povo, País, nos esquecemos que também esta data marca uma Ideia muito mais Antiga e Fundamentante? Que realmente definiu a nossa Essência?

De facto, e segundo a communis opinio dos historiadores, também a 5 de Outubro, mas de 1143, El-Rei D. Afonso Henriques (já assim se tinha auto-proclamado em 1140) assinava, com Afonso VII de Castela e Leão, o Tratado de Zamora, o nosso primeiro instrumento de direito internacional público e também o documento tido como fundador da Nacionalidade Portuguesa.
Num leve, mas veemente, desabafo vou dizendo: seria de bom senso e bom gosto que se atribuísse a dignidade e o real destaque que tal acontecimento, ainda que mais vetusto (e, porque não, por isso mesmo, mais valioso) merece.
E quem sabe se ao procurarmos o Caminho que nos foi deixado há mais de oitocentos anos, não encontramos o verdadeiro Rumo que esta nossa jovem Coisa Pública deve tomar?

quinta-feira, outubro 04, 2007

Free Burma!