Um instante de breve despedida... até ao regresso, sempre desejado.
terça-feira, março 02, 2010
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
I've been thinking

The undefined moment of procrastination shows itself on those not so much wanted ocasions, when a guy gets more concerned about the shape of his handwriting and the sweet touch of the ink on plain paper rather than actually writing something meaningfull and defining.
By ViriatoFCastro :)quarta-feira, janeiro 27, 2010
O Clubinho #2 ou "Low Cost on Ethics, a Brief Approach"
A primeira vez que andei de avião - confesso-o sem qualquer traço de vergonha pelo pecado contra a sacrossanta ordem da futilidade -, foi aos dezassete anos. Destino: Estrasburgo, França, pela Air Liberté, uma companhia que não sei ao certo se ainda existe. O propósito de tal viagem era uma visita ao Parlamento Europeu, prémio máximo do Programa Euroscola '96.Num tempo ainda bem longe do 11 de Setembro e de todas preocupações securitárias de agora, essa primeira viagem de avião foi como a de um petiz que entra pela primeira vez num centro comercial ou numa simples loja de doces.
Digo-o com franqueza. Tudo era novo, tudo era motivo de interesse.
Havia champagne à discrição, almoços completos - a bela da comida pré-cozinhada e ali aquecida -, café instantâneo, água quente para chá em pequenas embalagens de plástico, talheres de metal e até copos de vidro com o símbolo da companhia.
A simpatia das hospedeiras e dos ainda comissários de bordo apenas projectavam para uma escala maior aquele sentimento de pertença a um grupo que, até então, me tinha habituado a ver como restrito - o grupo das pessoas que viajavam mais longe do que até ao Algarve, ou pelo país, o grupo das pessoas que iam até ao "estrangeiro".
Tanto a viagem de ida, como a de regresso, foram experiências afortunadas e recordo-as com saudade. Para mais porque, pela primeira vez, pude disfrutar das lojas duty-free dos aeroportos onde permaneci algumas horas, conhecer os procedimentos de check-in e saber o que era um press centre, com aqueles jornais de que eu só ouvia falar: Finantial Times, The Herald, The Daily Telegraph, Le Monde. Nessa idade apenas assinava a TIME, que me chegava até casa pelo correio. No fim de tudo, como já disse, senti-me Feliz.
Era mais uma experiência - há muito tempo aguardada - que tinha vivido.
Após ter ido, no ano seguinte, a Paris, já por estrada, comendo quilómetros atrás de quilómetros, foi só em 2005 que, pela primeira vez, voei com a TAP, desta vez para Bruxelas. E também foi a primeira vez que tive contacto com o provincianismo de que tinha sempre ouvido falar relativamente à companhia nacional.
De facto, ainda em '93, numa capa da Revista Vida #3 do Independente aparecia uma velha fotografia de um dos voos inaugurais da transportadora aérea nacional, em que uma garbosa hospedeira assomava à porta de um avião metalizado. O artigo, com uma perspectiva mais lúdica, procurava dar uma perspectiva histórica da empresa e estava relacionado com o noticiado período de turbulência que então se vivia entre pessoal de terra e administração, tendo sido os pilotos, segundo o que me recordo, a deitar por terra as esperanças depositadas numa greve por aqueles primeiros anunciada.
A impressão com que nessa altura fiquei foi a de sempre. A TAP era um mundo à parte, apenas ao alcance de pessoas, por exemplo tios e primos meus, com dinheiro suficiente para partir à descoberta de outros destinos e de outros mundos. Se viajar de avião era um privilégio um tanto ou quanto difícil de conseguir, trabalhar, fosse no aeroporto, fosse nos aviões, dava uma aura de respeitabilidade e de sucesso na vida que era difícil de igualar.
Ou seja, persistia, para mim, um certo salazarismo em tal estado de coisas: isto é só para alguns e não para qualquer um. E se quisermos ser francos, o preço proibitivo das passagens, que ainda hoje se mantém, procedia a esse fraccionamento do mercado no espaço.
Consequentemente, comecei a notar esse contangiante elitismo nas caras que fui vendo ao entrar para o avião, em 2005, numa quente tarde de Junho. Principalmente nas hospedeiras. Não sei se alguém já reparou, mas as hospedeiras da TAP ainda se vestem numa linha muito ao estilo dos anos cinquenta, quando se pedia das senhoras serem mais do que empregadas de mesa, ainda que no ar. E foi uma delas que, não me conhecendo de lado nenhum, suspirou de enfado, ao estender-me o tabuleiro do café e ao ter visto que eu me atrevia a tirar uma embalagem de leite para lhe juntar. Penso sinceramente que deve ter concluído ser eu algum pacóvio que andava de avião pela primeira vez.
Tal snobismo bacoco apenas foi superado por aquela que parecia a matrona delas todas e que venho a constatar ser uma presença constante em qualquer vôo - tipo alien-rainha ou abelha mestra. Os seus traços notam-se ao longe: é mais velha que as outras, mais feia, azeda q.b., anda de luvas pretas e olha para os passageiros num semblante selectivo, tirando as conclusões necessárias a um tratamento diferenciado entre repetentes e candidatos a baptismo de voo.
Ora, tomado este estado de coisas e a minha opinião pessoal relativamente às pessoas com quem, agora um pouco mais frequentemente, costumo ter contacto nas cabines dos aviões, esta história recente, de determinados pilotos terem trazido para o Facebook a sua indignação por se verem forçados a partilhar o seu espaço nas nuvens com povinho que até pode muito bem estar num avião pela primeira vez, em nada me surpreende. O "Clubinho" é, acima de tudo deles.
A hierarquia está definida: Pessoal de Terra ----> Pessoal de Bordo ----> Pilotos - os supra-sumo. Não quero com isto negar que, realmente, ter apetência para os comandos de uma máquina voadora dá um certo estatuto, indiscutível, de elite.
Contudo, é sabido que o melhor sinal de nobreza de um espírito maior é a humildade.
Em minha opinião, nunca ninguém se deve deslumbrar muito consigo próprio, porque, para lá de qualquer imperativo moral - nos quais tenho pouca confiança -, é, simplesmente piroso! Deste modo, pergunto-me agora se, por castigo ou coincidência, este tal curso de ética valerá de alguma coisa para estas pessoas. Estou inclinado a responder que não.
A ética que não se tem no berço, não se adquire por certificado. E do que aqui se trata, parece-me, é de uma questão de educação, de polimento, de noção do ridículo e do socialmente aceitável que apenas se cultiva dentro de um ambiente imune aos interesses que, entretanto, foram promovidos pela própria TAP, numa abordagem de elitismo tout court e dissociante do resto da comunidade, a começar pelos próprios clientes (que não são mais que isso).
A melhor prova disso mesmo está aí, nesse jeito impertigado de protestar contra um "downgrade" na classe.
Os privilégios na aviação estão a acabar para o comum das pessoas. A democratização das viagens aéreas é um caminho que começa a ser trilhado e o boom das low-cost é algo que não pode ser parado e ainda bem.
Por tudo, deixo apenas um conselho,
Senhores Pilotos, hospedeiras, demais pessoal, não tornem a vida mais difícil à Joaninha voadora portuguesa porque, com tanto privilégio caduco a ser reivindicado, qualquer dia nem em Lisboa ela aterra e ainda acabam, como o povinho, na Easy Jet ou Ryan Air... E vão ver que não vos faz mal nenhum;
E um apelo,
Acabem-se os clubinhos, pois eles são parolos ao máximo! E chateiam...
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Nuvem, palavras, Termos, Conceitos, ideias, (...), , net, COISAS, sande de leitão
A moda parece que começa a pegar. Depois de se ter reinventado o termo "comentador", ou o seu congénere estrangeiro "opinion maker", nesse suposto repositório de sabedoria que é o "politólogo" - a pressupor uma etiqueta de ciência académica com direito a formação equivalente em instituição de ensino superior -, a última palavra em "inovação", na análise do discurso político, passa pelo "conta-palavras".
"Conta-palavras" é o termo mais simples que encontro para, realmente, poder descodificar algo que apenas é cosmeticamente complexo. Basicamente, pega-se num discurso político, vê-se quantas vezes as mesmas palavras são usadas e daí tiram-se as conclusões mais estapafúrdias que se possam imaginar. Sinais de mudança na abordagem aos temas que estão na agenda, decisões escondidas nas subtilezas do vocábulo usado - apenas ligado ao contexto concreto, na medida em que isso sirva para sustentar as conclusões pessoais de quem assim comenta -, e até mesmo, quiçá, declarações de amor ao iphone.
No final, mercê da oferta gráfica que todos os recursos cibernéticos proporcionam, faz-se uma grande nuvem de palavras e chama-se-lhe "análise semântica" ou outra coisa do género.
Levada ao extremo, tal análise semântica até nos poderá dar respostas acerca do que é que a pessoa que discursa está a pensar em fazer para o seu jantar.
Contudo, a par de tanta sofisticação, esta estrutura de produção do comentário político pode esconder em si, ainda que não de modo consciente, um efeito secundário pernicioso.
É que, lembrando-me mais uma vez do Orwelliano 1984 - ou será 2010? -, este tipo de novilíngua tem, na sua raiz fenomenológica, o potencial de contribuir para a simplificação do espírito crítico do receptor da mensagem.
Numa lógica supostamente dedutiva e em última análise, poderemos até vir a funcionar apenas nos seguintes moldes exemplificativos: europa ---> união europeia -----> tratado de lisboa -----> progresso ----> governo ----> este governo ----> bom ----> excelente ----> estabilidade -----> continuar ----> permanência -----> não saímos -----> continuamos no poder -----> ad aeternum.
Fácil, não é?
terça-feira, novembro 10, 2009
terça-feira, novembro 03, 2009
As horas...

Tenho uma confissão a fazer. Nos meus tempos de estudante, passei apenas a sintonizar a Rádio Universidade de Coimbra, lá para o meu segundo terceiro ano. E era um ouvinte esporádico, preferindo os discos compactos, compilações em jeito de banda sonora para aguentar o queimar de pestana.
Nos primeiros anos, a telefonia "rádio-despertador" servia mais para ouvir relatos de bola ou então para amanheceres tardios, marcados por um alto volume fanhoso que saía da única coluna.
Contudo, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e aparecem novos gostos. Na verdade, lembro-me bem, foi durante uma dessas sessões de estudo, à volta do direito dos conflitos - conceitos-quadro e reenvio - que, ouvindo a Rádio Comercial, me dei conta de um programa que, nesse final de ano de 2001, lá passava, a partir da uma da manhã, até às três - "A hora do Lobo" de António Sérgio.
Tal como ele resumia, era um programa dedicado "ao pensar alternativo", fora da mainstream, com "unicórnios e ciborgues" - uma crónica em voz feminina, fantasias urbanas e textos de vanguarda - e repleto de música com conceito - algo que se poderá resumir ao label do indie, mesmo sem passar muito tempo a saber o que isso realmente pode ser.
Nessa altura, entusiasmado por ter encontrado algo diferente, dei-me até ao trabalho de fazer também algo completamente extravagante - gravei algumas emissões em cassete. A razão de ser de tal anacronismo prendia-se, por um lado, com esse ambiente de madrugada oculta que o António Sérgio para mim imprimia no programa, e, por outro, porque, para saber quem era a banda, o cantor, ou a música que tinha passado e me tinha agradado, tinha de ouvir tudo de novo. A voz grave do António Sérgio - longe de qualquer defeito de dicção, nada disso - não me facilitava o trabalho de apontar numa lista aquelas que eu queria que fossem as minhas aquisições musicais seguintes.
Entretanto, "A Hora do Lobo" acabou na sequência daquilo que, para mim, na altura, foi o grande erro da Rádio Comercial: a mudança para um formato mainstream, de um sofrível pop - rendição feita às massas, que, no final de contas, também é certo, geram indirectamente as receitas necessárias ao pagamento dos salários e à sobrevivência económica de qualquer estação.
Perdi o António Sérgio de vista, durante uns anos até o ter descoberto novamente na Antena1, se a memória não me falha, num programa que, mesmo sem ser do "Lobo", tinha "As Horas" bem preenchidas, cheias de boa música. E foi com o António Sérgio que descobri bandas como os "Gothic Archies" e outras do género.
Mas também por estes lados, foi um luar de pouca dura.
E, no fim de tudo, vejo que agora cheguei atrasado... Perdi-me nas horas e, nem de propósito, descubro, esta noite na Rádio Universidade de Coimbra, o último "Viriato 25" - o programa, que, a nível de rubricas e estilo, repete e me faz recordar a "Hora do Lobo".
Os desencontros são algo desagradável. E apenas lamento não ter dado conta por onde é que o António Sérgio andava nestes últimos tempos. Ao ter ficado a perder, só me comprometo com uma coisa:
Com a memória de um dos melhores locutores do nosso "som da frente".
terça-feira, outubro 06, 2009
quinta-feira, outubro 01, 2009
O meu voto? Eu é que o deposito!
sexta-feira, setembro 25, 2009
terça-feira, setembro 01, 2009
Amados Líderes...
Discursos de "self convinced leaders", na falsa certeza de que são amados, fazem-me sempre lembrar este anúncio. Porque há sempre direito à escolha do que se "bebe".
Incompetência 2.0
quarta-feira, agosto 26, 2009
Comentário 2.0
Não entendo porque só os grupos de risco, os mais evidentes, vão ter acesso à vacina que, por seu lado, tarda em chegar, quando noutros países estará pronta a usar já agora em Setembro. Em Espanha, por exemplo, oitenta por cento da população terá acesso à vacina. Por isso pergunto à Sra. Dra. Ana Jorge: Porquê a opção deliberada por tão reduzido lote, sabendo até que as farmácias não podem negociar ou reservar lotes - parece que o monopólio é do Estado, no que toca às reservas - que viriam a ser vendidos a cidadãos fora dos grupos de risco? Porquê a opção deliberada pelo discurso do "aguenta-te à bronca que és só mais um número das estatísticas para mostrarmos competência"? Porquê enfim, a escolha pelo entupimento das urgências e pela baixa maciça dos trabalhadores que, a serem vacinados, sempre veriam, no mínimo, os efeitos da vacina minorados? Porquê esta minha sensação que se NEGA AQUI UM DIREITO À SAÚDE - acesso a uma vacina - que até há quem esteja disposto a pagar na totalidade??? Já muitos de nós somos crescidinhos a não precisar de alguém a dizer o que devemos ou não tomar. Apenas esta a minha opinião.
segunda-feira, agosto 24, 2009
Confarreatio

O vocábulo é latino e bem conhecido dos patrícios da primeira República do mundo.. Ora, tendo como ponto de partida esta proposta de leitura breve, convida a mesma a uma exegese sobre a notícia que hoje marcou a actividade política e bem, assim, a participação cívica de quem também, precisamente, vive numa República e tem o dever de reflectir sobre os assuntos que lhe dão forma e essência.
Um veto, considerandos pertinentes e a recordação que tenho dos Mestres, fizeram com que voltasse às fontes do Digesto, das Instituições e até mesmo das Pandectas... Tudo resumido no Corpus Iuris Civilis, entenda-se.
A ideia de casamento sempre se pôde traduzir, no mínimo, num contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente (eu sei que isto acarreta outras questões, mas, por economia de tempo ou de assunto sobre elas não falarei), gerador de direitos e obrigações tendentes a uma comunhão de vida.
Uma comunhão de vida com reflexos ao nível do regime de bens - saber o que é de um e de outro cônjuge, ou de ambos -, ao nível da representação - saber quem pode fazer o quê quando contrata com terceiros, quando tem de ir a tribunal, quando toma decisões sobre o futuro dos filhos - e ainda ao nível das próprias relações entre ambos - vejam-se os chamados deveres conjugais de respeito, fidelidade e débito conjugal.
Por aqui logo se vê que este institutol, enquanto figura contratual traz consigo um atributo que nunca poderá ser mitigado: a escolha pela responsabilidade, independentemente dos afectos que apenas dizem respeito à esfera da intimidade.
Qualquer cidadão, num Estado de Direito, tem a obrigação de saber que ao "contratar" assume para consigo e para com a sua contraparte e ainda indirectamente com terceiros, futuros ou eventuais interessados, uma determinada posição. Dele é esperado um certo comportamento, uma prestação, uma postura.
E se estamos já bem longe da submissão que à "uxor" estava destinada, havendo para ela somente ou em grande parte deveres, a verdade é que, nos dias de hoje sempre se espera de ambos os cônjuges uma atitude em conformidade com o contrato que celebraram e fizeram publicitar. Tudo nos termos já acima sumariamente enunciados.
Ora, nas uniões de facto há aspectos que, em termos legais, se desenrolam à parte deste regime de responsabilidade. Por exemplo, a representação e a legitimidade processual não conhece, tanto quanto sei, a figura do litisconsórcio necessário: a necessidade de ambos os cônjuges estarem em juízo, quando demandantes ou demandados. Por dívidas praticadas no exercício do comércio também não me parece que funcione a presunção de que as mesmas são comuns a ambos os unidos de facto.
Pelo que li, lança-se mão de conceitos como os da compropriedade e da solidariedade nas dívidas para dar a ideia de um "produto novo" que é tão bom como o antigo, mas só que mais moderno e sofisticado. É pouco na minha opinião e não se percebe o que realmente se pretende. Qual o sentido do "proto-casamento" se não o de ter vantagens, não discuto que devidas, sem ter encargos?
Não obstante, considero importante a protecção das pessoas que optem por esta experiência de vida em comum, não se lhes devendo impor outra.
Casa morada de família, prestações por morte de um membro da união ou mesmo o reconhecimento do direito à ressarcibilidade de danos produzidos por terceiro, em sede de responsabilidade civil, são matérias que ainda hoje não receberam a regulamentação que a lei, em vigor, prometia ou fazia prever.
Contudo, o que mais me confrange, a título pessoal, relativamente a quem não concorda com o veto do Presidente da República, é poderem dificilmente responder a esta questão: se uma e outra coisa são o mesmo, então para quê o casamento?
Enfim, o casamento é uma figura contratual estável, assente e que funciona, devendo ser premiada - em exclusivo, por exemplo, ao nível fiscal - e nunca comparada a institutos que, embora a merecer a sua justa protecção constitucionalmente devida, nunca serão a mesma coisa.
A não ser assim, funcionará, parece-me, o princípio "trainspotting": "não há casados nem unidos de facto, apenas pessoas que estão juntas". Nada de bom, porque pouco sério, quanto a mim.
Quem está unido de facto, está para o bem e para o mal, como se costuma dizer. Mas não está casado. Porque realmente assim não o pretendeu...
quarta-feira, julho 29, 2009
Banda Sonora 2.0
Para ficar de boca aberta ou deixar-se levar...
segunda-feira, julho 27, 2009
Branca de Neve 2.0

Os incautos que se desenganem. A informação da imagem acima exposta é enganosa. Porquê? Aqui começa a história:
Durante este fim-de-semana, foi largamente publicitada, por quem de direito, no Twitter, uma iniciativa nunca antes realizada no ciberespaço português: o Primeiro Ministro à conversa com os autores de alguns dos mais conhecidos blogs da nação.
Tal como era explicado aqui, o debate seria livre e aberto, havendo uma escolha - método da mesma não apurado, porque não exposto em termos de critérios, pressupostos e condições concretas - dos blog's que teriam direito a fazer uma pergunta ao Eng. Sócrates. Sem embargo, e contando com a lista de blog's suplentes igualmente publicada, abria-se ainda a possibilidade de participação das redes sociais, nomeadamente o Twitter.
Ora, uma hora antes do começo: endereço na barra de navegação, tecla enter e página de entrada. Ao que tudo indicava o "live streaming" - emissão em directo - parecia ser fluido e escorreito, mostrando uma curiosa mira técnica e podendo ouvir-se o tão típico"um, dois, som... experiência". A hora dos testes para que tudo corresse bem com esta "admirável" empresa.
17h30m (ou um pouco depois, que ainda fui tomar uma bica e quando voltei ainda não tinha começado): O Primeiro Ministro entra na "cantina", cumprimenta as pessoas e senta-se. "Pronto, vamos lá então ouvir o debate com os bloggers" - o esfregar de mãos ávidas de um bom debate no twitter para o qual a hashtag #blogconf tinha sido criada.
Contudo, subitamente, o "live streaming" é cortado. Mira técnica de volta. Écran negro, sem imagem nem som de seguida. Motivos técnicos, disseram. Sucedem-se os pedidos de desculpas, bastante esfarrapadas, havendo mesmo quem, dizendo-se noutras alturas fervoroso adepto do twitter justamente devido à nota de "tempo real", vem atirar que "na vida, o directo não é tudo".
A indignação instala-se. Do mero #flop para outras considerações mais imaginativas - serão mesmo apenas imaginativas? - bastantes foram aqueles que se levantaram em protesto. Alguns dos agora reduzidos protagonistas - os únicos, é certo, porque convidados - ainda tentam acalmar as hostes, fazendo uma cobertura parcial do que se passaria na "cantina".
Ora, do que ficou, o fedor da conveniência e da estratégia - ou do receio de vociferantes twitts de descontentamento pelo estado das coisas - foi o aroma mais dominante, em modesta opinião.
Um bolo que, de acordo com a imagem, seria para ser comido por todos, deu, no fim de contas apenas para alguns comerem umas fatias. E, ainda assim, fatias variadas: umas com sabor a protagonismo, outras com sabor a propaganda e ainda umas esmigalhadas, com sabor a seriedade (é pena que tivessem sido as mais "piquenas").
Da promessa da transmissão do verdadeiro na íntegra e indeferido, o conforto não é grande, uma vez que não era, de modo nenhum esse o plano inicial. O sentimento de exclusão é legítimo por parte de todos aqueles que acreditam, e não porque alguém em terras lusas o diz, que o Twitter é para todos.
E, no fundo, se, por um lado a ingenuidade acalma e conforta, também é certo, por outro, que não deixa vislumbrar a verdadeira essência da estratégia: quando se quer reduzir o número de intervenientes dialogantes basta introduzir no circuito da comunicação algum ruído, ou seja, "motivos técnicos". Tudo por aí se perde.
#parêntesis: e ainda a RTP tentou dar uma notícia que, para todos os efeitos, não o foi.
terça-feira, julho 21, 2009
Apollo11, Yes we can
A justa homenagem. A arte e o engenho de quem não teve medo.
Possamos voltar a tempos assim.


