terça-feira, julho 07, 2009

Comentários 2.0

A propósito desta notícia deixei o seguinte comentário:

"A Cultura da Excelência:
É curioso como as estruturas de produção do discurso político encontram sempre miríades argumentativas apenas talhadas para rotularem como despropositada a opinião contrária àquela que se quer instituir como válida. E isto apesar de tudo quanto já se sabe acerca do assunto em questão. Ora vejamos: a propósito da média positiva nos exames de matemática, ouvi na SIC este Senhor Secretário de Estado dizer que a mesma cala muitos velhos do Restelo que prenunciavam o descalabro. Encontraram algo de positivo num outro tanto que assusta. De facto, ao invés de se poder pensar que o noticiado aumento para o dobro das notas negativas apenas se deve à ideia de facilitismo que foi sendo inculcada nos alunos, não será mais natural pensar que este é somente o resultado de um verdadeiro laisser-faire progressivo que se foi instalando? Na minha modesta opinião, os exames, o ensino, ao contrário de outros tempos bem recentes - fui aluno de Secundário entre 94-97 - não é mais uma cultura de Excelência, mas sim uma cultura de resultados, a obter a qualquer custo. Será, pois, assim tão descabido pensar que tudo redunda num verdadeiro esquema Ponzi, agora tão na moda? Vejamos, a partir do momento em que são dados exames ditos acessíveis mas que comportam em si um grau de dificuldade desconforme à exigência que se espera, não haverá resultado mais natural do que aquele em que, no fim de tudo, o que era querido como fácil, para criar a ilusão de sucesso escolar, se torne mesmo muito complicado."

segunda-feira, julho 06, 2009

Gira-Discos

domingo, junho 21, 2009

Vintage Summer



Um calor de fazer sede...

quinta-feira, junho 11, 2009

A classe turística

Os últimos tempos têm sido de intensa actividade democrática para todos aqueles que, por maior ou menor consciência ou até mesmo impossibilidade prática, trocaram o calor tórrido do sul pela cruz no euroboletim, pelas maravilhas do mundo português ,vistas apenas pela televisão, ou até mesmo pela perspectiva dessa grande Nação encarnada - o Glorioso, obviamente - se encontrar num cenário de "sede vacante", com eleições antecipadas à vista.
Mas, ao que parece, todo este alvoroço de soberania popular calha mal com o espírito da época. O tablóide mais lido no País, falava, na semana passada, acerca do desperdício, na ordem dos milhares de euros, com os boletins de voto que foram impressos para as Europeias e que agora apenas dão um certo retrato do tsunami abstencionista que acabou por, uma vez mais, se verificar.
A democracia parece estar em excesso, superavitária - provavelmente a única "comodity" nessa posição, nos tempos que correm - e não calha nada bem para quem andou a poupar em talões de combustível e mais alguns trocos, no desejo furioso de enfiar os abomináveis chinelos de plástico e rumar ao Algarve, celebrando a boçalidade natural dos dias em que apenas os pequenos triunfos contam, não dando espaço para sequer pensar na etimologia da palavra que nos confere o estatuto de estado de direito, livre e assente no governo dos seus cidadãos. Nada disso pode ser condenado, é certo.
Contudo, tal letargo, tal simplicidade e sentimento de impotência laxista podem ser perigosos. É que, por estes dias, apareceram uns certos sujeitos que até há bem pouco tempo ninguém sabia quem eram e que, por sinal, não se dão muito a conhecer, mesmo agora.
Dizem que investiram umas poupanças, nos tempos em que o Estado era um "papão", e que, agora, o mesmo tem a obrigação moral, legal, de os salvar da miséria, mesmo que à custa dos impostos que todos, mas todos e não apenas eles próprios, pagam.
Não discuto aqui a indignação de quem se vê enganado e, por aí, "descamisado" porque sem o dinheiro que é seu. O que discuto, com toda a legitimidade, é o modo onfaloscópico e insensível com que manifestam essa indignação.
Num tempo em que a taxa de desemprego em Portugal consegue ser mais elevada do que a média Europeia, como é que alguém pode ficar impávido e sereno, estendido numa toalha de praia, a comer uma sandes de mortadela e a jogar sudoku, quando ouve no transístor apelos aos portugueses "para que deixem de ser invejosos"? Estarão mesmo aqueles sujeitos a falar a sério ou isto é só uma piada de mau gosto?
Já todos sabemos que em tempos de crise as posições extremam-se e os fossos aprofundam-se, mas vir dizer que, por uma questão de suposta maior fortuna, o tratamento a dar terá de ser preferencial e à custa de todos, sem queixas supostamente mesquinhas, parece-me a mim um pouco demais.
E assim sendo, arrogo-me aqui, à mesa da esplanada, de toda a legitimidade para me insurgir quando esses sujeitos, a quem carinhosamente chamo de "riquinhos", dizem que estão a ser tratados como "portugueses de segunda" quando, em situações análogas, as soluções encontradas foram outras.
"Portugueses de segunda" são aqueles que não era suposto ainda sê-lo, mercê dos despedimentos colectivos, da crónica miséria e dos baixos níveis de instrução - isso sim, são os que viajam em classe turística - quando não ficam apeados - e aos quais o Estado e os poderes públicos devem uma verdadeira explicação.
E, por uma questão de coerência, não nos esqueçamos ainda que o que é privado assim deve continuar - o "welfare state" nunca esteve cotado em bolsa, nem foi concebido para assegurar algo tão fútil e monstruoso como esse egoístico "retorno absoluto", ou lá o que é.
O "welfare state", por que agora clamam aqueles que quiseram e conseguiram, num jeito snob, provocar a sua falência, nunca serviu para o sucesso de apenas alguns, mas todos no geral, numa óptica de justa redistribuição e não de pacto leonino.
Por isso, tudo ponderado, não podemos aceitar conceitos como o excesso de democracia, a infantil validade pueril do voto em branco ou a simples abstenção ressabiada.
Todos temos direito a classe executiva, mas é preciso lutar por ela e dizer a estes sujeitos que as verdadeiras lutas democráticas têm que ver com algo mais do que fazer turismo.

segunda-feira, maio 25, 2009

Filhos da pauta 2.0



Sparks - Good Morning

Absolutamente genial.

quinta-feira, maio 21, 2009

Gira-Discos



Venerandos do Desembargo que me desculpem, mas foi com esta banda sonora que enderecei as competentes alegações.

Simplesmente excelente!

quinta-feira, abril 16, 2009

Reforma 2.0


Um sinal de progresso? Será que a reforma na Justiça está a ser feita em conformidade com a nova «ortographya»?

terça-feira, abril 14, 2009

segunda-feira, abril 13, 2009

O Duelo




Simplesmente genial!

sábado, abril 11, 2009

Twitt

Kasparov's favourite word: "Check".

O esférico rolando sobre a erva 2.0

E é assim. De facto, parece que de Espanha nem bom vento, nem bom casamento, nem bom treinador. Mas será que a culpa se pode resumir ao cliché habitual?

segunda-feira, março 30, 2009

Comemorações

Vale a pena ler esta notícia da imprensa regional.

segunda-feira, março 16, 2009

Ainda o Clubinho

Em parte concordo com o que aqui é dito.

sábado, março 14, 2009

Ficções 2.0

"Radio Free Albemuth" é um romance de ficção-científica, da autoria de Philip K. Dick, publicado em 1985. Brevemente resumido, o livro conta a história de Nicholas Brady, um indivíduo nascido e criado em Berkeley - mas que, a certa altura, se muda para Orange County -, e da sua luta contra uma América totalitária, entregue aos desmandos do tirano presidente Francis Fremont.
O propósito deste herói trágico começa a despontar no dia em que uma entidade extraterrestre entra em contacto rádio-telepático com ele, por via de um satélite que gira em órbita da terra há milhares de anos. Nestes seus diálogos com uma transcendência que nunca entrou "para as suas contas", Nicholas vê-se a braços com uma tarefa hercúlea: descodificar uma quantidade massiva de pistas que lhe são fornecidas, qual "download", por VALIS (Vast Active Living Intelligence System). Tudo com a finalidade de ele perceber qual o caminho mais certo para a tarefa que lhe foi cometida de libertar a América.
Ora, nesse mesmo processo, este protagonista, que contracena em discurso directo com o próprio autor da obra, confidencia-lhe que, na tentativa de compreender tudo quanto lhe é dito por essa voz oculta nos seus sonhos nocturnos, se viu obrigado a comprar a enciclopédia "Britannica".
Aparte o final dramático que se deixa à descoberta de todos os convivas da esplanada, este é o pormenor que me inspirou o presente post e relativamente ao qual esta pequena introdução apenas serve uma função contextualizante.
De facto, há já algum tempo que andava para lançar um même subordinado ao tema "antes do google". A analogia por ora proporcionada apenas me pareceu deliciosa. Passo a desenvolver.
Tendo em conta a data em que o romance foi publicado - 1985 - voltamos a uma época, não tão distante quanto isso, bem conhecida de todos com, pelo menos, 25 ou 26 anos, em que o processo pelo qual alguém adquiria informação era um pouco mais complexo do que clicar no botão do rato ou digitar uma entrada na barra de pesquisa do Google.
Com pelo menos duzentos anos de tradição, a bela da Enciclopédia sempre foi uma das ferramentas mais importantes para um conhecimento que se queria livresco, ainda que conciso, e mais ou menos rigoroso.
Uma espécie de mainframe de dados, em suporte de papel, dividida por grossos volumes que hoje se encontram compactados naquilo a que se veio a designar por "disco rígido".
Na verdade, e tomando como mero exemplo essa grande obra que era a "Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura", bastava saber procurar a entrada certa para adquirir um manancial de informação razoável acerca do tema que se pesquisava.
Mesmo quando não fosse esse motivo, a Enciclopédia dava sempre um toque decorativo ao lar de uma qualquer família que aspirasse a um suposto título de "gajos-cultos-até-têm-uma-enciclopédia".
Hoje nada é assim. Basta um laptop, uma ligação à net, e o problema está resolvido.
Não sei se me sinto muito bem com essa banalização, com a falta do ritual de ir à estante e procurar o tomo certo, procurar a entrada pretendida e ler... ler mesmo e não fazer um "scroll down".
Recordando, precisamente, com alguma nostalgia esses outros tempos, ainda recentes, não posso deixar de manifestar algum desagrado pelo desprezo a que foi votada a "Enciclopédia".
E quem diz a Enciclopédia, diz os livros ou qualquer outra forma escrita, em suporte de papel.
Será que não estaremos a perder dadas qualidades e a alimentar uma certa preguiça mental que nos faz apenas sentir apelo por aquilo que poderemos apreender quase por osmose - em contacto com um teclado, um rato e um monitor? Enfim, estupidamente rendidos às "tecnologias de informação".
De qualquer modo e à parte o toque vintage que me é querido,
Apenas quero, com este esboço de manifesto, que a Mariana, o Cachapa e o Ricardo falem, claro, de enciclopédias.

Arte 2.0

"Atlântico"
Rabiscos.

quinta-feira, março 12, 2009

Vigo, Alvalade e Allianz Arena

Há cerca de dez anos atrás, João Vieira Pinto pediu desculpa e não deixou de ser motivo de troça por parte de alguns.

Anteontem, a Administração da SAD do Sporting pediu desculpa pela maior derrota registada, em termos de agregado de eliminatória - doze golos, contra um - na Liga dos Campeões Europeus.

Engraçado, não é?

quinta-feira, março 05, 2009

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Valdevinos

segunda-feira, março 02, 2009

O Burlesco

Em tempos, já terminados, de folia, partidas e piadas, tomei nota de três eventos que venho agora partilhar com os convivas da Esplanada.
1. Uma carrinha da EMEL foi alvejada por um tiro de pressão de ar, em plena avenida lisboeta. De acordo com a reportagem transmitida, o seu condutor, também zeloso técnico daquela "bem-amada" empresa, estava a levar a cabo uma verificação aos parquímetros da zona quando ouviu um tiro e, quase logo de seguida, deu conta de uma amolgadela no veículo. Segundo declarações prestadas, o senhor funcionário só encontra uma explicação para o sucedido - retaliação. Retaliação alimentada por um qualquer ódio acumulado contra aquela instituição que tem por hábito bloquear viaturas sem título de estacionamento válido, colar faixas amarelas na pintura metalizada e, um dia destes, barrar alcatrão por cima do condutor faltoso e cobri-lo com penas. O que fica no meio disto tudo é uma singela nota de mesquinhez. Mesquinhez de quem proporcionou ao pesaroso agente-de-uma-autoridade-obscura os seus cinco minutos de fama, enquanto "vítima". Mesquinhez dele próprio ao atribuir, sem quaisquer provas, tal acção a algum grupo terrorista que visa a destruição do sistema de estacionamento urbano e das pessoas que por ele olham. Mesquinhez da agressão, em si, por ser apenas uma "chumbadazinha" pequenina. Bem que podia ter sido uma bombinha chinesa ou mesmo um estalinho...
2. Numa Feira do Livro em Braga, a PSP apreendeu um livro cuja capa continha uma imagem de um quadro de Courbet, em que a farta cabeleira inferior de uma senhora da vida pariesiense está exposta. Pornografia, senhores! Pornografia! Realmente, Braga não é cidade conhecida pelo seu Carnaval, algo remetido para locais tão "coloridos" como a Mealhada, Loulé ou até mesmo a Figueira da Foz.
Mas sempre devemos perguntar: algum bracarense assistiu àquelas manifestações artísticas de primeira água, que tentam trazer essa cor tão linda do país irmão que é o Brasil? Se foi, terá tentado queixar-se junto das autoridades? As autoridades, por seu lado, terão sentido, naquele fim-de-semana, um impetuoso desejo de autuar alguma das alegres moças brasileiras que por ali andaram, na atitude louvável de preservar a ordem pública, a moral e os bons costumes? Censurando todas as manifestações artísticas que firam o gosto do povo português? Aguardam-se as respostas.
3. À parte as brincadeiras de Torres Vedras, que motivaram a actuação do magistrado do MP daquela comarca, o certo é que o Magalhães é um computadorzinho como deve ser. O controlo parental é uma ferramenta vital no sentido de prevenir que os petizes comecem a sua formação como críticos de arte, nomeadamente pintura e escultura, podendo até acabar como coleccionadores de "Courbet's". Na verdade, actividades tão simples como navegar para a página do Google, não estão ao alcance dos pequenos proprietários daquela maravilha da técnica. Os únicos sites considerados como fidedignos, de acordo com a configuração originária, resumem-se a essas páginas altamente didácticas em que o Governo dá a conhecer aos putos e a seus pais todo o esforço de inovação que está a realizar para que Portugal ocupe o seu mais que devido lugar entre as Nações mais civilizadas da Europa.
O manual para configuração doméstica é disponibilizado num ficheiro em formato PDF, que poderá ser encontrado, depois de uma aturada busca no site do e-escolinha.
Tudo sempre com o conselho aos pais para que preservem a moral, os bons costumes e a ordem pública (não esquecendo o votozinho em quem é amigo, quiçá) - valores tão queridos ao povo português.
Deste modo, o balanço que se retira não pode deixar de ser positivo. Depois de uns meses cinzentões e chuvosos, eis que uma malta, foliona e bem-disposta que nem uns malandros, sentiu o calorzinho e veio para a rua jogar ao Carnaval. E assim o País virou burlesco.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

O Clubinho

Na década de oitenta, era eu um petiz com dez anos, surgiu um programa estatal chamado Inforjovem.

Produto de algumas mentes governativas da altura, o "Inforjovem", ao lado do "Cartão" - também Jovem - e dos programas ocupacionais para, precisamente, jovens e desempregados, marcava o início da modernização de um País, recém-admitido na Comunidade Europeia, que tentava superar aquele bicho estranho do "atraso estrutural", ainda tão, ironicamente, presente.

A sua finalidade era das mais louváveis e consubstanciava um dos mais importantes contributos para aquele tal esforço de modernização. De facto, dar a conhecer e ensinar os rudimentos da informática, numa altura em que nada do que estava disponível na área do software e hardware se revelava intuitivo ou até mesmo acessível em termos de gastos, só poderia querer dizer uma coisa: é compromisso sério e desígnio nacional que a todos os que virão a constituir uma parte considerável da população activa, no futuro próximo, seja proporcionado uma formação sólida e válida numa área que será preponderante na vida de todos, nos anos vindouros.

O Inforjovem assentava no financiamento comunitário, proporcionado pelos primeiros Quadros de Apoio concedidos ao Estado Português. A formação de monitores estava aberta a quem se candidatasse - de acordo com as condições legal e previamente estabelecidas -, havendo direito a remuneração. Na dependência do Instituto Português da Juventude, foram bastantes aqueles que manifestaram o seu desejo de pertencer ao projecto. E, aí, tenho para mim, foi quando tudo começou.

É que, não sei se é uma questão de mentalidade ou algo do género, mas neste pequeno jardim à beira-mar plantado, houve sempre uma certa propensão à constituição de esquemas "feudais" em que apenas alguns se apropriam - seja por influência, seja por posição, seja só porque sim - de tudo aquilo que, à partida, deve ser de todos. Mais, são esses mesmos sujeitos que, vêm, mais tarde, no que parece ser um gesto de benevolência e magnanimidade, dizer "isto é para todos... mas sob a nossa 'orientação'".

E, na verdade, com o Inforjovem parece-me que foi isso que aconteceu. Tal como sempre me pareceu que quem se associou ao projecto, soube insistir na suposta necessidade de contar sempre consigo. Como se o exercício de uma certa função fosse um direito inato apenas concedido a alguns "iluminados" - os "senhores da informática", que, nunca ninguém sabia muito bem de onde apareciam.

E o que sempre senti como escandoloso era o facto de essas mesmas pessoas estabelecerem regras não-escritas de admissão ao que se tinha tornado um "clubinho" de alguns. Realmente, não consigo entender de outro modo o facto de várias vezes ter-me inscrito num desses cursos de informática e, só à terceira vez, após insistência, ser-me cedido, qual graça ou privilégio, um lugar na turma em que tinha de partilhar um Amstrad, sem disco rígido, com outro colega.

Todo este desabafo pessoal, dando um qualquer mote introdutório, apenas serve para dizer que, ao que parece, o panorama não mudou assim tanto.

Num tempo em que a web é a linguagem de todos os dias, em que os Magalhães povoam as escolinhas e em que a experiência democrática passa pela rápida e fácil acessibilidade ao que sempre gostaram de chamar de "tecnologias da informação", aqueles senhores feudais, ainda que com outras caras e outro aspecto mais lavadinho, vêm insistindo em manter o seu lugar, ou a ilusão de um certo protagonismo, desesperados. "Se isto nos foge das mãos, é o desgoverno", devem, julgo eu, certamente pensar.

A prova mais gritante que serve para confortar a minha tese está numa frase que li no Twitter, há dias. Dizia alguém algo como "os novos ainda não sabem bem como isto funciona". Atentemos no seguinte:

1. O Twitter é uma rede social, como tantas outras existentes no ciberespaço, em que, à partida, ninguém realmente se conhece. Pessoalmente, já uso o Twitter há dois anos, e ainda cheguei a usufruir do sistema de updates por sms - algo que agora é incomportável - juntamente com um grupo de amigos
2. O seu acesso é gratuito e livre.
3. A todos os ali registados é garantido o direito à livre expressão - ainda que telegráfica - dos seus pensamentos e opiniões, apenas obedecendo às regras estabelecidas pelo fornecedor do serviço, para todos os efeitos, internacional.

Ora, de acordo com tais premissas, a distinção entre "novatos" e "antigos" é espúria e completamente idiota.

Não há nem tem que haver, como desejam alguns a meu ver, postos por antiguidade ou uma qualquer hierarquia a favor de quem se quer, simplesmente fazer notar para ganhar a vida.

Por outro lado, o destaque que alguns dão a este serviço de web 2.0 - uma coisa que já não é assim tão nova e complexa como querem fazer crer - leva muitas vezes a que um observador normal, que simplesmente não tem paciência para navegar muito, acredite que são tais sujeitos, portadores da novidade, os verdadeiros autores do invento.

Dito por outras palavras, abomino quem agora venha dar notícia de uma "coisa muito gira" ao mesmo tempo que tenta criar e impor as suas regras a todos os outros que, à partida, porque com net em casa e computador, são tidos, para o fornecedor do serviço, como sujeitos seus iguais.

E se se tornar difícil perceber o que estou a tentar dizer, apenas peço que se lembrem do que aconteceu com a invenção da imprensa. Se anteriormente ao Senhor Guttenberg, apenas os monges e membros do clero detinham o poder do conhecimento - sendo até considerados por errónea associação como os Autores da "República", ou da "Comédia", ou qualquer outra obra da Antiguidade -, depois do aparecimento massivo das primeiras prensas mecânicas, isso mudou radicalmente. O que veio, precisamente, causar algum desconforto e feridas de orgulho - quando não outras mais graves - a quem se achava perpetuado numa qualquer posição de arauto.

E mesmo se quisermos um exemplo mais recente, olhe-se para a blogosfera. Hoje em dia, há quem se dê ao trabalho de recomendar blogues, quase como que elaborando uma "Vulgata" do que deve ser lido, estreitando o espírito crítico, o gosto pessoal, limitando o que deve ser uma experiência livre e acima de tudo esteticamente íntima.

Por tudo, penso ser apropriado concluir, em modo de protesto: "Abaixo o Clubinho! Computadores para o Povo! A net é de quem nela navega!"

Um manifesto na Esplanada.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Super Trooper preview

A concepção da ideia teve uma preciosa cúmplice, nomeadamente ao nível do artista.

A qualidade do vídeo e a "amadora" - eufemismo - realização são da minha inteira responsabilidade.