sábado, julho 12, 2008

MemeMosaic

Em resposta ao meme da Mariana aqui está, salvo seja, a minha "obra-prima":



Os créditos:

1. Cava de Viriato - Viseu, 2. Servidos ?, 3. Untitled, 4. A trip to the market of colour, 5. Jeri Ryan, 6. Perrier Mineral Water, 7. McWay Falls at Julia Pfeiffer Burns State Park, Big Sur, 8. Lampreia de Ovos - 2007, 9. 64495_008, 10. Happy Panda Girl, 11. Beatsville USA12. É minha!


As regras para a criação do mosaico são simples:

Procurar no Flickr a resposta para cada uma das perguntas que se encontram em baixo;
escolher uma imagem, usando apenas a primeira páginas de resultados;
copiar e colar o endereço de cada imagem no Mosaic Maker, configurando as colunas para 4×3 ou 3×4.

As perguntas:

1.O seu primeiro nome?
2.Comida preferida?
3.Em que escola estudou?
4.Cor favorita?
5.A sua «celebrity crush»?
6.Bebida preferida?
7.Férias de sonho?
8.Sobremesa preferida?
9.Carreira de sonho?
10.O que mais ama na vida?
11.Uma palavra para se descrever?
12.Nome de utilizador do Flickr (se não aparecer nenhum resultado, usem um de outro site qualquer)?


Passo o desafio ao Paulo, ao Augusto e à Passiflora Maré.

quinta-feira, julho 10, 2008

Pipocas 3G

Afinal, o que parecia ser uma boa desculpa, na óptica do "faça você mesmo", para ter os telemóveis ligados dentro das salas de cinema, não passa de uma imaginativa campanha publicitária.

quarta-feira, julho 09, 2008

Filho da Pauta II


Julien Dore - Les Limites sélectionné dans People et TV
Hilariante e divertido! Uma agradável descoberta!

segunda-feira, julho 07, 2008

Puro Vintage III

O espaço era amplo e arejado. Ao final da tarde, era ali que homens de ar grave e solene, sofrido e solitário alguns, marcados por mais um dia de trabalho outros tantos, se reuniam ou simplesmente, à beira de uma mesa, se abandonavam.
Uma pastelaria, ou café, que podia não ser Catita, mas, certamente, muito portuguesa, porque "Lusa".
Também ali era o ponto de encontro de umas quantas senhoras viúvas - guardiãs da virtude - que ansiavam diariamente pelo seu chá de gorreana e as queijadas, de fabrico caseiro - consolo merecido, após a missa cantada na Sé.
As arcadas de basalto que formavam o tecto abobadado, davam o retoque final a este estabelecimento. Um local de outros cultos - o do convívio, das conversas, das notícias e estórias trocadas de boca em boca.
As últimas das touradas à corda e das festas; os "mexericos" e os pequenos escândalos passados por murmúrios ao ouvido, provocando, por vezes, expressões de um pesaroso, mas discreto transtorno e leves olhares de pio e sentido desgosto pelas perdições alheias assim acabadas de conhecer.
De olhar sério e atento, atrás do balcão principal, Manuel ia contemplando aquele desfilar da vida mundana, que se repetia todos os dias. O seu orgulho mais secreto: ser proprietário de um estabelecimento, onde certamente a liberdade encontrava o seu verdadeiro reduto nas mais pequenas coisas mundanas.
De facto, era certo e sabido que ali se podiam ler os jornais ingleses, trazidos pelos paquetes britânicos que ali atracavam na doca seca, para reparações ou escalas técnicas. A proximidade da base aérea, generosamente tomada de arrendamento pelo Tio Sam, também dava algum toque de cosmopolitismo ao quadro permanente de convivas.
E tinha sido precisamente numa das cantinas daquela estrutura militar que Manuel tinha comprado aquela peça imponente, a última palavra da técnica no que dizia respeito ao cálculo financeiro, versão rápida.
Com a forma de uma pirâmide rectângulo, de linhas direitas e austeras, revestimento prateado e ornamentado por complexos arabescos - quase ao estilo de uma qualquer "Smith & Weston" do velho Oeste - lá ia aquela registadora disparando o que se devia e a despesa "a pagar". O grave ruído das teclas numéricas, acompanhadas daquela outra de sinal "mais" - como convinha -, lá ditava a lista discriminada da "continha". O pequeno mostrador analógico, de algarismos brancos sobre fundo preto, registava e mostrava à saciedade, sem margem de dúvidas, a certeza que antevinha a qualquer desconto ou acordo para um pagamento ao final do mês da dívida acumulada - uma atenção apenas tida com os clientes "habituais e de confiança".
E, à hora do fecho, quando todos já tivessem ido para casa e as portas de vidro reforçado estivessem encerradas, o último ruído que se ouviria seria o da campaínha dessa máquina, marcando o termo de mais um dia de comércio, feito o balanço.
Quanto a Manuel, mais uma jornada de trabalho terminava, tendo a noção de que a vida de todos os que por ali tinham passado se tinha tornara mais leve e com redobrado entusiasmo. Essa, a sua maior fortuna pessoal, que não cabia em gaveta mecânica alguma.

A cumprir a promessa, satisfazendo o pedido de sub-lodo, um clássico contemporâneo também escrito à pena suave.

quinta-feira, junho 26, 2008

Diáspora, Pinheiros e Subúrbios

Ainda numa senda de saudável patriotismo, os últimos cartuchos pelo menos até a Pequim - onde quererei ver a nossa Vanessa Fernandes a sagrar-se campeã olímpica de triatlo e no primeiro lugar do pódio, ao som da "Portuguesa" -, não posso deixar de relatar a conversa que tive aqui há dias com a rapariga que todos os dias me costuma atender no café-cervejaria-quasi-taberna, em frente a minha casa.
Ao principiar, como sempre, pelo estado do tempo - pelo calor que agora, segundo se diz, não se aguenta, pela chuva que já não se suportava e pela mudança das estações que agora torna qualquer barómetro um instrumento estúpido e idiota de tanto andar à roda -, a conversa seguiu para o balanço que se impunha fazer sobre o sucesso da "Feira das Tradições e Actividades Económicas" deste ano e que, lá está, acabou anteontem.
Nesse registo, perguntei, porque pouco preocupado com o palmarés dos espectáculos anunciados(no Sábado, passei pelos Da Weasel sem prestar qualquer atenção e no Domingo falhei o Quim Barreiros, tendo estado na Sexta a jantar tardiamente, sem ver o grande Emanuel), perguntei, dizia, quem eram os artistas abrilhantadores do dia de final apoteótico de tal festa.
E digo apoteótico, porque até a Pirotécnica Oleirense - já campeã mundial em competições de fogos de artifício - tinha sido contratada para um grandioso espectáculo de luz, som e muitos foguetes.
A resposta da moça lá me confirmou a leve impressão com que eu tinha ficado ao passar por alguns dos cartazes espalhados pela Vila - os Irmãos Verdades (ou Verdade? - não sei e também não "googlei") estavam aí para espalhar os seus ritmos de Kizomba, por toda a zona do Pinhal, agora queimado, mas mesmo assim sob apertada vigilância do Corpo dos Bombeiros Voluntários local.
É que não fosse a Pirotécnica Oleirense ficar, vítima de algum infortúnio em forma de cana de foguete incandescente, sem a concessão excepcional por que deve ter lutado, de acordo com as disposições legais, para continuar a fazer o que sempre fez: pôr umas quantas centenas do bom povo de cabeça para o ar, esquecendo-se das agruras de um ano frio, cinzento e pardo.
Mas adiante. A rapariga soube logo tecer grandes elogios a essa dança, sabendo mesmo o nome do tema mais badalado e digno de top, o tal de "Yolanda". De resto, disse-me que tal género de dança não seria para todos os gostos, mas que, de todo o modo, era diferente das nossas.
Para não parecer muito inculto, até porque tenho em quem me é próximo um verdadeiro conhecedor (em crioulo, diz-se "pulo"), comecei a generalizar:
"Sim, de facto, o povo africano, nomeadamente os Cabo-Verdianos são bastante expressivos e bem ritmados. Já me contaram que há discotecas africanas em Lisboa que, em regime diurno, são escolas de danças africanas. Como sabe, há o Funáná, a Kizomba, o Kuduro... Essas coisas, não é? Não que façam muito o meu género". Porque realmente não fazem. Sou um "pé muito pesado" e já me basta detestar danças de salão.
Abanando a cabeça numa cordial concordância, quiçá mesmo um pouco a leste deste meu jeito perifrástico de expor inócuos e diplomáticos pontos de vista, quando não quero "dar muito nas vistas", porque desinteressado ou sem grande afinidade com os temas a tratar, disse-me:
"Sim, sim... E olhe, mesmo o meu marido gosta e dançamos muito. Prontos... É que sabe, ele também cresceu num meio propício a tais coisas, não é?"
"Cresceu em África, certamente, não foi?" - perguntei eu, no mesmo agravo que tal proposição da senhora tinha imprimido ao saber empírico de quem vive a experiência de uma vida e a sente, como deve ser.
Contudo, a resposta não poderia ter sido mais espontânea e mesmo assim insólita:
"Não, não. Ele é da Amadora" - respondeu-me ela.
Com um sorriso amarelo, apenas disse:
"Ah, pois...".
Realmente, por momentos, tinha-me esquecido que até mesmo os Irmãos Verdades gravam nalgum estúdio em Paço de Arcos ou assim.
Contudo, o melhor deste pequeno episódio, longe de qualquer ironia, sarcasmo espúrio, ou até mesmo snobismo, apenas me faz voltar ao título deste "post".
A Diáspora de quem se espalhou pelos quatro cantos do mundo e ao mundo deu outros quatro novos cantos, criou um tesouro cultural que foi e será sempre a nossa maior potencialidade.
A empatia que ainda hoje se vai sentindo, seja na sede de livros, pintura ou, lá está, de ritmos e música, faz com que, até, neste Pinhal Beirão, a Praia Fluvial se transforme nalgum areal, ali à beira do Atlântico e um pouco acima do Equador.
E já dizia o Saudoso Jorge Perestrelo: "Isto é do que o meu Povo gosta!" Seja onde for!
Apenas uma última pergunta: Acaso não seremos mais do que Portugal, Portugália?

sexta-feira, junho 20, 2008

Assim foi...

E assim foi... A Alemanha jogou melhor e ganhou. Mas valeu a pena, como sempre.
De qualquer modo, ser Português é saber sofrer e saber chorar, seja de Alegria ou de Tristeza.
Seremos sempre assim e isso ninguém nos tira.
Viva Portugal! Hoje e Sempre!

sexta-feira, junho 06, 2008

Sede de Vintage

Parafraseando, ainda que toscamente, Pessoa, sempre me aventuro a dizer:

Primeiro, sequiosos, depois, saciados.

E só de ver.

segunda-feira, junho 02, 2008

Menos ais...

Sou um adepto incondicional da Selecção Nacional.
Para mim, não importa que as vitórias que obtemos dentro das quatro linhas venham a substituir outras, mais precisas, que teimam em não aparecer. Ao menos estas, ninguém nos tira!
Para mim, as vitórias da Selecção vão representando aquele orgulho que vimos de perder em tudo o resto.
E mesmo que nos acusem de adormecer enlevados pelo ópio de coisa tão pretensamente espúria e inútil - porque não nos faz, de maneira nenhuma, "andar para a frente" -, eu digo que tal pouco importa.
É que, para todos os efeitos, são essas vitórias, esse percurso que nos habituámos a ver como vitorioso, de há quatro anos a esta parte, o que nos dá algum alento por alguns dias, ainda que breves.
Por outro lado, mesmo na hora das derrotas conhecidas, também soubemos sofrer tragicamente, com dor no peito e poucas palavras, já de si embargadas, num sentimento que é apenas nosso.
De qualquer modo, o mais importante de tudo reside precisamente no facto de talvez poder ser por aqui que comecemos a cumprir Portugal.
Porque o orgulho nunca fez mal e ser-se patriota é uma coisa até muito simples... Basta sentir e viver!

domingo, junho 01, 2008

Será um Blackberry?...


Pois é verdade, sim senhor! Mais importante do que ser um Dark Lord of the Sith, Darth Vader descobriu que caso não dê conta disso mesmo a todos os cibernautas, o Lado Negro da Força pouca importância terá nos dias de hoje, onde os telemóveis se assumem como um meio de comunicação e um verdadeiro vício.
Deste modo, é com muito prazer que anuncio esta minha descoberta: para todos os discípulos das artes do Sabre de Luz e da Força, Lord Vader está no Twitter, propondo-se a dar conta de todas as suas actividades de maior relevo.
A partir daqui, sempre o digo:
"May all of us, turn to the Dark Side of the Force!... Because, it's cool, actually!"

quarta-feira, maio 28, 2008

02

"I have no armour left. You've stripped it from me"

Com vagar e em tempo

Ao Sábado, Camilo gostava de almoçar como devia ser - com calma, com vagar e a ler o jornal desportivo. E todos os Sábados lá ia ao café "Tróia", num gesto irrepetido, que a erosão do hábito semanal de tantos anos lhe tinha acabado por imprimir.
As regras costumeiras estavam tão enraizadas, naquela gostosa cumplicidade que mantinha com Pessanha, o empregado de mesa, sempre bem-disposto e de resposta bem lembrada e artilhada - ainda que sem qualquer malícia -, que até as piadas trocadas eram, há muito, as mesmas.
"Ò Senhor Camilo, então hoje não está com pressa?" - perguntava o bom do Pessanha.
"Hoje não, meu rapaz" - respondia Camilo, no suspirar satisfeito de quem se sentia dono do tempo, porque em dia de descanso.
"Olhe, já pelo sim pelo não, eu hoje atrasei o relógio do patrão".
"Ai sim? Como é que o fizeste, meu rapaz?" - inquiria o velho Camilo.
"Então, como? Pus uma rolha no buraco da bacia!" - atirava-lhe Pessanha.

Uma vez mais, em traços de suavíssima pena.

terça-feira, maio 27, 2008

Pressa

De olhar nervoso, Camilo ia olhando para o helénico relógio que estava junto ao balcão de mármore do café "Tróia".E por cada pingo, por cada gota de água que via cair para o cristalino recipiente colocado por baixo daquela estranha bacia furada, agitava-se um pouco mais... Cada vez mais impaciente e exasperado.Da sua pequena mesa quadrada - também em tons de alabastro e com rebordos de madeira escura a condizer com a cadeira em couro tratado -, sorvendo o resto do digestivo brandy, Camilo persistia e aliterava:"Pssst! Pssst! Ò Pessanha, vamos lá! Faz-me a conta do almoço que já estou atrasado para o trabalho!".


Para uma pena suave.

Geek Review, Tour de Blog

A recuperar um conceito que encontrei aqui (este, um post entre muitos que a senhora bibliotecária intitula de, precisamente, "tour de blog") , venho, como não podia deixar de o fazer - por razões sobejamente conhecidas de quem me é próximo -, venho, dizia, dar conta de um achado em que tropecei numa sessão de login na blogosfera.
De facto, para um fã confesso da série de ficção científica "Battlestar Galactica" (desde os seus primórdios, logo ali, no início dos anos oitenta, finais de setenta) o blog que, por estes dias, é tido como digno de nota pela equipa deste nosso "bem-amado" servidor, revela-se como a excelente combinação dos ingredientes necessários à ficção científica, no sentido de se afirmar enquanto manifestação cultural séria e coerente; longe, pois, de qualquer juízo pejorativo e redutor que a possa remeter para uma "coisa-de-tótós".
The Sience of Battlestar Galactica propõe-se, assim, dar uma sólida visão mais "pop" (e naturalmente também "geek" com estilo, claro) - o que aqui está longe de ser algo de negativo - sobre variados temas científicos, que vêm servindo de base aos episódios da nova série épica.
As próprias estórias que ali se contam, servem aqui de mote para umas quantas glosas sobre astronomia, biologia, química, física, etc.
Na minha opinião, "a very nice treat", ficando aqui a deixa: "Some believe that Science began here..."

domingo, maio 25, 2008

"Portugal, Twelve Points, Le Portugal, Douze Points"

Durante anos e anos, seria esta a frase que eu queria ouvir de um modo muito mais repetido do que alguma vez realmente o foi. De facto, era num misto de orgulho e de esperança, quase futebolística - a qual, por estes tempos de uns aquilinos vôos mais "rasantes" me tem vindo a ajudar a aguentar o despautério em tons de encarnado - que, todos os anos, eu alimentava esse sonho de ver Portugal a vencer o Festival da Eurovisão.
"Este ano é que é! A canção é excelente!" - o pensamento que anualmente ia fervendo em renovado nervoso miudinho até à noite de Sábado, de um Maio que se queria Primaveril, anunciando a chegada do tempo quente.
Contudo, como a história cruamente o confirma, nunca vi tal "alegria" concretizada.
De qualquer modo, é com saudade que lembro os tempos em que o País parava para se reunir em frente à televisão e assistir, no mesmo registo de expectativa, a esse evento da música ligeira europeia, algumas famílias até arriscando-se a dar as suas próprias pontuações, nessa famosa escala de 1 a 12, não havendo setes, nem noves, nem onzes.
Noruega, Bélgica, Itália, Suécia e Irlanda (esta última, com uma dinâmica de vitória incessante até 1995 e recuperada no ano seguinte), alguns dos países que sempre vimos a vencer, somando e seguindo na contagem dos pontos atribuídos pelos júris de cada estado-membro da U.E.R (a União Europeia de Radiodifusão), e dispostos num sempre colorido quadro de bandeiras, que aparecia na segunda parte do programa. Na verdade, posso até dizer que comecei a identificar os países europeus e do Mediterrâneo, de acordo com as suas cores, graças ao Festival da Eurovisão.
Uns dizem que é "kitsch", outros que é o puro "pop" do Velho Continente (onde ficam, pois, os ABBA?). Para mim, naquilo que me interessa, o Festival da Eurovisão é algo de mais subjectivo - a minha primeira tomada de consciência de um imaginário nacional que sempre quis ser maior, que sempre buscou o reconhecimento das outras culturas ditas "mais esclarecidas", a suspirar de conformismo por continuamente perder até "a feijões". E curiosamente, nunca deixei de encontrar correspondência disso mesmo em alguns temas que levámos a tais paragens de palcos maiores. "Conquistador" dos Da Vinci, "Lusitana Paixão" da Dulce Pontes ou até mesmo "O Meu Coração não tem Cor", da Lúcia Moniz - até hoje, a nossa melhor prestação -, são exemplos de como sempre insistimos em mostrar o nosso saudosismo por tempos de abundância e pretenso poder.
Por sua vez, temas como "Amor de Água Fresca" (Dina, Malmöe, 1992) ou aquela do "Quando Cai a Noite na Cidade" (Anabela, Irlanda, 1993), deram uma certa cor ao nosso contributo pátrio.
De outro lado, ainda guardo grande ressentimento por alguns intérpretes e autores nacionais que marcaram a sua presença no Eurofestival com canções paupérrimas - Nevada ("Neste Barco à Vela"), uns tipos madeirenses, Tó Cruz ("Baunilha e Chocolate") ou até mesmo Célia Lawson ("Antes do Adeus" - uma triste "colagem, que terminou com zero pontos!), nem tentem aparecer-me à frente!
De qualquer modo, outros tempos vieram, mercê das vontades que se mudaram, mercê do xadrez que se inverteu, e não deixa de ser curioso notar o seguinte: hoje em dia, são os antigos países do Leste Europeu que dão cartas em tal espectáculo. Ainda este Sábado, foi a Rússia que venceu na Sérvia e que agora tem a responsabilidade de, no próximo ano, organizar as duas semi-finais e a finalíssima de um modelo que retirou a uns quantos "entendidos" o poder de eleição da melhor música - por muito que possa custar ao senhor Eládio Clímaco ou até mesmo à Senhora Isabel Bahia (a prata da casa da RTP para estas andanças).
Mesmo assim, mais curioso de notar é ainda o facto de Portugal ter passado por tal mudança de hegemonia, igual a si próprio - um perdedor com umas quantas vitórias morais e sempre a dizer, pela boca dos derrotados, que "sai de cabeça erguida"... talvez como a Selecção.
Enfim, pode ser que seja para o ano! Pode ser que, para o ano, o que mais se ouça seja: "Portugal, Twelve Points, Le Portugal, Douze Points.
PS: Em abono do orgulho nacional, é conveniente dizer que, após quatro anos de derrotas humilhantes, passámos, este ano em Belgrado, à finalíssima onde até acabámos em 13º lugar (num total de vinte e cinco participantes), com 69 (sessenta e nove) pontos... Não está nada mal, Vânia Fernandes!...
Também isto é história e memória escritas à pena suave.

terça-feira, maio 20, 2008

Vintage Geek - Edição especial

Para todos aqueles que, como eu, consideram este um dos melhores jogos de estratégia dos anos noventa.

"Dune", para PC

Pode também ser encontrado aqui.

quarta-feira, maio 14, 2008

Transparências III

Água Castello ao entardecer.
Detalhe: os "piquinhos" de gás a subir
Também para suaves motes.

terça-feira, maio 13, 2008

Transparências II

A mesa estava mesmo inclinada.

Para finais de tarde que certamente inspiram.


domingo, maio 11, 2008

Transparências I

Tão natural como uma suave pena.

Momento da Verdade

Respondendo na mais pura aleatoriedade planeada, sempre vou recordando um aforismo familiar, recuperado de um pequeno porta-revistas, feito de lona que se dá pelo nome de "Sanitário Real": "Nas prolongadas sessões, satisfazem quaisquer publicações".

Lanço o desafio à Bitchy Lady, ao Paulo e ao Júlio, porque também ele sabe dosear o bom humor em pequenas doses do mais puro talco de diamante.


segunda-feira, maio 05, 2008

Coisas que detesto ao volante

Em resposta ao desafio bem-lembrado da Mariana, este post deveria servir para eu enumerar todos aqueles pequenos detalhes, ligados à condução automóvel, que me tiram do sério. No entanto, tal como ali é dito, no meme a que por ora respondo, sempre me deparo com uma manifesta excepção, já ali aflorada: eu não possuo carta de condução, nem conduzo.
Deste modo, a minha possível lista de tais "ódiozinhos urbanos" terá que ver mais certamente com aquilo que vou observando e sentindo do meu "prezado" lugar ou de pendura, ou de utente de transportes públicos ou ainda de passageiro explorado, sempre que chamo ou apanho um táxi.
Então cá vai:
1. Condutores que, em longas filas de trânsito, paralelas umas às outras, tentam sempre meter-se à frente, descurando muitas vezes aquela coisa da "prioridade";
2. Motoristas de táxi que insistem sempre em meter conversa, mesmo quando não me conhecem de lado nenhum;
3. Motoristas de autocarro, arreigados na sua "importante condição" de trabalhadores com qualificação, que pouco se importam com os eventuais danos de uma queda ou outra lesão, por cada vez que fazem bruscos arranques ou travagens;
4. Funcionários de empresas de distribuição de produtos, vulgo "comerciais" e a quem eu apelido de "malta das entregas", porque simplesmente me irrita o seu ar de pura labreguice marialva de cada vez que chegam a um sítio com as chaves no carro numa mão e o telemóvel na outra - querendo sempre dar um ar de "Top Gun's" ou "Ases" do Volante;
5. Conversas sobre carros, manobras e perícia em geral;
6. Desportos automóveis;
7. Instrutores de condução, que pensam ser professores universitários;
8."Anabelas" que se julgam mulheres verdadeiramente emancipadas por serem titulares "bálidas" de carta de condução (é que, enfim, sempre pensam ser mais valorosas e capazes quando remetidas para outro banco que não o traseiro), suprindo sempre os baixos graus de instrução escolar e formação pessoal;
9. Todos aqueles que insistem em usar termos técnicos para coisas simples - para mim, faróis sempre foram faróis, quais "ópticas" quais quê;
10. E acima de tudo a importância que o bom povinho dá ao facto de se possuir um carro, lembrando-me sempre de uma analogia bem apanhada: se em tempos idos, ascendia à condição de nobre quem mantivesse um cavalo e uma armadura, é dado adquirido que, nos dias que correm, qualquer besta vai ao volante e nada tem que ver com aquelas outras, em que se mede a potência do motor.
Em suma, não morro de amores por carros ou por condução e muito menos de quem faz disso um grande tema para conversas, passatempos ou até mesmo para registo de proezas pessoais.
PS: Agora fiquei meio indisposto, ao estilo da Alice do Dilbert.
Também já respondido pelo Cachapa e pelo Ricardo. Lanço o desafio à Bitchy Lady, ao Paulo e ao Augusto.

terça-feira, abril 22, 2008

Insight

Credits: Wallpaper

D. art, de-art = Design Art
De-art may be the best concept expression to describe the way how design de-composes and merges with art, re-presenting it in a whole new trendy, fashionable and fresh look.
Uma ideia escrita também, em traços suaves, a tinta permanente.

sábado, abril 19, 2008

Trocadilhos

Photoshopianice: Mariana
Humor, sem malícia, também à pena suave.

terça-feira, abril 15, 2008

Puro Vintage II


Contra a folha de papel azul, sempre escolhida para coisas sérias, os caracteres iam sendo impressos, ao som ocluso que o batimento das teclas provocava. Ao chegar ao fim da linha, previamente marginada, um sinal sonoro estridente marcava a obrigação de "dar à alavanca" - uma rude tecla "Enter", muito mais grave e que se impunha por si própria -, fazendo o cursor mecânico posicionar-se imediatamente mais abaixo. Um movimento do rolo, dois ou três espaçamentos e lá recomeçava.
"Em regime de compropriedade com seu irmão..." e outros termos que tais, por ali iam ficando, dando a vinte e cinco linhas, a estampilhas e a selos brancos, a sua essência e verdadeiro propósito.
E se nos tempos livres, a esforçada, mas douta e sábia matrona, proprietária daquela Remington - uma verdadeira maravilha da técnica -, pensava em dar-lhe uso para os prazeres de uma escrita mais livre, o certo é que o tempo lhe ia sempre faltando.
No meio de colinas, vales e montes - daqueles que ficam "a-Trás" de outros tantos, os chamados por esse mesmo nome -, antigos feudos e morgadios fraccionavam-se, vendiam-se e compravam-se.
O movimento e o volume de serviço naquele Cartório podiam não ser comparáveis aos de um outro qualquer, no Porto, ou mesmo em Lisboa, mas dava para que, todos os dias, o expediente viesse sempre a encontrar o seu termo a horas incertas.
E assim, na fita de duas cores - preto e vermelho -, maiúsculas e minúsculas letras formavam palavras que se queriam solenes.
No final de contas, frases como "Exercendo a sua posse, há mais de quinze, vinte, vinte e cinco, trinta anos...", davam a definitiva certeza àqueles que sempre tinham amanhado, com tributos de suor e sangue, os torrões de terra do seu sustento, confiando numa divina providência que lhes trouxesse apenas quatro estações, conformes aos dizeres e aos usos de anos desejavelmente sempre iguais, desde um tempo há muito ido, bem antigo.
Ao termo dessas folhas, aprovadas por uma qualquer portaria da Presidência do Conselho, a linha para a rubrica e assinaturas.
Nos rostos dos adquirentes, assim presumidos, porque presuntivos os seus actos, a certeza de que o "uso campeão" um maior sossego lhes traria - o que está escrito, escrito está, sempre se disse -, a certeza, essa, nascia num tímido, mas franco sorriso.
Tudo assinado conforme os termos, tudo conferido e tudo pago, mais um dia tinha passado.
Num gesto prático e mecânico, a Ilustre Notária puxava da tampa de rígido plástico e declarava encerrado mais um exercício daquela sua máquina de escrever.
Sempre prazerosa, sabia ter chegado ao fim de mais um dia com o dever cumprido. Ainda que já com a Lua bem alta.
Photoshopianice da Mariana.

terça-feira, março 25, 2008

Puro Vintage

De lâmina em riste, António tentava não cortar a cara, nessa aborrecida empresa quotidiana de aparar aquilo que já ia sendo a sua barba grisalha.
Todos os dias, com excepção do Domingo - dia de grandes sofrimentos, vividos junto a uma fanhosa telefonia de um "esférico rolando sobre a erva", ora impiedosa, ora triunfal -, aquele era um ritual que envolvia uma certa arte de concentração, destreza, precisão e paciência.
Um marco ritual da sua passagem à idade adulta, António, lembrava-se bem do dia em que seu Pai, o senhor Zeferino, lhe disse para começar a cortar aquela "barba de mancebo", porque lhe daria um ar mais apresentável lá no armazém onde já trabalhava há dois anos como pequeno grumete.
De grumete a fiel, foi subindo na vida e estava agora responsável por todo aquele vetusto edifício de enorme pé direito e com grandes portadas de madeira de castanho.
Entre um pequeno corte e um pequeno fio de sangue, os impropérios sussurados para si próprio, apenas cessavam no gesto seguinte: mergulhava a cara na bacia de porcelana do lavatório, na água tépida previamente regurgitada por duas torneiras prateadas - uma de quente, outra de frio -, limpando os restos de creme de barbear aplicado na face, ao pincel, esperando um qualquer alívio para aquele rubor ardente.
Perfeccionista, pegava naquele balsâmico "Musgo" que se queria para a realeza, para as "Pessoas de Primeira Categorya e Qualidade" (o maior desejo de uma classe média vitoriosa), e cobria a cara de espuma, tirada em mais umas quantas conchas de água.
Em breves gestos levava à cara o verde e áspero turco atoalhado, encontrado no varão fixo ao azulejo branco da parede, olhando-se depois ao espelho com a sensação de dever cumprido e em estado de total prontidão.
Ao sair do quarto de banho, toalhão de banho aos ombros, lá ia todo lampeiro vestir-se.
No lavatório, permanecia essa gasta barra de sabonete com óleo de côco, o mesmo desde os seus tempos de petiz. Um "must" ainda muito antes de nascer tal conceito, mas que dava aos dias úteis um sentido de confiança, de permanência e de certeza de que iria ser sempre assim.
Os clássicos em espuma no seu melhor.

(Um mote para uma suave pena)

domingo, março 23, 2008

No Gira Discos



A banda sonora perfeita - porque acolhedora - para este gélido início de Primavera. Também nos traços suaves de uma certa pena.

(Rita Redshoes - Dream on Girl)

sábado, março 22, 2008

Ainda os malandrecos

Até que enfim alguém com sapiência e genuína prudência para encarar os acontecimentos no Tibete como uma questão de grave ameaça aos Direitos Humanos.
Mas, lá está, realmente sempre também o povo disse que "o pior cego é aquele que não quer ver".

quinta-feira, março 20, 2008

São uns malandros


Lá diz o velho ditado que "em casa de ferreiro, espêto de pau"... Mais uma vez o povo tem razão!
De facto, tem tanta razão o povo quanto maior me parece ser, salvo o devido respeito, a hipocrisia desavergonhada de quem se diz seu mais acérrimo arauto. Quando interpelado sobre os últimos confrontos no Tibete, Jerónimo de Sousa - Secretário-Geral do Partido Comunista Português - aconselhou "prudência" .
Perante tais declarações apenas me ocorre dizer: "Francamente!"
Que as informações acerca dos confrontos são contraditórias, como afirma na notícia citada, podemos aceitar; não podemos é ficar por aí. Certamente, saberá o senhor secretário-geral que assim acontece apenas porque o governo chinês o deseja; a máquina de contra-informação é agora mais perfeita que nunca, tendo refinado a propaganda com alguns toques de inevitabilidade - ninguém se atreve a protestar contra uma super-populosa China em ascensão, assente num absurdo sistema económico dualista (onde, ironicamente, o capitalismo é o verdadeiro elemento essencial).
Contudo, o que é certo e bem o sabe o senhor secretário geral, é que a ocupação do Tibete pelo Estado Chinês é uma ocupação ilegítima e contrária a todos os princípios de Direito Internacional Público que o mesmo diz respeitar.
Pode o senhor secretário geral estar esquecido de que existe um compromisso, tacitamente aceite pelo "Concerto das Nações", de não reconhecer quaisquer aquisições de território que tenham na sua base o uso da força bélica? Esquecido não está, certamente. Apenas não é conveniente tê-lo presente, por ora.
No que toca à justificação que encontra para tanta violência no Estado do Tibete - que a mesma apenas resulta da vontade de uns quantos em sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim - uma vez mais é patente que fica o senhor secretário-geral, providencialmente, a meio caminho.
É que certamente tem consciência que não é a sabotagem gratuita que aqui está em causa. Se grupos tibetanos alegadamente tomaram a também discutível decisão de recorrerem à violência em tal altura crucial - a poucos meses de o Fogo Olímpico poder ser visto da Cidade Proibida - é porque, certamente, vêem, no limite, essa janela de oportunidade como a mais apropriada para se fazerem ouvir; ainda que não, eventualmente, da melhor maneira, repita-se!
De qualquer modo, custa-me a crer que monges budistas constituam uma qualquer força agressora temível e capaz das maiores atrocidades. A acreditar preferencialmente no Dalai Lama, que, ao contrário do que o senhor secretário geral quer fazer crer, não abandona o seu povo, e conhecendo alguns rudimentos da filosofia budista, terão sido certamente mais as manifestações pacíficas do que as violentas. Mas o senhor secretário geral verá, quanto a mim, até nessa filosofia pacífica um perigoso ópio que afasta o povo dos verdadeiros propósitos de um Estado que todos devem venerar.
O que é certo e o senhor secretário geral também o sabe é que a violência existe no Tibete; tal como existe a tortura e o genocídio cultural de todo um povo pacífico. E tudo a favor de um Estado que vai sobrevivendo e preserverando em tais vícios porque assenta a sua actuação em duas faces de Jano.
"Um país, dois sistemas" - eu pergunto: Onde ficam agora a infra e a super-estrutura? No meio das suas contradições insanáveis, naturalmente!

terça-feira, março 18, 2008

Chuvas da Estação



Para tardes de chuva...

(Michael Nyman - The heart asks the pleasure first (The Piano - OST)


Também para suaves glosas.

quarta-feira, março 12, 2008

Emancipação


E lá foi o Dia Internacional da Mulher uma vez mais festejado, no passado Sábado. Rosas, jantares de grupo e saídas com a marca implícita de "Girls Only" - tudo isso a contribuir para a cor local que preencheu o País, um pouco por toda a parte.

Um marco da luta pela emancipação e reconhecimento dos mais básicos direitos democráticos, cívicos e pessoais das mulheres, o sentido esta efeméride sempre passou, a meu ver, pela natural e merecida homenagem a todos os movimentos que levantaram barricadas em tal combate, frequentemente desigual; procurando, por outro lado, dar um alerta para o incumprimento ainda latente de muitas obrigações assumidas e devidas pelos poderes públicos soberanos e eleitos em sufrágio, lá está, universal.

Quer-me, pois, parecer curioso, o rumo que foi dado a tais comemorações, numa pequena vila deste jardim à beira-mar plantado.

De facto, nesta tal simpática vilazinha da Sertã - mais recentemente em destaque devido ao jogo para a Taça de Portugal, que opôs o Sertanense ao FCP - a homenagem pública que a edilidade decidiu levar a cabo teve como protagonistas "quatro mulheres do concelho da Sertã cujo percurso de vida foi marcado pelo sacrifício de criar uma descendência familiar maior que o habitual". Nas palavras do Presidente da Autarquia "esta homenagem afigura-se como uma forma de demonstrar consideração e estima pelo papel desempenhado pelas mulheres na sociedade, em especial à mulher-mãe”.

Ora, primeiro que tudo, entendo por bem deixar claro que o fruto desta minha inusitada curiosidade nada tem que ver com a verdadeira bondade de tais intenções. Na verdade, tenho para mim que tais preocupações foram mesmo valoradas a ponto de se sentir necessidade em premiar os referidos percursos de vida.

Contudo, ao ser-me permitida a crítica, não posso também deixar de entrever aqui um caminho que se abre para um paternalismo que em nada se coaduna com os propósitos de um fenómeno (precisamente, o da emancipação feminina) que sempre se mostrou em contra-corrente com tal estado de coisas, ora posto em destaque por via da referida homenagem. É que, na verdade, a realidade social que deu origem a tais experiências vivenciais sempre correspondeu a quadros familiares em que a mulher se encontrava num estado de pura subjugação, objecto - nunca sujeito - dos mandos e desmandos do chefe de família - o único a quem seriam reconhecidos, de modo pleno, todos os direitos civis.

Entenda-se também - em tempos tão exigentes nos moldes em que a opinião é expressa - que não me refiro em especial ou concreto a nenhuma das homenageadas.

É, pois, apenas um exercício de reflexão este que proponho:

Pelo menos três destas quatro mulheres viveram numa época em que, caso tivessem manifestado vontade de ganhar o seu próprio salário, precisariam sempre da autorização do marido para assinar um simples contrato de trabalho - assim estava previsto no Código Civil, antes da sua Reforma em 1977.

Pelo menos três destas quatro mulheres, caso tivessem sido vítimas das piores formas de coacção moral, psicológica ou mesmo sexual e decidissem sair de casa, poderiam ainda vir a ser sujeitas a uma maior humilhação pública: também o Código de Processo Civil anterior à Revolução de Abril, previa um expediente processual que se dava pelo nome de "Processo para Entrega de Mulher Casada".

Pelo menos a três destas quatro mulheres, pouca ou nenhuma legitimidade processual era reconhecida nos processos de divórcio - algo que sofreu igualmente profundas alterações legislativas, a partir de 1977.

Pelo menos três destas quatro mulheres foram contemporâneas de outras tantas que certamente passaram por tais dificuldades, criadas por um sistema que pouca ou nenhuma dignidade constitucional reconheceu a tais direitos fundamentais "no feminino".

E, por outro lado, que dizer da total ausência de uma verdadeira política de planeamento familiar e educação sexual, nunca assumida por poderes autoritários de tempos idos e tributários de um certo regime confessional conservador?

Enfim, apenas me parece pertinente deixar bem claro que, na minha opinião, o Dia da Mulher tem como propósito homenagear algo mais do que o eventual resultado de um possível, porque naqueles moldes concebível, estado de opressão que é para todos nós hoje tido como impensável, tacanho e retrógado.

Contudo, volto a repetir: a intenção é louvável e não deixa de ser um começo para a correcção de tudo aquilo que ainda faz parte de uma realidade social que não proporciona o mesmo tipo de igualdades ou apenas impõe uma redutora opção, porque não colocada num plano de livres escolhas.

Dizendo de outro modo, a maternidade - também hoje mais do que nunca a merecer um olhar atento do Estado Social, no sentido da criação de condições para o seu livre exercício - não tem de ser a única escolha possível.

É apenas uma escolha entre todas aquelas outras que às mulheres deve ser reconhecida, porque pares de pleno direito desta nossa "res publica".

Se assim não se pensasse, de que serviria a palavra "emancipação"?

À beira da Catedral, na esplanada, um debate de ideias.

quinta-feira, março 06, 2008

Olha, é o House, não é?


E antes de ser Doctor House ou mesmo o Zé Pesca (como, de resto, aqui se mantém), já Hugh Laurie era um bom artista, agradando qualquer um que o visse a trabalhar.

E também se ri aqui.

segunda-feira, março 03, 2008

Urban Style

E porque na esplanada à beira da Catedral também se aspira a um estilo de vida decididamente urbano, sofisticado e viciado no puro bom gosto, a sugestão literária de hoje é dedicada a esta Revista.

Moda, design, arquitectura, conceitos - tudo junto num excelente exercício de fusão bem conseguido.


O grafismo (acompanhado por uma objectiva fotográfica certeira) procura dar o destaque que as notícias merecem. Ao contrário de outras tantas publicações - lusas, claro está - a Wallpaper não se detém na sede de protagonismo de quem nela escreve, procurando, isso sim, dar a conhecer o que de melhor se faz na Europa e no Mundo.

As ideias são o que realmente conta, fazendo acreditar que é mesmo possível voltar a outros tempos onde o espírito criativo tinha o poder de mudar mentalidades, convenções e até políticas.


De facto, conseguíssemos nós trazer de volta o Renascimento e na capa desta revista teríamos o loft de Leonardo Da Vinci, o estúdio de Miguel Ângelo e as capas dos discos que eventualmente Rafael ouviria enquanto pintasse.


A Wallpaper é assim - um canhenho de ideias que adquirem forma, volume, tempo e profundidade.


Um "must" nas mesas desta esplanada e também desenhado à Pena Suave.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Filho da Pauta

Ao sabor de uma Perrier (what else?...), o som que se vai ouvindo na Esplanada é o deste senhor. Vincent Delerm... Voz agradável, letras engraçadas - embora buscando um dado cliché de "vivre amoureux", é certo - e melodias descontraídas. Uma breve sugestão para o gira-discos.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

A Feira da Arte

Tendo o Brasil como país convidado deste ano, a ARCO 2008 abriu ontem portas. À parte um ou outro contratempo, o certo é que Espanha deixa, uma vez mais a sua marca, na cultura ibero-americana e europeia. Mais pormenores aqui.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Stand Up

Uma boa sugestão para qualquer um que queira rir-se e aprender francês! Um dos melhores comediantes do Reino Unido, descoberto graças a este senhor.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Haiku Carnavalesco

Góticos... Em noites de Carnaval,
De entre os mascarados, quem os distingue?
Bar "Noites Longas", em Coimbra. Segunda-feira de Carnaval.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Há cem anos


Sua Majestade, D. Carlos I, El-Rei de Portugal e dos Algarves
(Lisboa, 28 de Setembro de 1863 - Lisboa Praça do Comércio, 1 de Fevereiro de 1908)

"His life was gentle; and the elements
So mixed in him, that Nature might stand up,
And say to all the world, THIS WAS A MAN!" - William Shakespeare, Julius Caesar.

Tal como há cem anos, hoje e sempre, digamos:

Viva o Rei! Viva Portugal!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

"Cartographya"


Rementendo-me em parte a tudo quanto disse em post mais antigo, trago por ora até à mesa da esplanada um contributo para o mapa de locais onde se pode fumar.


A imagem é do Café Tropical, em Coimbra. Um dos tais sítios onde o "manto cerúleo de fumo" (é uma expressão com alguma piada) apenas era permitido na esplanada. Há poucos dias fui lá e a surpresa que tive foi agradável: um dístico azul, permitindo a descontracção e a liberdade de outros tempos, não idos há muito, no seu interior.


Por outro lado, o sistema de exaustão implementado parece funcionar bem, não tendo havido grandes queixas até agora, segundo o que pude apurar junto de convivas mais assíduos.


O melhor de tudo, a certeza de que certas imagens de marca se mantêm... A Liberdade a melhor delas todas!

terça-feira, janeiro 29, 2008

No início eram os "Warsaw"

As boas estórias são sempre contadas a preto e branco. "Control" de Anton Corbjin é, certamente, uma delas.

A vida de Ian Curtis foi breve e certamente não por obediência ao antigo brocardo que diz que morrem jovens aqueles que os deuses amam. De facto, tenho para mim que o vocalista e a verdadeira âncora dos Joy Division não queria nada com os deuses.

O seu duelo era outro... era com a vida que sempre conheceu, não suportando a cidade em que vivia, rejeitando a rotina institucionalizada pela escola, os modelos pré-estabelecidos - de que cedo se separou -, enfim, tudo o que lhe era dado por um ambiente claustrofóbico de horizontes curtos e sem espaço para outros sonhos, esses, produtos da combinação de tal cinzentismo com uma débil imagem de esperança.

A Ian Curtis juntou-se toda uma geração que procurava a fórmula perfeita de exteriorizar esse desespero provocado por uma sociedade convencional que, na altura (finais dos anos setenta), conhecia um dos seus mais cruciais momentos de agonia. Lá está, o que veio depois foi a sua lenta falência, ainda hoje em marcha e com resultados pouco promissores.

E será precisamente mercê deste circunstancialismo baseado na analogia histórica, que o filme "Control" vem assumir relevância e pertinência, espalhando o romantismo e a nostalgia suficientes para eventualmente (r)estabelecer a esperança na certeza de que haverá sempre uma maneira de quebrar, de romper com o que está de errado, ainda que não se proponha a quem governa qualquer mudança para todo um Estado, Povo ou Classe. A falta de crença na bondade de quem se elege é um borrão de tinta difícil de apagar.

Na verdade, a onda de revivalismo que por estes tempos se vive, explica bem o desejo de ir procurar no passado as soluções certas para ultrapassar mais uma crise social e cultural. O punk, por exemplo, voltou a estar na moda, se bem que mais artificial. Um artificialismo querido por quem é mais sensato, mas também mais fútil. Certamente que a geração dos morangos (entenda-se essa tribo dada pelo nome de "betos") não sabe o que é casar-se aos dezasseis, não sabe o que é começar a trabalhar sem ter curso superior ou parte dele, não sabe verdadeiramente o que é não ter dinheiro.
Mas de qualquer forma, sempre entendi que os momentos de ruptura, apesar de gerarem muita bagunça e desorganização, são inspiradores, únicos e que merecem ser vividos. E ainda que com alguma dose de higiene ou assepticismo materialista, possamos deles tirar o melhor, em termos criativos.
Em cenários industriais, de tijolos escuros e paisagens de um verde que não se vê, o percurso interior de um indivíduo perturbado, epiléctico, mas acutilante - que escrevia poemas em folhas de papel com linhas e marcador preto, em vez de um asséptico teclado de portátil com wireless - reflecte uma certa coragem ingénua de todos aqueles que encontraram, precisamente, as tais soluções que se procuram agora recuperar para sobreviver na incerteza.
As letras e os poemas continuam actuais e profundos. O som ocluso dos concertos e da banda sonora (a recuperar o melhor da voz e dos arranjos musicais em temas como "Radio" ou "Love will Tear us Apart"), como que saído de alguma sala exígua, intima qualquer um e obriga a olhar para dentro.
A vanguarda queria-se assim, sombria, metida consigo e entregue aos excessos, denunciando, claramente, uma única regra: a ausência de quaisquer outras. Em tempos de ruptura, o espaço é caótico, a geometria desordenada. A tal coragem ingénua repercutir-se-ia, certamente, na tomada de consciência da realidade circundante de que se não pode fugir. Qualquer caminho a tomar seria, forçosamente, um trilho sem retorno. Com tudo o que isso trouxesse. Embora não optando pela gratuitidade de qualquer escolha tida por menos boa ou mesmo má, há um certo fascínio que se partilha: eles não se importaram - escreveram e criaram algo, assente em tais parcos pressupostos.
E se para Ian Curtis e outros, tal devia-se à sua angústia, não tendo outra escolha, para os fãs nada mais resta se não tirar o melhor de todo esse conflito: um bom som e bons poemas com significado e estilo próprio.
Tal como a certa altura é dito pelo guitarrista: "Vocês são o público, nós os Joy Division" - a fronteira está traçada. E as tropas querem animação.

No início chamavam-se Warsaw. No fim de tudo, Ian Curtis morreu novo. Foi pena.

Sam Riley está nomeado para o Bafta de melhor actor em ascenção (Orange Rising Star Award).
Também com PenaSuave e devendo a boa sugestão ao Paulo.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

I'm with the Band

Da Bibliotecária veio este desafio interessante: consiste em editarmos um álbum imaginário de uma banda igualmente imaginária - da qual faremos parte -, seguindo alguns passos.

1. Comecemos por ir à Wikipedia. Aí chegados, cliquemos na opção Random Article (no painel esquerdo). O título do primeiro artigo que aparecer será o nome da nossa banda.

2. Seguidamente, iremos às Random quotes. Clicamos na opção "random quotes": as últimas quatro palavras da última citação que aparecer na página servirão como título do nosso álbum.

3. Ir ao Flickr - a terceira fotografia - não importa o que seja - será a capa do nosso álbum.

4. Por fim, devemos utilizar um gestor de composição gráfica de modo a reunir todos os elementos - recomendo o Motivator.

5. Os créditos para a minha montagem: Koyo Seiko, uma foto de andzer no Flickr e a citação "What other dungeon is so dark as one's own heart! What jailer so inexorable as one's self!", de Nathaniel Hawthorne (1804-1864).

Nos tops, a partir de hoje, os Koyo Seiko com o seu álbum de estreia "inexorable as one's self!". Aclamados pela crítica!


Um desafio nacionalizado que lanço à Mariana, ao Ricardo e ao Cachapa.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Antes do GPS...

Johannes Vermeer, "O Geógrafo", Delft, 1668-69


Também em traços de Pena Suave.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Direito de Resposta

É numa certa linha de serenidade argumentativa, a encapotar um qualquer programismo higienista, que este artigo, a meu ver, se insere. Tudo porque, por um lado, nenhum fumador, pelo menos pelo que tenho lido e conversado, pensa como este senhor antropólogo diz pensar - nenhum fumador entende ser esta lei algo de verdadeiramente violador dos seus direitos fundamentais, era só o que mais faltava.
O que os fumadores entendem, e apenas por mim posso falar, é que se verificam dois defeitos nesta lei. Dois simples mas preocupantes defeitos:
1. Tal como o senhor antropólogo soube reconhecer, para lá das adjectivações que achou por bem empregar (é sempre bom contar com o diáfano manto das metáforas, para não dizer o que realmente se quer), existem lacunas na lei, relativamente aos aspectos concretos em que se pode praticar o regime de excepção conferido.
De facto, consagra-se a possibilidade de escolha do proprietário de um estabelecimento com uma área inferior a cem metros quadrados, entre ser aquele espaço para fumo ou livre do mesmo. Tudo o que tem de possuir é o tal equipamento de extracção autónoma de fumo.
Contudo, é aqui que se nota uma certa má-fé de quem legisla: um ano, se não mais! Um ano, senão mais tempo, tiveram os autores da presente lei para que com a mesma tivesse sido aprovada a respectiva regulamentação, incluindo a homologação de um equipamento, fosse ele qual fosse. É que, na verdade, e sei porque falo com alguns proprietários de estabelecimentos, o que tem vindo a imperar é uma incómoda dúvida por parte daqueles - ninguém sabe ao certo qual exaustor devem comprar, uma vez que as entidades competentes pela fiscalização (nem a elas lhes compete, certamente), nenhuma informação possuem. Devido a quê? Lá está, à lacuna.
Foi, assim, com este plano engenhoso que a inteligência higiniesta conseguiu o falso sucesso desta lei: muitos estabelecimentos optaram pela opção FUMO ZERO, porque tacitamente coagidos, não querendo arriscar, de modo nenhum o pagamento de pesadas coimas. Acredite o senhor antropólogo, quando fala do Café Tropical, que a sua frequência de fumadores rondará os noventa por cento! Certamente que o proprietário começa a sentir os efeitos. Não há sinais de fumo, nem de consumo!
E sabe também o senhor antropólogo que o café de excelência da vida universitária dos seus colegas, mesmo ao lado do Café Tropical, tinha esse mesmo tipo de clientela. Dois cafés tipicamente universitários, que, não querendo discutir qualquer mérito desta iniciativa legislativa (nunca foi o caso), provavelmente teriam querido que o senhor tossisse à vontade ou usasse a esplanada, mas que também não abdicariam da sua clientela habitual - que é fumadora sim! E fumar não é doença! Ninguém rouba, mata, viola ou extorque para fumar! PAGA IMPOSTOS, ISSO SIM!
E isso também não se contesta.
Em resumo, os fumadores apenas exigem uma regulamentação clara - uma regulamentação que a lei prevê e que, lá está, protege os seus direitos!
2.
Um segundo ponto que se revela preocupante é que agora se dá a todos o direito, que antes nem se pensava poder ter, de se intrometerem na vida de quem fuma. E não se fala em denunciar infracções. É correcto que se o faça. Embora também não acredite, para infelicidade dos não fumadores, que haverá assim tantas prevaricações. Como disse, não somos criminosos. Do que falo é do semblante com que agora somos vistos nesse ar livre, onde certamente o carro do senhor antropólogo liberta a flatulência mecânica: somos vistos como criminosos.
Isso mesmo me confessou uma empregada da pastelaria que costumo frequentar acerca de uma cliente, UMA SEMANA ANTES DO NOVO ANO! "Olhavam para ela como um criminosa!"
É disto que falo, do gosto que este povo tem, habituado assim, infelizmente durante mais de 40 anos, em ser delator, cioso do seu indicador de unha ruída, alimentando-se voyeuristicamente da suposta desgraça dos outros. Enfim, pode ter a certeza o senhor antropólogo que ninguém fumará ao pé dele... Quer dizer, se conseguir alguma bolsa de estudo para estudar os Índios da Amazónia talvez apanhe com uns fumos (já Cristóvão Colombo e os nossos Descobridores falavam de tal hábito relativamente aos ameríndios) - olhe, talvez assim consiga ter uma visão diferente.
De resto, concordo com a lei e ainda mais com a sua urgente regulamentação!

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Bons Aromas - uma review pessoal

Cigarrilhas Captain Black com sabor a cereja.

Feitas de Black Cavendish da mesma marca, estas cigarrilhas vêm com filtro aromatizado de cereja que permitem travos mais leves e adocicados.

Não recomendáveis para quem goste de aromas mais amargos.

Para mim, uma cigarrilha que se fuma facilmente, própria para quem queira começar a explorar algo mais do que simples cigarros, passando bons momentos de um momento, certamente, egoísta.

E dizem na Vícios Urbanos, de modo, a meu ver, tão iluminado quanto provinciano, que já não existem!

Que as deixaram de importar, por falta de procura - que muitas vezes se fica nos snobs clichés por ignorância -, isso, talvez...

Vale a pena experimentar.

Everyday Stuff

Em resposta ao desafio lançado pelo Cachapa, trago para a mesa da esplanada, entre uns bafos aromatizados de baunilha do meu "small cigar", uma brevíssima review acerca, não de um, mas de dois objectos do meu quotidiano: o meu moleskine e a minha caderneta de papel.

O toque vintage de ambos os items é algo que não dispenso no meu dia-a-dia, tal como não dispenso ouvir "telefonia" em vez de "rádio".

O moleskine revela a sua extrema utilidade sempre que quero captar momentos, ideias ou meros esboços gráficos, que, no meu caso, apenas eu e quem mais me conhece entende - meros exercícios e incursões no campo do desenho, dados à estampa apenas por pura auto-recreação... No que toca à escrita, ela varia, desde a mais simples nota sobre um compromisso, até algo mais profundo como uma pequena diletância literária. Prefiro canetas de aparo a esferográficas e lapiseiras de minas grossas às mais finas. Vem em capas duras e tem um "side pocket", que tal como consta do panfleto explicativo que acompanha cada exemplar é uma invenção registada da própria marca.
Já a caderneta serve para aquilo que os cartões de multibanco servem (eu não tenho cartão)... Não tem grandes vantagens - só há bem pouco tempo me dei conta de que já se pode carregar o telemóvel num terminal de Caixa Automática, coisa que estava reservada aos terminais SIBS e que me atirava assim para o terceiro mundismo que entendo serem as payshops (talvez apenas porque aquelas que conheço são quiosques de um mau gosto terrível).
Por outro lado, se por vezes é o multibanco que se encontra com uma fila de espera considerável, dando-me por feliz por ter optado por comportamento diverso, já noutras alturas me aconselho repetidamente a pedir um desses cartões de débito;
É que perco a paciência quando vejo certas pessoas, com aquele ar, lá está, de falsa santidade e virtude inusitada, a não arredarem pé dos terminais, conferindo e voltando a conferir extensos extractos de conta (por vezes olham para trás, com um riso escarninho ou um esgar de desprezo por quem está à espera, inserindo logo de seguida outra dessas cadernetas - "falta só actualizar as da conta poupança, do plano de reforma ou da caixa-habitação".
Contudo, a caderneta também vem em capas rígidas, ainda que maleáveis, e permite reunir todas as informações que pretendo, sem ter que acumular na carteira infindos e desagregados talões, cedidos por cada operação realizada, caso assim se deseje (esta, uma funcionalidade apenas introduzida há uns anos).
Dois items do meu dia-a-dia que mais não são do que isso mesmo - Everyday Stuff!


O meme foi também encaminhado para a Mariana e para o Ricardo.


terça-feira, janeiro 08, 2008

Os Clássicos também fumam


De Francisco José Viegas n' A Origem das Espécies

domingo, janeiro 06, 2008

E piu se muove!

Porque à evidência o continua a ser...

Ao toque continua quente e reconfortante...

Ao cheiro, aromatizado...

Ao sabor, o que cada um, LIVRE nos seus sentidos, puder apurar!

Também à Pena Suave.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

A tertúlia





"Nos cafés dou de beber à poesia..."
Couto Viana


Onde ficará agora o tempo em que, no fumo de um cigarro, o ligeiro discorrer e a cúmplice partilha fraterna de motes e glosas, de ideias e impressões marcavam as notas indeléveis de uma boa tertúlia?

Ficámos certamente mais higiénicos e a respirar um ar dito mais "puro", mas perdemos definitivamente o toque e o engenho de uma liberdade que marcou uma geração de pensamento livre, cuja imagem de marca residia, precisamente, nesse gesto de acender um "Definitivo" ou um "SG Ventil".

Abram agora alas para galões e bolos fat-free, porque já nem a cerveja será de bom tom pedir! Abram agora alas para gente saudável que apenas bebe suminhos de fruta, com um semblante de falsa santidade e insólita virtude.

A poesia, essa, procurará outros lugares onde beber, onde correr.



Post publicado também em Pena Suave

terça-feira, janeiro 01, 2008

O bar




O melhor Bar da Figueira da Foz, onde as caipiroskas e o Dry Martini têm um significado especial.

O lugar onde receber o novo Ano se torna um ritual de bom gosto, repleto de intensa cumplicidade.

Perfumaria Bar, na Figueira da Foz - para quem gosta de Pub's e sabe apreciar bons momentos.

sábado, dezembro 22, 2007

Lista de Presentes

A esplanada junto à Catedral encheu-se de iluminações festivas, enfeites dourados e vermelhos, e pôs toalhas de pano em tons de verde escuro sobre as mesas.
Neste contexto e respondendo ao mote lançado pela Mariana, entrego-me de bom grado a esse pequeno prazer de muito bom gosto que é elaborar uma pequena lista de prendas mais ou menos impossíveis de receber.
Temos assim o seguinte Top10:

1. Um casino nas Caraíbas, com um contrato de exploração a sessenta anos;

2. Um CRN Navetta 43, iate;

3. Um T3 em Montecarlo, em condomínio fechado, com piscina;

4. Uma réplica em tamanho real de um Viper da primeira série da BattleStar Galactica;

5. Um jantar para a Mariana com a Kate Mulgrew, no Don Cesar em Cap d'Antibes;

6. Uma noite para duas pessoas no Palácio de Versalhes;

7. Uma visita à Estação Espacial Internacional;

8. Um caderno de esboços de Raphael;

9. Um dos livros de apontamentos de Leonardo Da Vinci;

10. Um Jaeger-LeCoultre Reverso.

E assim se vai passando o Natal na esplanada.

Mas, cumpre-me dizer que, na verdade, a melhor prenda que podia receber, nesta mesma linha de excentricidades, seria, precisamente, poder oferecer um Austin-Martin DBS a quem eu muito bem sei.

Outra lista do género em: Ricardo

sábado, dezembro 01, 2007

Ser Portugal... outra vez!!!



"Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!"
Fernando Pessoa


E na madrugada do amanhecer que se aproxima vou tomando como certo e seguro que ele será, um dia, o mesmo de há 367 anos atrás.

Que em todos nós haja um Bandarra.

Que, a bem deste Reino, a verdadeira Restauração não tarde!

Pois falta, mais do que nunca, cumprir Portugal!

Viva El-Rei! Viva Portugal!

segunda-feira, novembro 26, 2007

Olhó Foguetão!


E se nesta esplanada à beira da Catedral a nostalgia assume um mote para várias reflexões - sendo a palavra "revivalismo" uma das mais frequentemente escritas -, é altura para, em jeito de levíssima crítica musical, deixar aqui nota da melhor "cover" que alguma vez ouvi de uma música que nos "eites" fez o seu sucesso - apoiada por uma legião de fãs, que viam, na extravagância do artista, um sinal de modernismo e excentricidade snob, um ícone da melhor "pop art".
"Dreams in Colour" de David Fonseca é o disco, e o clássico "Rocket Man" de Sir Elton John, uma das suas faixas.
Com arranjos excelentes e a transpirar uma atitude muito mais descontraída do que o original, este é um tema que apetece ouvir várias vezes seguidas.
Aqui fica a sugestão.

terça-feira, novembro 20, 2007

Star Trek Enterprise - Um post, uma review geek



Respondendo ao desafio da Mariana, cumpre, pois, neste momento fazer a minha própria review acerca de mais esta série baseada e inspirada na visão de Gene Rodenberry - para mim, o Autor de ficção científica mais completo de todos (e atenção, eu cresci a ver a Galactica!).
Ao pegar no enredo que ficou em aberto no final de "Star Trek - First Contact", esta série procura relatar como foram aqueles primeiros tempos de verdadeira exploração espacial - as únicas fronteiras (para além do espaço - a última fronteira), a barreira da velocidade Warp 5 e um certo atraso científico com implicações na táctica de combate e na eventual força de persuasão, a que estamos habituados, mercê da mais finíssima tradição da Star Fleet.
De facto, e entrando na substância do desafio, uma das coisas que me faz mais "espécie" nesta série é o facto deste modelo de nave não ter escudos deflectores. Ao invés de tais escudos, o que parece haver - e já é bem bom - é o mecanismo de polarização da armadura do casco.
Por outro lado, não consigo entender como é que a tecnologia das armas de "phaser" está ainda tão pouco desenvolvida ao ponto de apenas existirem apenas dois canhões subdimensionados relativamente ao tamanho do disco da nave, para fazer face a situações de combate em que o nível de proximidade e as exigências de reacção podem ser elevados.
Na verdade, tenho para mim que tal opção conceptual não beneficiou em nada uma certa visão acerca do avanço científico a que supostamente se teria chegado no final do séc.XXII, em muito devido à cooperação dos Vulcanos.
Mas, olhando para aspectos mais mundanos da série, há coisas a que achei piada:
1. A tripulação está sempre a comer!
Quem vir os episódios da primeira época todos seguidos, não poderá deixar de constatar que há sempre várias cenas passadas na messe dos oficiais e na sala de jantar privada do comandante, relatando lautas refeições que não são nem confeccionadas por algum bonacheirão Neelix (Star Trek Voyager), nem fornecidas pelos replicadores (este outro pormenor a que também me custa habituar - a inexistência daquelas maravilhosas consolas, às quais basta apenas pedir o que se quer beber ou comer).
2. Gosto dos quadros que estão na sala de prontidão do Comandante Archer.
3. A nave tem qualquer coisa de "vintage" em tudo quanto é estrutura, equipamento, sem prejuízo dos reparos mais técnicos que acima fiz.
4. A Primeira Directiva é ainda algo em fase de idealização, o que torna muito mais densas todas as considerações morais e políticas, que, de certo modo, se encontram presentes em todos os enredos de Star Trek.
5. O relato dos primeiros contactos com civilizações como os Klingons e os Ferengi e outras tantas - umas que virão a fazer parte da Federação, outras que lhe oferecerão sempre luta.
No que toca ao genérico, a banda sonora é demasiado neo-romântica para o meu gosto, preferindo muito mais o tema sinfónico presente no "Star Trek Voyager" ou mesmo em "Deep Space Nine".
Contudo, a partir do momento em que escolhem o Scott Bakula para o papel de Jonathan Archer, tal escolha musical torna-se, de certo modo, compreensível... A impulsividade inusitada bem como um certo dramatismo teatral e ingénuo não se compaginam de modo nenhum com as minhas preferências.
Na verdade, para quem cresceu a ver personagens firmes e decididas como Jean-Luc Picard, William Riker e Kathryn Janeway, apenas pode ficar com uma impressão: o comandante Jonathan Archer fica muito aquém de qualquer um deles!
De qualquer modo e para finalizar, penso que o "Star Trek Enterprise" é uma série que, na onda de revivalismo que por aí anda na moda, apresenta uma proposta coerente no preenchimento de tudo quanto ficou por contar após o legado de Zeffrin Cochrane.
Entre a realidade e a utopia, este é um "post" verdadeiramente geek. Só para conhecedores!

terça-feira, novembro 13, 2007

Desculpe, tem um euro... ou cinquenta cêntimos?

O que hoje trago à conversa é mais um item da minha lista de pequenos ódios urbanos que de há uns anos para cá venho alimentando: detesto que me peçam trocos!!!
E se repararmos é algo que acontece constantemente, seja em quiosques, tabacarias, supermercados, barbeiros, frutarias, mercados de peixe e verduras, padarias e outros estabelecimentos comerciais do género.
Na verdade, tenho para mim como certo que o facilitismo inerente a esta alta ciência matemática merceeira é um verdadeiro instituto Luso. De facto, a memória que guardo das minhas ainda parcas deambulações pelo Velho Continente e pelo Mundo dá-me conta de que nunca fui confrontado com tais solitações.

Seja para comprar um jornal, bilhetes de autocarro, pão, coisas de supermercado, seja para pagar um café ou uma água, o resultado vai sendo recorrente: estendo uma nota de cinco, dez euros, para uma conta que envolverá sempre um cálculo mais complexo e tenho o funcionário que me atende a perguntar à socapa, mas com um ar muito consternado, se "por acaso não (tenho) um euro ou mesmo cinquenta cêntimos... ou cinco!".
Resultado: sou obrigado a abrir de novo a carteira para satisfazer tal desejo de facilitar os trocos. Tudo porque sempre "dão muito jeito"! De indivíduo com dinheiro - que apresentei para pagar o que devo -, passo de novo a uma situação de devedor de que eventualmente poderá não haver saída. Sim, porque se houver coragem o sujeito(a) que estiver a atender insistirá na sua carestia de moedas.

E quando se chega a uma solução de consenso, os resultados ainda são mais caricatos: já me aconteceu por diversas vezes, ver o dinheiro que tenho a haver substituído por pastilhas elásticas que nunca pedi, que nunca quis mastigar, nem deitar fora, nem nada, mas que perfazem, de algum modo, a quantia em dívida!

Até poderia aceitar a falta de trocos como um problema crónico do nosso comércio, mas logo que a caixa registadora é aberta, a mais das vezes, tal mito - também usado como argumento - desfaz-se por completo.
Nunca eu tive tantos trocos no meu mealheiro como têm aquelas caixas, ali fartas que nem porcos de loiça com ranhura!
Enfim, a lógica medieval ainda vai valendo nestes nossos burgos. A bolsa só é "gorda" se estiver carregada de dobrões!!!

De uma coisa, no entanto, pode haver certezas: nunca nesta esplanada se ouvirá: "Desculpe, por acaso não tem um euro... ou cinquenta cêntimos?"



Nota: Este post serve também como um desafio lançado a Ricardo José.



domingo, outubro 28, 2007

N' A Latada à Bolonhesa



E na passada Sexta-feira foi assim! Dois excelentes concertos - David Fonseca e The Gift - deram o mote para uma noite fantástica de boa música, bom gosto e momentos plenos de sentido!

Mais um ano, mais uma Latada; para Caloiros, Doutores e Antigos Estudantes - sim, porque quer se queira quer não a Festa, continua a ser da Academia!

De facto, a noite teve isso tudo, mas pecou por defeito num aspecto, talvez apenas estético, talvez apenas mais querido de quem já não trilha esse Caminho e dele sente nostalgia.

Contudo, não podia deixar de trazer aqui à conversa a constatação que fiz, enquanto assistia aos concertos.

Ao ser uma festa de Estudantes da Academia de Coimbra e estar precisamente habituado a uma certa cor local que sempre marcou a diferença, foi com alguma tristeza que me dei conta de que se contavam pelos dedos aqueles que vestiam Capa e Batina.

E a chamada para o "encore" das bandas? Parece, afinal, que já lá vai o tempo em que, a plenos pulmões, da multidão ecoava um clamor colectivo.
As bandas, ao ouvirem "Briosa" sabiam o que lhes aguardava - mais uma subida ao palco e mais um bom bocado de música.

Desta vez, acredite-se ou não, não ouvi "Briosa" uma única vez. E quando nos atrevemos a fazê-lo, olharam para nós como se fôssemos uma espécie de estrangeiros ou coisa do género.

Bolonha veio para ficar. Bolonha parece marcar uma nova era, onde novos graus de praxe se misturam com um cenário mais adequado aos "Morangos Com Açúcar" e a uma futilidade irresponsável de a quem pouco ou nada foi exigido, reinando a ignorância acerca de uma coisa, agora "antiquada", chamada Tradição.

Enfim, valeu a música nesta Latada à Bolonhesa!

quarta-feira, outubro 24, 2007

Um Ano, um dia na Esplanada

O tempo passa... Ainda que mais devagar nesta Esplanada, onde a intenção, essa, permanece.

O lugar onde o que interessa são as ideias e as conversas;

O lugar que não procura qualquer cânone regulador;

O lugar onde se fala de tudo e onde a arte de criar encontra o seu solo sagrado;

Esse lugar é aqui, junto a uma Catedral - mas que nada quer ter que ver com ela (apenas se procura respirar a sua história);

Esse Lugar fez, por estes dias, um ano. E um ano corresponde aqui a um dia.

Venha o segundo dia! Não há qualquer encerramento para descanso do pessoal.

Um café e uma Perrier, por favor!