quinta-feira, junho 11, 2009

A classe turística

Os últimos tempos têm sido de intensa actividade democrática para todos aqueles que, por maior ou menor consciência ou até mesmo impossibilidade prática, trocaram o calor tórrido do sul pela cruz no euroboletim, pelas maravilhas do mundo português ,vistas apenas pela televisão, ou até mesmo pela perspectiva dessa grande Nação encarnada - o Glorioso, obviamente - se encontrar num cenário de "sede vacante", com eleições antecipadas à vista.
Mas, ao que parece, todo este alvoroço de soberania popular calha mal com o espírito da época. O tablóide mais lido no País, falava, na semana passada, acerca do desperdício, na ordem dos milhares de euros, com os boletins de voto que foram impressos para as Europeias e que agora apenas dão um certo retrato do tsunami abstencionista que acabou por, uma vez mais, se verificar.
A democracia parece estar em excesso, superavitária - provavelmente a única "comodity" nessa posição, nos tempos que correm - e não calha nada bem para quem andou a poupar em talões de combustível e mais alguns trocos, no desejo furioso de enfiar os abomináveis chinelos de plástico e rumar ao Algarve, celebrando a boçalidade natural dos dias em que apenas os pequenos triunfos contam, não dando espaço para sequer pensar na etimologia da palavra que nos confere o estatuto de estado de direito, livre e assente no governo dos seus cidadãos. Nada disso pode ser condenado, é certo.
Contudo, tal letargo, tal simplicidade e sentimento de impotência laxista podem ser perigosos. É que, por estes dias, apareceram uns certos sujeitos que até há bem pouco tempo ninguém sabia quem eram e que, por sinal, não se dão muito a conhecer, mesmo agora.
Dizem que investiram umas poupanças, nos tempos em que o Estado era um "papão", e que, agora, o mesmo tem a obrigação moral, legal, de os salvar da miséria, mesmo que à custa dos impostos que todos, mas todos e não apenas eles próprios, pagam.
Não discuto aqui a indignação de quem se vê enganado e, por aí, "descamisado" porque sem o dinheiro que é seu. O que discuto, com toda a legitimidade, é o modo onfaloscópico e insensível com que manifestam essa indignação.
Num tempo em que a taxa de desemprego em Portugal consegue ser mais elevada do que a média Europeia, como é que alguém pode ficar impávido e sereno, estendido numa toalha de praia, a comer uma sandes de mortadela e a jogar sudoku, quando ouve no transístor apelos aos portugueses "para que deixem de ser invejosos"? Estarão mesmo aqueles sujeitos a falar a sério ou isto é só uma piada de mau gosto?
Já todos sabemos que em tempos de crise as posições extremam-se e os fossos aprofundam-se, mas vir dizer que, por uma questão de suposta maior fortuna, o tratamento a dar terá de ser preferencial e à custa de todos, sem queixas supostamente mesquinhas, parece-me a mim um pouco demais.
E assim sendo, arrogo-me aqui, à mesa da esplanada, de toda a legitimidade para me insurgir quando esses sujeitos, a quem carinhosamente chamo de "riquinhos", dizem que estão a ser tratados como "portugueses de segunda" quando, em situações análogas, as soluções encontradas foram outras.
"Portugueses de segunda" são aqueles que não era suposto ainda sê-lo, mercê dos despedimentos colectivos, da crónica miséria e dos baixos níveis de instrução - isso sim, são os que viajam em classe turística - quando não ficam apeados - e aos quais o Estado e os poderes públicos devem uma verdadeira explicação.
E, por uma questão de coerência, não nos esqueçamos ainda que o que é privado assim deve continuar - o "welfare state" nunca esteve cotado em bolsa, nem foi concebido para assegurar algo tão fútil e monstruoso como esse egoístico "retorno absoluto", ou lá o que é.
O "welfare state", por que agora clamam aqueles que quiseram e conseguiram, num jeito snob, provocar a sua falência, nunca serviu para o sucesso de apenas alguns, mas todos no geral, numa óptica de justa redistribuição e não de pacto leonino.
Por isso, tudo ponderado, não podemos aceitar conceitos como o excesso de democracia, a infantil validade pueril do voto em branco ou a simples abstenção ressabiada.
Todos temos direito a classe executiva, mas é preciso lutar por ela e dizer a estes sujeitos que as verdadeiras lutas democráticas têm que ver com algo mais do que fazer turismo.

segunda-feira, maio 25, 2009

Filhos da pauta 2.0



Sparks - Good Morning

Absolutamente genial.

quinta-feira, maio 21, 2009

Gira-Discos



Venerandos do Desembargo que me desculpem, mas foi com esta banda sonora que enderecei as competentes alegações.

Simplesmente excelente!

quinta-feira, abril 16, 2009

Reforma 2.0


Um sinal de progresso? Será que a reforma na Justiça está a ser feita em conformidade com a nova «ortographya»?

terça-feira, abril 14, 2009

segunda-feira, abril 13, 2009

O Duelo




Simplesmente genial!

sábado, abril 11, 2009

Twitt

Kasparov's favourite word: "Check".

O esférico rolando sobre a erva 2.0

E é assim. De facto, parece que de Espanha nem bom vento, nem bom casamento, nem bom treinador. Mas será que a culpa se pode resumir ao cliché habitual?

segunda-feira, março 30, 2009

Comemorações

Vale a pena ler esta notícia da imprensa regional.

segunda-feira, março 16, 2009

Ainda o Clubinho

Em parte concordo com o que aqui é dito.

sábado, março 14, 2009

Ficções 2.0

"Radio Free Albemuth" é um romance de ficção-científica, da autoria de Philip K. Dick, publicado em 1985. Brevemente resumido, o livro conta a história de Nicholas Brady, um indivíduo nascido e criado em Berkeley - mas que, a certa altura, se muda para Orange County -, e da sua luta contra uma América totalitária, entregue aos desmandos do tirano presidente Francis Fremont.
O propósito deste herói trágico começa a despontar no dia em que uma entidade extraterrestre entra em contacto rádio-telepático com ele, por via de um satélite que gira em órbita da terra há milhares de anos. Nestes seus diálogos com uma transcendência que nunca entrou "para as suas contas", Nicholas vê-se a braços com uma tarefa hercúlea: descodificar uma quantidade massiva de pistas que lhe são fornecidas, qual "download", por VALIS (Vast Active Living Intelligence System). Tudo com a finalidade de ele perceber qual o caminho mais certo para a tarefa que lhe foi cometida de libertar a América.
Ora, nesse mesmo processo, este protagonista, que contracena em discurso directo com o próprio autor da obra, confidencia-lhe que, na tentativa de compreender tudo quanto lhe é dito por essa voz oculta nos seus sonhos nocturnos, se viu obrigado a comprar a enciclopédia "Britannica".
Aparte o final dramático que se deixa à descoberta de todos os convivas da esplanada, este é o pormenor que me inspirou o presente post e relativamente ao qual esta pequena introdução apenas serve uma função contextualizante.
De facto, há já algum tempo que andava para lançar um même subordinado ao tema "antes do google". A analogia por ora proporcionada apenas me pareceu deliciosa. Passo a desenvolver.
Tendo em conta a data em que o romance foi publicado - 1985 - voltamos a uma época, não tão distante quanto isso, bem conhecida de todos com, pelo menos, 25 ou 26 anos, em que o processo pelo qual alguém adquiria informação era um pouco mais complexo do que clicar no botão do rato ou digitar uma entrada na barra de pesquisa do Google.
Com pelo menos duzentos anos de tradição, a bela da Enciclopédia sempre foi uma das ferramentas mais importantes para um conhecimento que se queria livresco, ainda que conciso, e mais ou menos rigoroso.
Uma espécie de mainframe de dados, em suporte de papel, dividida por grossos volumes que hoje se encontram compactados naquilo a que se veio a designar por "disco rígido".
Na verdade, e tomando como mero exemplo essa grande obra que era a "Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura", bastava saber procurar a entrada certa para adquirir um manancial de informação razoável acerca do tema que se pesquisava.
Mesmo quando não fosse esse motivo, a Enciclopédia dava sempre um toque decorativo ao lar de uma qualquer família que aspirasse a um suposto título de "gajos-cultos-até-têm-uma-enciclopédia".
Hoje nada é assim. Basta um laptop, uma ligação à net, e o problema está resolvido.
Não sei se me sinto muito bem com essa banalização, com a falta do ritual de ir à estante e procurar o tomo certo, procurar a entrada pretendida e ler... ler mesmo e não fazer um "scroll down".
Recordando, precisamente, com alguma nostalgia esses outros tempos, ainda recentes, não posso deixar de manifestar algum desagrado pelo desprezo a que foi votada a "Enciclopédia".
E quem diz a Enciclopédia, diz os livros ou qualquer outra forma escrita, em suporte de papel.
Será que não estaremos a perder dadas qualidades e a alimentar uma certa preguiça mental que nos faz apenas sentir apelo por aquilo que poderemos apreender quase por osmose - em contacto com um teclado, um rato e um monitor? Enfim, estupidamente rendidos às "tecnologias de informação".
De qualquer modo e à parte o toque vintage que me é querido,
Apenas quero, com este esboço de manifesto, que a Mariana, o Cachapa e o Ricardo falem, claro, de enciclopédias.

Arte 2.0

"Atlântico"
Rabiscos.

quinta-feira, março 12, 2009

Vigo, Alvalade e Allianz Arena

Há cerca de dez anos atrás, João Vieira Pinto pediu desculpa e não deixou de ser motivo de troça por parte de alguns.

Anteontem, a Administração da SAD do Sporting pediu desculpa pela maior derrota registada, em termos de agregado de eliminatória - doze golos, contra um - na Liga dos Campeões Europeus.

Engraçado, não é?

quinta-feira, março 05, 2009

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Valdevinos

segunda-feira, março 02, 2009

O Burlesco

Em tempos, já terminados, de folia, partidas e piadas, tomei nota de três eventos que venho agora partilhar com os convivas da Esplanada.
1. Uma carrinha da EMEL foi alvejada por um tiro de pressão de ar, em plena avenida lisboeta. De acordo com a reportagem transmitida, o seu condutor, também zeloso técnico daquela "bem-amada" empresa, estava a levar a cabo uma verificação aos parquímetros da zona quando ouviu um tiro e, quase logo de seguida, deu conta de uma amolgadela no veículo. Segundo declarações prestadas, o senhor funcionário só encontra uma explicação para o sucedido - retaliação. Retaliação alimentada por um qualquer ódio acumulado contra aquela instituição que tem por hábito bloquear viaturas sem título de estacionamento válido, colar faixas amarelas na pintura metalizada e, um dia destes, barrar alcatrão por cima do condutor faltoso e cobri-lo com penas. O que fica no meio disto tudo é uma singela nota de mesquinhez. Mesquinhez de quem proporcionou ao pesaroso agente-de-uma-autoridade-obscura os seus cinco minutos de fama, enquanto "vítima". Mesquinhez dele próprio ao atribuir, sem quaisquer provas, tal acção a algum grupo terrorista que visa a destruição do sistema de estacionamento urbano e das pessoas que por ele olham. Mesquinhez da agressão, em si, por ser apenas uma "chumbadazinha" pequenina. Bem que podia ter sido uma bombinha chinesa ou mesmo um estalinho...
2. Numa Feira do Livro em Braga, a PSP apreendeu um livro cuja capa continha uma imagem de um quadro de Courbet, em que a farta cabeleira inferior de uma senhora da vida pariesiense está exposta. Pornografia, senhores! Pornografia! Realmente, Braga não é cidade conhecida pelo seu Carnaval, algo remetido para locais tão "coloridos" como a Mealhada, Loulé ou até mesmo a Figueira da Foz.
Mas sempre devemos perguntar: algum bracarense assistiu àquelas manifestações artísticas de primeira água, que tentam trazer essa cor tão linda do país irmão que é o Brasil? Se foi, terá tentado queixar-se junto das autoridades? As autoridades, por seu lado, terão sentido, naquele fim-de-semana, um impetuoso desejo de autuar alguma das alegres moças brasileiras que por ali andaram, na atitude louvável de preservar a ordem pública, a moral e os bons costumes? Censurando todas as manifestações artísticas que firam o gosto do povo português? Aguardam-se as respostas.
3. À parte as brincadeiras de Torres Vedras, que motivaram a actuação do magistrado do MP daquela comarca, o certo é que o Magalhães é um computadorzinho como deve ser. O controlo parental é uma ferramenta vital no sentido de prevenir que os petizes comecem a sua formação como críticos de arte, nomeadamente pintura e escultura, podendo até acabar como coleccionadores de "Courbet's". Na verdade, actividades tão simples como navegar para a página do Google, não estão ao alcance dos pequenos proprietários daquela maravilha da técnica. Os únicos sites considerados como fidedignos, de acordo com a configuração originária, resumem-se a essas páginas altamente didácticas em que o Governo dá a conhecer aos putos e a seus pais todo o esforço de inovação que está a realizar para que Portugal ocupe o seu mais que devido lugar entre as Nações mais civilizadas da Europa.
O manual para configuração doméstica é disponibilizado num ficheiro em formato PDF, que poderá ser encontrado, depois de uma aturada busca no site do e-escolinha.
Tudo sempre com o conselho aos pais para que preservem a moral, os bons costumes e a ordem pública (não esquecendo o votozinho em quem é amigo, quiçá) - valores tão queridos ao povo português.
Deste modo, o balanço que se retira não pode deixar de ser positivo. Depois de uns meses cinzentões e chuvosos, eis que uma malta, foliona e bem-disposta que nem uns malandros, sentiu o calorzinho e veio para a rua jogar ao Carnaval. E assim o País virou burlesco.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

O Clubinho

Na década de oitenta, era eu um petiz com dez anos, surgiu um programa estatal chamado Inforjovem.

Produto de algumas mentes governativas da altura, o "Inforjovem", ao lado do "Cartão" - também Jovem - e dos programas ocupacionais para, precisamente, jovens e desempregados, marcava o início da modernização de um País, recém-admitido na Comunidade Europeia, que tentava superar aquele bicho estranho do "atraso estrutural", ainda tão, ironicamente, presente.

A sua finalidade era das mais louváveis e consubstanciava um dos mais importantes contributos para aquele tal esforço de modernização. De facto, dar a conhecer e ensinar os rudimentos da informática, numa altura em que nada do que estava disponível na área do software e hardware se revelava intuitivo ou até mesmo acessível em termos de gastos, só poderia querer dizer uma coisa: é compromisso sério e desígnio nacional que a todos os que virão a constituir uma parte considerável da população activa, no futuro próximo, seja proporcionado uma formação sólida e válida numa área que será preponderante na vida de todos, nos anos vindouros.

O Inforjovem assentava no financiamento comunitário, proporcionado pelos primeiros Quadros de Apoio concedidos ao Estado Português. A formação de monitores estava aberta a quem se candidatasse - de acordo com as condições legal e previamente estabelecidas -, havendo direito a remuneração. Na dependência do Instituto Português da Juventude, foram bastantes aqueles que manifestaram o seu desejo de pertencer ao projecto. E, aí, tenho para mim, foi quando tudo começou.

É que, não sei se é uma questão de mentalidade ou algo do género, mas neste pequeno jardim à beira-mar plantado, houve sempre uma certa propensão à constituição de esquemas "feudais" em que apenas alguns se apropriam - seja por influência, seja por posição, seja só porque sim - de tudo aquilo que, à partida, deve ser de todos. Mais, são esses mesmos sujeitos que, vêm, mais tarde, no que parece ser um gesto de benevolência e magnanimidade, dizer "isto é para todos... mas sob a nossa 'orientação'".

E, na verdade, com o Inforjovem parece-me que foi isso que aconteceu. Tal como sempre me pareceu que quem se associou ao projecto, soube insistir na suposta necessidade de contar sempre consigo. Como se o exercício de uma certa função fosse um direito inato apenas concedido a alguns "iluminados" - os "senhores da informática", que, nunca ninguém sabia muito bem de onde apareciam.

E o que sempre senti como escandoloso era o facto de essas mesmas pessoas estabelecerem regras não-escritas de admissão ao que se tinha tornado um "clubinho" de alguns. Realmente, não consigo entender de outro modo o facto de várias vezes ter-me inscrito num desses cursos de informática e, só à terceira vez, após insistência, ser-me cedido, qual graça ou privilégio, um lugar na turma em que tinha de partilhar um Amstrad, sem disco rígido, com outro colega.

Todo este desabafo pessoal, dando um qualquer mote introdutório, apenas serve para dizer que, ao que parece, o panorama não mudou assim tanto.

Num tempo em que a web é a linguagem de todos os dias, em que os Magalhães povoam as escolinhas e em que a experiência democrática passa pela rápida e fácil acessibilidade ao que sempre gostaram de chamar de "tecnologias da informação", aqueles senhores feudais, ainda que com outras caras e outro aspecto mais lavadinho, vêm insistindo em manter o seu lugar, ou a ilusão de um certo protagonismo, desesperados. "Se isto nos foge das mãos, é o desgoverno", devem, julgo eu, certamente pensar.

A prova mais gritante que serve para confortar a minha tese está numa frase que li no Twitter, há dias. Dizia alguém algo como "os novos ainda não sabem bem como isto funciona". Atentemos no seguinte:

1. O Twitter é uma rede social, como tantas outras existentes no ciberespaço, em que, à partida, ninguém realmente se conhece. Pessoalmente, já uso o Twitter há dois anos, e ainda cheguei a usufruir do sistema de updates por sms - algo que agora é incomportável - juntamente com um grupo de amigos
2. O seu acesso é gratuito e livre.
3. A todos os ali registados é garantido o direito à livre expressão - ainda que telegráfica - dos seus pensamentos e opiniões, apenas obedecendo às regras estabelecidas pelo fornecedor do serviço, para todos os efeitos, internacional.

Ora, de acordo com tais premissas, a distinção entre "novatos" e "antigos" é espúria e completamente idiota.

Não há nem tem que haver, como desejam alguns a meu ver, postos por antiguidade ou uma qualquer hierarquia a favor de quem se quer, simplesmente fazer notar para ganhar a vida.

Por outro lado, o destaque que alguns dão a este serviço de web 2.0 - uma coisa que já não é assim tão nova e complexa como querem fazer crer - leva muitas vezes a que um observador normal, que simplesmente não tem paciência para navegar muito, acredite que são tais sujeitos, portadores da novidade, os verdadeiros autores do invento.

Dito por outras palavras, abomino quem agora venha dar notícia de uma "coisa muito gira" ao mesmo tempo que tenta criar e impor as suas regras a todos os outros que, à partida, porque com net em casa e computador, são tidos, para o fornecedor do serviço, como sujeitos seus iguais.

E se se tornar difícil perceber o que estou a tentar dizer, apenas peço que se lembrem do que aconteceu com a invenção da imprensa. Se anteriormente ao Senhor Guttenberg, apenas os monges e membros do clero detinham o poder do conhecimento - sendo até considerados por errónea associação como os Autores da "República", ou da "Comédia", ou qualquer outra obra da Antiguidade -, depois do aparecimento massivo das primeiras prensas mecânicas, isso mudou radicalmente. O que veio, precisamente, causar algum desconforto e feridas de orgulho - quando não outras mais graves - a quem se achava perpetuado numa qualquer posição de arauto.

E mesmo se quisermos um exemplo mais recente, olhe-se para a blogosfera. Hoje em dia, há quem se dê ao trabalho de recomendar blogues, quase como que elaborando uma "Vulgata" do que deve ser lido, estreitando o espírito crítico, o gosto pessoal, limitando o que deve ser uma experiência livre e acima de tudo esteticamente íntima.

Por tudo, penso ser apropriado concluir, em modo de protesto: "Abaixo o Clubinho! Computadores para o Povo! A net é de quem nela navega!"

Um manifesto na Esplanada.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Super Trooper preview

A concepção da ideia teve uma preciosa cúmplice, nomeadamente ao nível do artista.

A qualidade do vídeo e a "amadora" - eufemismo - realização são da minha inteira responsabilidade.

terça-feira, janeiro 06, 2009

O meu Balanço de 2008


Um dos rituais a que já nos habituámos por esta altura, nas televisões, nos jornais e na net, é o da passagem-em-revista do ano que finda. Os acontecimentos desportivos, políticos, culturais e sociais mais marcantes são colocados em top's e para todos eles não falta um comentador, uma análise detalhada e uma projecção para um futuro próximo das suas possíveis e eventuais implicações.
Ora, juntando-me a tal exercício, não podia deixar de eleger o "meu" acontecimento de 2008 - nem mais nem menos do que a Lei Anti-Tabaco.
Há um ano atrás, as expectativas de uns tantos desabridos não-fumadores zelotes eram grandes. De um momento para outro, lembraram-se tais sujeitos de reivindicar os seus direitos, durante tanto tempo ou mesmo desde sempre, "marginalizados".
Quase num espírito de "jihad", a que se aliava um sentimento mesquinho de "censura pidesca" - tão caro a um certo modo de ser português (suave?) -, essa nova classe social da "malta saudável" tomou como uma espécie de compromisso paternalista zelar pela salubridade de todos os espaços livres de fumo e encetar os esforços necessários para que todos os fumadores se vissem arredados da frequência de qualquer estabelecimento, que, para todos os efeitos e mesmo contrariando a vontade do seu putativo proprietário, nunca poderia vir a optar por ser um reduto de prazeres sociais que passariam a não constar da lista do "bom-gosto" ou do "modo de vida saudável" aprovado.
De qualquer modo, foi com profundo prazer e regozijo notar que, um ano passado, venceu o bom-senso, uma certa coragem e a boa-educação.
O bom-senso de todos aqueles que souberam atribuir a conceitos legais e abstractos a adaptação material a cada caso concreto, como é imposto num Estado-de-direito democrático. De facto, esteve bem quem pugnou por atalhar caminho até à essência das coisas e ver num sistema de ventilação, isso mesmo: um sistema de ventilação capaz e que assegurava os parâmetros de qualidade do ar agora exigidos, não necessitando de ser, ao invés, algum modelo que ainda estivesse para ser inventado, criando assim uma impossibilidade prática, forçando o mais que querido resultado de que, por decreto, mais ninguém viesse a fumar num café que, legalmente, tendo as dimensões exigidas, poderia optar por ser para fumadores.
Uma certa coragem dos empresários hoteleiros em "desapertar os cordões à bolsa" e fazer as adaptações necessárias aos seus espaços, no sentido de conservar a sua clientela fumadora, rentabilizar o negócio e recriar assim os espaços de convívio de que sempre foram - e querem continuar a ser - proprietários.
A boa-educação dos fumadores por terem sabido sempre responder com elevação e merecida indiferença à provocaçãozinha, aos olhares reprovadores e vigilantes destes novos guardiões da moral e da vida correcta, que, pela primeira vez na vida, viam, no seu desejo de serem conhecidos, os méritos pessoais e privados dignos de medalha e elevados a cartilha de conduta a ser imposta a outros, pobres coitados, transviados do bom caminho.
Um ano passou e devo dizer que esta Lei em nada me incomodou, enquanto fumador. Os espaços que optaram por ser livres de fumo, deixei-os de frequentar; troquei-os por aqueles que continuaram a permitir-me degustar o meu "SG", ao sabor de uma bica e de uma água com gás, fazendo aí a necessária despesa.
Nas saídas à noite, não me faltaram os bares com bom ambiente, boa música e, claro está, o já conhecido dístico azul.
No que toca aos restaurantes, foi uma questão de hábito, mas graças às listas que todos nós fumadores fomos publicando, tive a hipótese de escolher sempre onde me viria sentir melhor e livre de puxar do isqueiro e do maço.
No fundo, é com uma grande "barrigada de riso" que me recordo, por exemplo, de seguranças de centros comerciais prontamente virem advertir as pessoas que ali não podiam fumar, quando elas apenas traziam na mão um cigarro... apagado! Mas centros comerciais, são centros comerciais e, no fim de contas, é algo que não me atrai. Ao ver a mole humana que por ali pulula, alienada, sem ideias, sem futuro e "quase-esponja" consumista - mas saudável... - a minha primeira reacção é fugir. Fique a malta saudável com o seu passeiozinho de fim-de-semana, que isso não me interessa para nada.
Balanço feito, posso, pois, concluir: se pensavam que iriam ensinar lições de boa vida e bem-estar a alguém, mesmo contra a sua vontade, enganaram-se. Há sempre alguém que sabe pensar! "So much for the virtue"!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Filhos da Pauta IV

Madredeus? Não... Deolinda. Uma verdadeira surpresa!

Com os votos de um Excelente Ano para todos.

domingo, dezembro 28, 2008

O meu super-poder

Lançado o desafio pelo Cachapa, cumpre-me hoje dissertar acerca de um super-poder que eu gostasse de ter. Ora, se, a princípio, a tarefa até se afigura como simples, a verdade é que está muito longe de tal condição. De facto, ao assumir-me abertamente como um fã confesso de todo o Universo Star Wars, ao jeito da Mariana, devo igualmente acrescentar que me rendo por completo ao "Dark Side of the Force" e ao modo de ser dos Sith Lords. Deste modo, ao não poder dominar, para efeitos do presente post, todas as artes dos pérfidos senhores, a minha preferência vai para o Force Ligthning.
Este é um poder do lado negro da força destinado única e exclusivamente a provocar dor e sofrimento físico no oponente, levando-o a quebrar todas as suas resistências. Algo muito desagradável no seu extremo.

Em quem usaria este poder:

1. Operadores de call-center: por cada resposta idiota e standardizada que me dessem, de acordo com a formação que receberam em várias sessões, saberiam que do outro lado da linha estava alguém que não tolera ser tido como pacóvio.
2. Funcionários Públicos: por cada vez que se tentassem esquivar na mais que aguardada resolução de um problema que lhes colocasse ao balcão de uma qualquer repartição em que os mesmos parecem habitar naquele seu modo de estar bafiento e acéfalo.
3. Traseuntes de Centros Comerciais: que nenhum se atrevesse a bloquear-me o caminho com o seu carrinho de compras e o seu ar de fuinha.
4. Engraçadinhos - cabendo nesta categoria todos os empregados de mesa ou mancebos com ar de marialva: por cada piada básica, eles sentiriam todo o poder do Lado Negro da Força.
5. Operadoras de Caixa de Hipermercados: pensem bem antes de me perguntar pela milionésima vez se eu tenho Cartão Desconto!
6. O Campino: não volte a perguntar-me, com aquele ar de mal encarado, se eu desejo "tomar mais alguma coisa", quando já sabe a resposta.
7. Os "Bem-Sucedidos": por todas as vezes que se pusessem à minha frente, naquele seu ar pedante e estupidamente exibicionista, em qualquer estabelecimento público que frequento, saberiam o que isso lhes custaria.
8. Funcionários dos CTT: vamos lá ver se falam baixinho, apondo apenas as devidas estampilhas nos sobrescritos.
9. Máquinas de Tabaco: seria agradável que estivessem sempre aprovisionadas com a marca que fumo, para que não houvesse grande prejuízo.
10. Malta Saudável: que nem se atrevessem a tossir à minha beira por cada vez que acendo um cigarro, ou se pusessem com ar de enojados e de falsa santidade a olhar para um verdadeiro apreciador de pequenos prazeres e vícios.

Em todos os casos, é mais que certo que os avisava primeiro: "So be it... Idiot!"

Como regra de "meme", lanço o desafio ao Augusto.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Natal

O verdadeiro vintage de Natal!

terça-feira, dezembro 16, 2008

Live

A propósito destes senhores, o vídeo que faltava.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Puro Vintage VI


A certa altura do ano, depois do regresso à escola e dos magustos, quando o frio já começava a apertar e a chuva era uma presença constante, Alexandre sabia que estava para breve um tempo mágico. Guiado pela mão da sua Mãe, que frequentemente acompanhava nas compras para a casa, entrava no supermercado de sempre e a mudança estava dada. Logo ali, nas primeiras prateleiras da entrada, expostos em série, os brinquedos acabados de chegar davam um novo ar, muito mais apetecível e acolhedor, ao espaço de sempre.

Com um ar solene e contemplativo, Alexandre procurava devorar com os olhos tudo aquilo em que as suas mãos não podiam tocar. "Não se pode mexer", dizia a sua mãe, sob o olhar atento e aprovador da dona do estabelecimento, vigilante e preocupada com o eventual prejuízo causado por um petiz naturalmente encantado e inquieto com tanto brilho, tanta novidade, que desejava alcançar. Carros a pilhas, construções, soldadinhos de chumbo, aviões, robôs eram para ele como arcas de tesouro, encerrando em si inúmeras estórias de aventura que ia construindo em sonhos despertos. Nuns outros tantos caixotes, ainda por abrir, Alexandre sabia existirem ainda mais pequenas maravilhas destas.

Àquela altura, já tinha trocado algumas impressões com os seus colegas acerca do que pedir no Natal. Agora, essa mesma lista de desejos estava a ser reformulada. Por outro lado, também comparava mentalmente, com acutilante sentido crítico, tudo o que ali via com outros brinquedos, vistos na sua cidade natal, no shopping de uma grande rua, à noite, após sair de casa dos seus avós que lá viviam.

Por fim, chegaria sempre à conclusão de que, entre uns e outros, o importante era conservá-los bem estimados (sim, porque prezava muito a sua fama de coleccionador zeloso e importado), na gaveta que tinha no roupeiro do seu quarto.

Contudo, neste seu alvoroço interior havia sempre espaço para outros desejos, para já bem mais fáceis de satisfazer, sabendo que ainda era cedo para qualquer decisão dos seus pais (eram eles que falavam com o Menino Jesus, segundo a sua mãe), quanto às prendas que apareceriam na chaminé da cozinha ou até mesmo na da sala dos seus avós. Assim, acto contínuo, Alexandre virava-se para a sua mãe e dizia baixinho "Quero um pai-natal" ou "Quero um carro de chocolate". Depois de alguns protestos pedagógicos, que nunca o deixavam de envergonhar porque eram ditos um pouco alto demais, o seu pedido era satisfeito. Em gestos cuidadosos, ia desembrulhando o papel de prata estampado que cobria a figura oca e castanha. Numa dentada, aquele doce sabor quente deixava-o entusiasmado, contente e um pouco mais sôfrego para os pedaços seguintes. Com grande parcimónia, contrária à idade de infante que tinha, procurava não sujar as mãos conforme o chocolate se ia derretendo. "Não te sujes!" - a advertência que mais ouvia.

Mas este era o seu pequeno momento de prazer e ninguém o perturbaria. Ainda a olhar para os brinquedos, crescia nele a esperança de que algum deles, ainda que o mais pequeno, seria seu. Mas o que realmente interessava, algo lho dizia, era viver, respirar aquele tempo, aquela magia.
Chocolate comido, prata cuidadosamente metida no bolso, qual recordação daqueles instantes de genuíno e inocente entusiasmo, Alexandre encaminhava-se para o pé da sua mãe, que já o chamava, e lá ia para casa. Sentia-se Feliz.

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Rabanada

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Natal dos Fumadores

No Café da terra...
Será que a ASAE não tem nada a dizer quanto à mensagem que pode estar a ser passada?

terça-feira, dezembro 02, 2008

Com a nostalgia devida a um futuro desejado e que não deve tardar.
Viva El-Rei, viva Portugal!

segunda-feira, novembro 10, 2008

Peças de Música

No dia em que a SIC deu destaque à PLUG, aproveito para deixar aqui nota de um conjunto de fotografias, no mínimo, geniais. Só para fãs de música e de legos.

De qualquer modo sempre direi - "eu é mais naves e legos do espaço, não é?"

quinta-feira, novembro 06, 2008

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Tartufo

A verdadeira mudança em que podemos acreditar...

Para as próximas noites eleitorais, julgo que a SIC Notícias está a pensar em substituir o Nuno Rogeiro pelo R2-D2 e o Luís Costa Ribas pela Princesa Leia.

quinta-feira, outubro 30, 2008

A ignorância premiada

A 4ª Dinastia de Portugal, também cognominada de Dinastia de Bragança, poderá ser a menos bem conhecida de todos aqueles que, neste nosso Portugal Moderno, tendo estudado a História Lusa, nunca chegaram, contudo, ao final dos manuais. De qualquer modo, isso nunca poderá servir de desculpa a certos "erros"cometidos por quem se propõe, além de distrair, ensinar.
Servem estas breves considerações para dar aqui notícia da "calinada" que acabei de ver, há pouco, no concurso "Jogo Duplo", apresentado pelo bonifácio José Carlos Malato. De facto, à pergunta "Quem sucedeu a D. José I?", apresentaram-se, três respostas possíveis, duas delas com os nomes de D. Maria I e D. João V. Tendo eu aventado, prontamente, da minha mesa de café, o nome da Soberana que equilibrou a nossa balança comercial externa, não me chegou para espanto o facto de ter visto como resposta correcta "D. João V". Mais, houve quem tenha ganho dinheiro, tendo escolhido tal opção.
Enfim... Provavelmente num tempo em que as "novas oportunidades" vão premiando a ignorância e o facilitismo, tal enormidade devia ser tida para mim como algo perfeitamente normal.
Afinal, que culpa terá a produção do concurso por ser ignorante?
Acima de tudo, é injusto que se apelide de "besta quadrada" o néscio - passe a redundância - que definiu, informaticamente, essa resposta como certa. E isto porque, para todos os efeitos, estamos a viver o Tempo do Magalhães, onde as verdades do computador são indiscutíveis dogmas produzidos por uma qualquer inteligência artificial, nossa substituta.
No final de tudo, resta-me, pois, pedir desculpa pelo desabafo. Mas, "burro velho não aprende línguas" e que custa ver tais coisas, lá isso custa.

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Tergiversar

segunda-feira, outubro 27, 2008

Filhos da Pauta


Apesar de a menina (Regina Spektor) fazer campanha pelo Senador Obama - o que vai um pouco contra as minhas preferências -, não deixo de querer partilhar com os convivas da esplanada o que me parece ser uma excelente banda sonora para que as tardes de Outono se tornem agradáveis. Mesmo quando anoitece mais cedo.

domingo, outubro 26, 2008

Já agora, vamos dar uma vista de olhos...


Esta notícia faz-me perguntar que tipo de especulações teriam congeminado as autoridades americanas se o famoso canalizador mais não fosse do que uma simples metáfora usada por John McCain, no terceiro e último debate presidencial.

Haja limites, meus senhores! A bem da sanidade colectiva!

quarta-feira, outubro 22, 2008

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Almotolia

segunda-feira, outubro 20, 2008

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Caramujo

s. m., Zool.,
pequeno molusco marítimo univalve;
burrié;
doença das salinas causada pela presença daquele molusco;ant.,
designação de obra de talha em S ou caracol com que eram rematados os leques ou rodas de proa de alguns navios;
espécie de repolho (couve);

domingo, outubro 19, 2008

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Salsaparrilha

Salsaparrilha: arbusto da família das Liláceas...

sexta-feira, outubro 17, 2008

TAgS MOsAiK


Numa esplanada como esta, a essência reside nas conversas que se lançam, nos motes que se glosam, nas discussões que surgem e nas conclusões possíveis a que sempre se pode chegar. Como argamassa de tal exercício, as palavras consubstanciam esses propósitos. E, em forma gráfica, realmente o que surge pode muito bem ser um mosaico de termos avulsos expostos em tal "mercado" de ideias.


Especialmente desenhado para a esplanada, pela Mariana.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Glossário Avulso

Palavra de hoje - Didascálias

terça-feira, outubro 14, 2008

Então vá, fica bem!

Um dos hábitos que me vem intrigando desde sempre nos filmes americanos é aquele de, numa conversa telefónica, um dos interlocutores desligar o telefone na cara do outro sem se despedir. É que nem um "adeus", um "até breve", ou um "até amanhã" sequer. Isto para já não falar das expressões de afecto mais íntimas que costumam ser empregues em certas situações - seja com o(a) namorado(a), seja com os pais ou com amigos. No mínimo, tal comportamento revela falta de educação.
No entanto, ao pensar nesta questão, no intuito de a trazer à conversa, resolvi fazer uma pesquisa pelo google subordinada à seguinte expressão - hanging up the phone without goodbye.
Dado o primeiro resultado que encontrei, noto com curiosidade que não sou o único que se interroga sobre tal "despautério". O debate, aqui.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Vintage Geek II

Um dos aspectos que mais me atrai na visão futurista que se teve do mundo nas décadas de '50 e '60 - como certamente nas que lhes antecederam - é a versatilidade com que os autores das ideias mais arrojadas exprimiram o que ainda seriam projectos um tanto ou quanto difíceis de alcançar.

Mas realmente é vendo tal criatividade, tal capacidade de pensar "mais à frente", ainda que com os meios disponíveis na altura, que me interrogo muitas vezes se, actualmente - num tempo em que o "dado" e o "construído" ditam os cânones da concepção - vamos sendo capazes de fazer o mesmo.

Muito bem lembrado por quem também gosta destas "geekices".

terça-feira, setembro 30, 2008

Super Trouper

No meu currículo cinéfilo, contam-se pelos dedos de uma mão os musicais que vi. Na verdade, não é um género que me fascine muito, uma vez que a maior parte do tempo é passado a dançar e a cantar, não havendo grande trama dramática, mas apenas muitas carinhas estupidamente bem dispostas.

Contudo, este é o filme que, segundo os meus cânones estéticos, constitui essa sublime excepção. Mama Mia relata uma aventura de descoberta, reencontro e amores perdidos em anos já passados, quando a distância não se media por mensagens de telemóvel ou até mesmo correios electrónicos. Amores de Verão que realmente possuíam esse toque de lenda e nostalgia, traduzidos em vagas promessas de regresso. Um regresso que, no caso do filme, acaba por ser imposto por quem não se contenta em viver como "filha de pai incógnito"!

De facto, é nas vésperas do seu casamento com um garboso grego - não muito ao estilo de Zorba, é certo - que Sophie (Amanda Seyfried) decide vasculhar o passado da sua mãe Donna (Meryl Streep), para descobrir quem, afinal de contas, será o seu pai. Como termo final das investigações, a jovem decide convidar os três candidatos mais prováveis para o seu casamento. E aqui as peripécias mais divertidas começam a acontecer.

Com música dos ABBA, helénicos cenários e interpretações geniais de Pierce Brosnan e Colin Firth - pois descobrimos os seus talentos para as cantigas -, Mamma Mia nunca poderia deixar de me agradar. Uma pérola do revivalismo, cheia de clichés, mas que, mesmo assim, mais do que distrair, refresca - tal e qual como no fim do filme.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Decisões, Decisões

De quatro em quatro anos é assim.

Em tempos de campanha para a Sala Oval, a genial Comedy Central lança a sua rubrica especial - Indecision, neste caso, 2008. É neste contexto que um sem número de jogos, relacionados com certos aspectos da política norte-americana, fica à disposição de todos aqueles que, numa vertente mais descontraída, gostam de analisar os rumos possíveis da política nas terras do Tio Sam. Ainda que preferencialmente virada para o "lado doméstico", como afinal não podia deixar de ser, esta abordagem pretende combinar a sátira acerca da hipocrisia dos políticos com momentos de pura descontracção (os jogos de flash na web são para isso mesmo, certo?). Deste modo, temos preocupações ambientais e ambições de crescimento sustentado, aumento de riqueza, bem-estar e conforto a dar o mote para simples jogos de estratégia que proporcionam momentos em que podemos, como eles dizem, "have fun".

Por vezes, parece mesmo que a política, para eles do lado de lá do Atlântico, é um jogo.

segunda-feira, setembro 22, 2008

No Castelo, tachos e panelas

Depois do Cancioneiro de D. Dinis, eis que nos chegam as receitas de Ricardo II de Inglaterra. Para quem quiser perder algum tempo na cozinha e saborear prazeres de outros tempos, o "Forme of Cury" chega agora à edição online.
Mais de duzentos pratos que foram preparados nas Cozinhas Reais, encontram-se à disposição de qualquer um de nós, meros plebeus, para dar uma nota temática a um qualquer jantar de bom convívio e puro desfrute gourmet. Uma coisa, no entanto, fica garantida: não serão refeições "levezinhas".
Mais pormenores aqui.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Sons que ficam

Aprendi a gostar de Pink Foyd um pouco tarde. Provavelmente a dar sentido ao slogan, "primeiro estranha-se, depois entranha-se"! De qualquer modo, a homenagem mais que devida a Richard Wright, trazendo à memória a noite que mostrou o que podia ter acontecido, caso tivessem continuado com a formação inicial. Geniais, simplesmente!

sexta-feira, setembro 12, 2008

Puro Vintage V

Com ar pensativo, estática junto aos lábios a bica que segurava entre o polegar e o indicador esquerdos, Óscar tentava tomar uma decisão.
Quem lhe dera que todos os jogos fossem "derbies" ou, pelo menos, entre equipas mais conhecidas. A Segunda Divisão B ou até certos desafios da UEFA não eram muito com ele. De qualquer modo, era sempre o mesmo... Um, xis ou dois? A dúvida que se impunha.

"Belenenses - Vitória de Setúbal"... A escolha era complicada e Óscar não pretendia arriscar o seu dinheiro, previamente contado, numa "dupla", temendo que lhe viesse a faltar para poder apôr a mesma combinação num qualquer outro recontro ainda mais imprevisível. Até porque "A Bola" tinha vindo a dar preferência, nas suas edições semanais, aos bravos do Restelo, que, por esses dias, iam aproveitando o entusiasmo proporcionado pela goleada conseguida sobre o Sporting. Talvez "1" fosse a escolha mais acertada.

No "Boavista -Benfica", a cruzinha feita com a esferográfica era mecânica e tão natural como o gole que Óscar acabava de dar no seu café, pousando a chávena logo de seguida, em jeito de desembaraço. A quadrícula do símbolo "2", devidamente assinalada. De aquilinos gostos e paixões, Óscar tinha sempre fé... Fosse qual fosse o rival do seu Glorioso, o triunfo deste, pelo menos na sua vontade - umas vezes clinicamente certeira, outras apenas clubisticamente convicta - já estava garantido.

"Porto - Vitória de Guimarães"... Para mau grado seu, os rapazes do Pedroto andavam a dar cartas. Mas o Vitória também tinha surpreendido tudo e todos há duas jornadas atrás com uma reviravolta estonteante, num jogo a contar para a Taça. O miúdo que lá tinham agora no meio campo havia de ir longe. Pelo menos era o que diziam. Deste modo, para este duelo nortenho Óscar ia cometer um pequeno desvario, apostando uma "tripla". Em qualquer dos cenários ganharia. Enfim... O campeonato estava renhido este ano. Que mais se podia fazer?

Completando o resto das quadrículas, consoante a sua acutilante intuição de "treinador de bancada", comportando em si toda uma certa ciência e saber, Óscar conservava um semblante prazeroso. Nunca se sabia... Podia ser desta vez que o seu gosto pelo "esférico rolando sobre a erva" lhe trouxesse uma alegria que realmente pesasse na carteira, em seu proveito.

Num gesto decidido, circunspecto - de acordo com a solenidade exigida para o momento -, Óscar levantava-se da sua mesa habitual na Cervejaria "Marquês", acenava ao Sr. Gomes - proprietário - e acorria ao balcão para pagar a despesa e "meter" o seu Totobola. O tempo, agora, já não era para dúvidas, mas para acreditar, mesmo que a medo miudinho. Depois logo se veria... No Domingo, junto à telefonia, talvez quem viesse a marcar o Golo d'Ouro fosse ele!

quinta-feira, setembro 11, 2008

Dúvida


Os hadrões são aqueles sujeitos que andam a assaltar postos de combustível e caixas multibanco, não são?

Para uma abordagem mais geek é ler aqui.

Memória

Esperando melhores dias, em que a estupidez de uns não se encontre com a arrogância grotesca de outros.

À memória de outros tempos, em que o Mundo era um lugar mais sensato.

terça-feira, setembro 09, 2008

You're Mr. Stevens, the head of catering!

E se na Estrela da Morte houvesse um refeitório?

O original aqui.

segunda-feira, setembro 08, 2008

...Mais que mil palavras. Ou não!


A experiência proporcionada por todos os meios telemáticos disponíveis nos dias de hoje deveria, certamente, possuir determinados pressupostos bem assentes, a que poderíamos chamar, como chamamos, as "regras do jogo". Contudo, com o surgimento de alguns recursos pertencentes àquela mesma categoria, damo-nos conta de que "fazer batota" também é possível (provavelmente dada a nossa eterna condição humana).

E de facto, é do que esta imagem trata. A burla foi protagonizada por dois jovens veraneantes e amantes dessa actividade que se resume, como alguém me disse há pouco tempo na Ilha Terceira (o paternalismo sai caro...), a "ver peixinhos". E, na verdade, penso que nem Spielberg conseguiu tanto realismo com o seu velho "Jaws", que sempre me pareceu um boneco insuflável ou colchão de praia gigante com a forma de tubarão assassino.

Mas se esta manipulação não comporta em si qualquer mal de maior, outras existem que dão realmente em que pensar. É que, no imediatismo dos nossos tempos contemporâneos, as imagens valem por si e assumem-se como o produto com a maior quota do mercado das ideias. São fáceis de absorver e satisfazem qualquer S. Tomé, já conformado com o facto de muitas vezes não poder encontrar-se em condições de "tocar" o objecto das suas dúvidas.

E se os motivos que presidem à sua recolha - ou em qualquer caso, criação - não forem os melhores, isso reflectir-se-á em tudo aquilo que se quer dar a conhecer (ainda estou para saber o que se passou concretamente no Estádio Olímpico de Pequim, aquando das cerimónias de abertura dos Jogos).

Qual prospecto de ajuda para aferir de eventuais intrujices futuras que se nos apresentem, ou simples curiosidade mediática, o Telegraph publicou as vinte melhores fotografias manipuladas, onde esta mesma se inclui. Vale a pena dar uma vista de olhos.

quarta-feira, setembro 03, 2008

By Your Command

Para quem continua fã... De "legos do espaço".

quinta-feira, agosto 28, 2008

Porque pelas estradas do Texas, também se chega a Big Sur.

A Banda Sonora desta tarde.

Parabéns ;)

quarta-feira, agosto 27, 2008

Cais Do Negrito

Para a memória de um Agosto memorável e aumentando a nostalgia de um Setembro que se vive para recordar...

(Mas também já dizia o outro que "recordar é viver"... em Setembro!)

sábado, agosto 23, 2008

Ouro e Prata


Apesar das desculpas de alguns, ditadas por um claro egocentrismo narcisístico e quiçá até algum provincianismo bacoco e complexado;

Apesar da hipocrisia de outros, habituados a um "tachismo" deslumbrado e que os faz crer que certos cargos públicos mais não têm que ser senão os seus feudozinhos privados;

Apesar, enfim, de uma triste pequenez que teimam em impôr, o certo é que, com um salto para a frente (para muito à frente) e uma vontade indómita, estes são, verdadeiramente, os NOSSOS HERÓIS!
Obrigado por me terem mostrado que continua a valer a pena acreditar em PORTUGAL! Hoje e sempre.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Até à volta

Onde todos os sonhos são vividos! Até à volta!
Baía de Angra, Ilha Terceira

A Jack Kerouac

Para quem conhece, percebe porquê...
Biscoitos, Ilha Terceira

terça-feira, agosto 19, 2008

A Montanha Mágica


Após um entardecer envolto em bruma, o amanhecer esperado.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Verão III

Queremos ainda mais Verão!!!
Cais do Negrito, Terceira, Açores

terça-feira, agosto 05, 2008

Verão II

Para mais um toque de vintage neste Verão.

sexta-feira, julho 25, 2008

Puro Vintage IV


Pelo começo do Verão, à chegada da sardinha assada - que, desde sempre, fazia as delícias dos fiéis que prestavam culto ao três santos mais porreiros, porque populares -, Pedrito sabia que estava para breve.
No café do senhor Antunes, o momento adquiria, de facto, bastante solenidade, a principiar pela chegada do fornecedor que saía da carrinha frigorífica com um ar de poucos amigos e imbuído do espírito de sacrificado proletário.
Depois, com a ajuda do já referido proprietário hoteleiro, principal interessado na encomenda, ambos arrumavam as caixas de cartão dentro da arca congeladora de sempre - fundo branco e riscas vermelhas, com um logotipo azul, podendo ler-se a palavra de saudação mais traduzida em todo o mundo, ali tornada marca comercial.
Tudo devia ficar bem acondicionado para que, durante três meses, nada se estragasse ou partisse.
Por fim, conferidas as guias e facturas, o fornecedor retornava à sua carrinha para ir buscar o devido brinde e adereço publicitário mais aguardado - a nova carta dos gelados!
Pedrito e os seus amigos nunca se cansavam deste rito anual, típico da altura do estio, satisfazendo logo ali, em jeito contemplativo, uma curiosidade que prenunciava belas tardes, conseguidas, certamente, com algum custo.
Na verdade, era preciso ser-se bonzinho, portar-se bem; fazer todos os recados que os pais lhes ordenassem. No fim, a recompensa, contudo, lá chegava. "Toma lá dinheiro para ires comer um gelado" - a frase que melhor sabia ouvir.
No final do primeiro mês, seguindo as gravuras apreçadas na tal carta, colocada em expositor junto da arca, cada um dos amigos de Pedrito, ia conferindo quais as novidades já experimentadas e saboreadas, dando conta da falta de outras tantas ainda a carecer de verdadeira e entendida prova. Dentro em pouco chegaria Setembro - já depois da praia - e os ares de escola, realmente, não tinham muito que ver com estes devaneios.
Para Pedrito, as suas prioridades eram simples. Por entre sorvetes de água, gelo com aromas de morango, limão e cola - ideais para tardes passadas à beira de piscinas descobertas e perdidas ao tórrido sol (mesmo ali ao fundo do bairro) -, Pedrito, miúdo de hábitos muito próprios, já tinha votado no seu predilecto.
Ao rasgar, no topo, a folha de papel e tirando a pequena tampa circular que o cobria, logo ali estava aquele seu cone recheado, pronto a fazer as suas delícias. Primeiro vinha o amendoim, estaladiço e torrado, depois, inevitavelmente, as natas frias e aquele glacial e crocante chocolate de leite. Ao chegar já à parte da bolacha de baunilha - melhor ainda que a sua congénere "americana" - o tempo era de fazer render e poupar, porque logo depois o momento de inocente e alegre prazer chegaria ao fim.
Por vezes, a testa ficava fria, numa leve dor provocada pela sofreguidão que levava ao choque térmico. Contudo, também isso passava numa breve pausa e mais uma dentada era desferida com entusiasmo redobrado.
Ao mesmo tempo, entre os convivas de palmo e meio, falava-se de aventuras, caças ao tesouro, mistérios sobre mouras encantadas ou façanhas de "cowboys" e corridas de bicicleta, intercaladas por alguns toques de bola e troca de cromos.
Para Pedrito, os dias eram grandes como as férias - a viver repletas de pequenos e refrescantes prazeres que, ainda assim, não saciavam tal sede de pura Felicidade.


Um clássico contemporâneo dedicado ao Verão e um tributo aos mistérios de outros tempos.

quarta-feira, julho 23, 2008

Ficções

"Do androids dream of electric sheep?" - esta a pergunta que serve de mote - e bem assim, de título - ao clássico da ficção científica escrito na década de sessenta do século passado, por Philip K. Dick.
Transposto para a Sétima Arte por Ridley Scott, com o nome de "Blade Runner - Perigo Iminente", o romance conta a história de Rick Deckard (Harrison Ford), um oficial da polícia de S. Francisco e caçador de prémios. O seu trabalho, "retirar" o maior número possível de andróides humanóides, em fuga dos mundos coloniais, não registados nas Companhias que os produzem, para uma Terra devastada pela Guerra Mundial de 1992.
E é precisamente pela demanda de Rick Deckard que nos vamos apercebendo de um dos elementos-chave do cenário cultural em que a trama se passa. Na sua actividade de "assassino licenciado e remunerado", tendo como alvo tais "imitações" da vida humana, Deckard anseia, pelo menos no início de tudo (no fim contenta-se com um batráquio artificial), ganhar dinheiro suficiente para comprar um animal vivo, verdadeiro - o símbolo genuíno de alto estatuto social e meio único para alcançar alguma felicidade num mundo à beira da extinção - sequela natural de um holocausto nuclear ainda a digerir por todos quantos cá ficaram. Deste modo, ao ganhar o prémio pela captura do primeiro dos Nexus-6 (último modelo de andróide) que com ele se vão inevitavelmente cruzando, Rick usa-o para a compra de uma cabra núbia - a digna sucessora do seu carneiro eléctrico que tem partilhado, nos últimos anos, o telhado do prédio onde reside com um poltro Percheron, verdadeiro, propriedade do seu vizinho. Contudo, tal aquisição - altamente dispendiosa de acordo com o catálogo da Sydney que Deckard traz sempre consigo - é logo deitada por terra, literalmente. Rachel Rosen, também uma Nexus-6, ao dar-se conta de que sempre ocupa o último lugar na escala de empatia pessoal do nosso herói, inconformada com isso mesmo, empurra a cabra de Deckard, prédio abaixo, matando-a, claro está.
Ora, foi a pensar nesta história, assim brevemente resumida - tendo acabado, recentemente, de ler o livro - que aqui há dias me deparei com este simpático e sorridente gnomo de cerâmica, no café onde costumo ir, cá na Sertã.
Ao subir as escadas que dão acesso à parte mais recatada do estabelecimento, esta sorridente personagem, lá está, "eléctrica" e dotada de um qualquer sensor de movimento, logo garbosamente assobia, em jeito de piropo, ao cliente que se assoma a uma mesa para tomar uma bica ou beber uma água.
E se o assobio pudesse fazer realmente lembrar um tropical papagaio, verdadeiro, certo seria que tal estado de coisas só traria dores de cabeça ao proprietário do estabelecimento. Senão vejamos: que proprietário de estabelecimento hoteleiro se arriscaria, nos dias que correm, a abrilhantar o seu espaço com um exemplar deste tipo de aves tão astutas? A resposta: nenhum. Na verdade, o mais provável seria a pronta autuação, pelas entidades fiscalizadoras da salubridade e do gosto, de tais prevaricadores das normas higiénicas ditas "vigentes".
Assim, aqui temos este "Gartenzwerg", que não suja, não diz asneiras - outro aspecto a ter em conta, dado que os papagaios gostam de imitar tudo o que ouvem (o que aqui seria sempre um embaraço, dado o uso abundante e corrente do vernáculo) - e sempre avisa sobre a entrada de mais um ou vários convivas, predispostos, com toda a certeza, a "fazer despesa".
Sempre se pode pensar que realmente o futuro, afinal, não podia ter resultado tão mais diferente do que o previsto e imaginado!... Ficções...

quinta-feira, julho 17, 2008

Verão I



Se o Ocean's ainda estivesse aberto e tivesse uma piscina no terraço, esta seria a banda sonora!

Um Vintage a dar sede de outros Verões, de outros tempos!

quarta-feira, julho 16, 2008

Da Ordem

A propósito desta carta, deixo aqui um comentário que me pareceu apropriado e se revela como a resposta serena de alguém que já não consegue ficar calado durante muito mais tempo:


"Causídico
Após a leitura atenta de todos estes comentários, apenas me arrisco a dar um testemunho pessoal, porque sempre aprendi a falar apenas daquilo que conheço. Fiz o Estágio de dois anos, com o melhor patrono que poderia ter tido, que me deu trabalho, me inspirou e orientou. Nunca me tratou com paternalismo ou demasiada supervisão, assim que viu a qualidade do meu trabalho - aquela que eu procurava em cada noite de directa, com muito mais prazer do que a estudar para os exames, a preparar, às vezes duas alegações de recurso para processos distintos. Uma das coisas de que mais me orgulho é ainda hoje o meu Ilustre Patrono (agora ex) dizer que pouco ou nada me corrigia, dado o meu zelo e perfeccionismo. Enquanto exerci aquele patrocínio, estatutariamente limitado, que o estágio me impunha por forma a completar os créditos que me levariam a estar apto para exame, dos casos que tive, cinco ao todo (a comarca é densamente povoada de muitos que ficarão agora a olhar para as paredes ou a jogar solitário no portátil), três deles consegui a absolvição para o meu constituinte e dois culminaram na desistência de queixa e em acordo. Eu compreendo que, para muitos, tal caso é uma excepção, não podendo de maneira nenhuma fazer jus para a defesa de uma certa regra diferente daquela que, precisamente, insistem que existe. Contudo, sempre me pergunto: acaso não estarão agora a pôr "a carroça à frente dos bois"? É que é precisamente neste arredamento de quem ainda está a aprender - sem, contudo, ser nenhum garoto da escola primária inconsciente por estádio cognitivo - que se instila a insegurança e se acaba por dar razão ao que, espanto, se começou por dizer. Com uma agravante: um estagiário que faça o exame a uma terça e à segunda ainda é uma sub-species, à quarta já é advogado e é colocado como oficioso na barra - suponhamos. Se passou todo o estágio embrulhado em livros e em consultazinhas, que segurança tem para logo ali, à quarta-feira, poder advogar? Nunca viu nada, nunca soube nada. Há aqui, quer-me parecer, uma ideia um pouco bacoca mas tão típica deste país: O canudo dá tudo! Como se fosse por osmose. É o mesmo que ter alguém que nunca percebeu de arte ou outra coisa qualquer, de repente ser investido em umas quaisquer vestes e ter o milagre da sabedoria, por força do que sempre contemplou. Para as más-defesas haverá sempre a possibilidade de queixa aos Conselhos de Deontologia. E mesmo do lado dos cidadãos, a igual possibilidade de recusarem o advogado que lhes for facultado. A questão é que também todos nós temos de estar informados sobre tais direitos. Perdesse o Senhor Bastonário algum tempo nesse trabalho e talvez não tivesse havido tanta polémica. Por fim uma última interrogação: Se mantivermos arredados os noviços de todas as iniciações, de todos os ensinamentos práticos, que raio de Ordem queremos para o futuro? Acaso pensa alguém que seremos sempre nós a existir e a por, lá está, ordem? É que ninguém é "gerado e não criado". E mesmo o Senhor Bastonário também se fez Advogado, como todos nós. De certo me espantaria se viesse agora dizer que já tinha nascido assim. Se calhar com Toga e tudo. Num país de milagres e aparições..."

sábado, julho 12, 2008

MemeMosaic

Em resposta ao meme da Mariana aqui está, salvo seja, a minha "obra-prima":



Os créditos:

1. Cava de Viriato - Viseu, 2. Servidos ?, 3. Untitled, 4. A trip to the market of colour, 5. Jeri Ryan, 6. Perrier Mineral Water, 7. McWay Falls at Julia Pfeiffer Burns State Park, Big Sur, 8. Lampreia de Ovos - 2007, 9. 64495_008, 10. Happy Panda Girl, 11. Beatsville USA12. É minha!


As regras para a criação do mosaico são simples:

Procurar no Flickr a resposta para cada uma das perguntas que se encontram em baixo;
escolher uma imagem, usando apenas a primeira páginas de resultados;
copiar e colar o endereço de cada imagem no Mosaic Maker, configurando as colunas para 4×3 ou 3×4.

As perguntas:

1.O seu primeiro nome?
2.Comida preferida?
3.Em que escola estudou?
4.Cor favorita?
5.A sua «celebrity crush»?
6.Bebida preferida?
7.Férias de sonho?
8.Sobremesa preferida?
9.Carreira de sonho?
10.O que mais ama na vida?
11.Uma palavra para se descrever?
12.Nome de utilizador do Flickr (se não aparecer nenhum resultado, usem um de outro site qualquer)?


Passo o desafio ao Paulo, ao Augusto e à Passiflora Maré.

quinta-feira, julho 10, 2008

Pipocas 3G

Afinal, o que parecia ser uma boa desculpa, na óptica do "faça você mesmo", para ter os telemóveis ligados dentro das salas de cinema, não passa de uma imaginativa campanha publicitária.

quarta-feira, julho 09, 2008

Filho da Pauta II


Julien Dore - Les Limites sélectionné dans People et TV
Hilariante e divertido! Uma agradável descoberta!

segunda-feira, julho 07, 2008

Puro Vintage III

O espaço era amplo e arejado. Ao final da tarde, era ali que homens de ar grave e solene, sofrido e solitário alguns, marcados por mais um dia de trabalho outros tantos, se reuniam ou simplesmente, à beira de uma mesa, se abandonavam.
Uma pastelaria, ou café, que podia não ser Catita, mas, certamente, muito portuguesa, porque "Lusa".
Também ali era o ponto de encontro de umas quantas senhoras viúvas - guardiãs da virtude - que ansiavam diariamente pelo seu chá de gorreana e as queijadas, de fabrico caseiro - consolo merecido, após a missa cantada na Sé.
As arcadas de basalto que formavam o tecto abobadado, davam o retoque final a este estabelecimento. Um local de outros cultos - o do convívio, das conversas, das notícias e estórias trocadas de boca em boca.
As últimas das touradas à corda e das festas; os "mexericos" e os pequenos escândalos passados por murmúrios ao ouvido, provocando, por vezes, expressões de um pesaroso, mas discreto transtorno e leves olhares de pio e sentido desgosto pelas perdições alheias assim acabadas de conhecer.
De olhar sério e atento, atrás do balcão principal, Manuel ia contemplando aquele desfilar da vida mundana, que se repetia todos os dias. O seu orgulho mais secreto: ser proprietário de um estabelecimento, onde certamente a liberdade encontrava o seu verdadeiro reduto nas mais pequenas coisas mundanas.
De facto, era certo e sabido que ali se podiam ler os jornais ingleses, trazidos pelos paquetes britânicos que ali atracavam na doca seca, para reparações ou escalas técnicas. A proximidade da base aérea, generosamente tomada de arrendamento pelo Tio Sam, também dava algum toque de cosmopolitismo ao quadro permanente de convivas.
E tinha sido precisamente numa das cantinas daquela estrutura militar que Manuel tinha comprado aquela peça imponente, a última palavra da técnica no que dizia respeito ao cálculo financeiro, versão rápida.
Com a forma de uma pirâmide rectângulo, de linhas direitas e austeras, revestimento prateado e ornamentado por complexos arabescos - quase ao estilo de uma qualquer "Smith & Weston" do velho Oeste - lá ia aquela registadora disparando o que se devia e a despesa "a pagar". O grave ruído das teclas numéricas, acompanhadas daquela outra de sinal "mais" - como convinha -, lá ditava a lista discriminada da "continha". O pequeno mostrador analógico, de algarismos brancos sobre fundo preto, registava e mostrava à saciedade, sem margem de dúvidas, a certeza que antevinha a qualquer desconto ou acordo para um pagamento ao final do mês da dívida acumulada - uma atenção apenas tida com os clientes "habituais e de confiança".
E, à hora do fecho, quando todos já tivessem ido para casa e as portas de vidro reforçado estivessem encerradas, o último ruído que se ouviria seria o da campaínha dessa máquina, marcando o termo de mais um dia de comércio, feito o balanço.
Quanto a Manuel, mais uma jornada de trabalho terminava, tendo a noção de que a vida de todos os que por ali tinham passado se tinha tornara mais leve e com redobrado entusiasmo. Essa, a sua maior fortuna pessoal, que não cabia em gaveta mecânica alguma.

A cumprir a promessa, satisfazendo o pedido de sub-lodo, um clássico contemporâneo também escrito à pena suave.

quinta-feira, junho 26, 2008

Diáspora, Pinheiros e Subúrbios

Ainda numa senda de saudável patriotismo, os últimos cartuchos pelo menos até a Pequim - onde quererei ver a nossa Vanessa Fernandes a sagrar-se campeã olímpica de triatlo e no primeiro lugar do pódio, ao som da "Portuguesa" -, não posso deixar de relatar a conversa que tive aqui há dias com a rapariga que todos os dias me costuma atender no café-cervejaria-quasi-taberna, em frente a minha casa.
Ao principiar, como sempre, pelo estado do tempo - pelo calor que agora, segundo se diz, não se aguenta, pela chuva que já não se suportava e pela mudança das estações que agora torna qualquer barómetro um instrumento estúpido e idiota de tanto andar à roda -, a conversa seguiu para o balanço que se impunha fazer sobre o sucesso da "Feira das Tradições e Actividades Económicas" deste ano e que, lá está, acabou anteontem.
Nesse registo, perguntei, porque pouco preocupado com o palmarés dos espectáculos anunciados(no Sábado, passei pelos Da Weasel sem prestar qualquer atenção e no Domingo falhei o Quim Barreiros, tendo estado na Sexta a jantar tardiamente, sem ver o grande Emanuel), perguntei, dizia, quem eram os artistas abrilhantadores do dia de final apoteótico de tal festa.
E digo apoteótico, porque até a Pirotécnica Oleirense - já campeã mundial em competições de fogos de artifício - tinha sido contratada para um grandioso espectáculo de luz, som e muitos foguetes.
A resposta da moça lá me confirmou a leve impressão com que eu tinha ficado ao passar por alguns dos cartazes espalhados pela Vila - os Irmãos Verdades (ou Verdade? - não sei e também não "googlei") estavam aí para espalhar os seus ritmos de Kizomba, por toda a zona do Pinhal, agora queimado, mas mesmo assim sob apertada vigilância do Corpo dos Bombeiros Voluntários local.
É que não fosse a Pirotécnica Oleirense ficar, vítima de algum infortúnio em forma de cana de foguete incandescente, sem a concessão excepcional por que deve ter lutado, de acordo com as disposições legais, para continuar a fazer o que sempre fez: pôr umas quantas centenas do bom povo de cabeça para o ar, esquecendo-se das agruras de um ano frio, cinzento e pardo.
Mas adiante. A rapariga soube logo tecer grandes elogios a essa dança, sabendo mesmo o nome do tema mais badalado e digno de top, o tal de "Yolanda". De resto, disse-me que tal género de dança não seria para todos os gostos, mas que, de todo o modo, era diferente das nossas.
Para não parecer muito inculto, até porque tenho em quem me é próximo um verdadeiro conhecedor (em crioulo, diz-se "pulo"), comecei a generalizar:
"Sim, de facto, o povo africano, nomeadamente os Cabo-Verdianos são bastante expressivos e bem ritmados. Já me contaram que há discotecas africanas em Lisboa que, em regime diurno, são escolas de danças africanas. Como sabe, há o Funáná, a Kizomba, o Kuduro... Essas coisas, não é? Não que façam muito o meu género". Porque realmente não fazem. Sou um "pé muito pesado" e já me basta detestar danças de salão.
Abanando a cabeça numa cordial concordância, quiçá mesmo um pouco a leste deste meu jeito perifrástico de expor inócuos e diplomáticos pontos de vista, quando não quero "dar muito nas vistas", porque desinteressado ou sem grande afinidade com os temas a tratar, disse-me:
"Sim, sim... E olhe, mesmo o meu marido gosta e dançamos muito. Prontos... É que sabe, ele também cresceu num meio propício a tais coisas, não é?"
"Cresceu em África, certamente, não foi?" - perguntei eu, no mesmo agravo que tal proposição da senhora tinha imprimido ao saber empírico de quem vive a experiência de uma vida e a sente, como deve ser.
Contudo, a resposta não poderia ter sido mais espontânea e mesmo assim insólita:
"Não, não. Ele é da Amadora" - respondeu-me ela.
Com um sorriso amarelo, apenas disse:
"Ah, pois...".
Realmente, por momentos, tinha-me esquecido que até mesmo os Irmãos Verdades gravam nalgum estúdio em Paço de Arcos ou assim.
Contudo, o melhor deste pequeno episódio, longe de qualquer ironia, sarcasmo espúrio, ou até mesmo snobismo, apenas me faz voltar ao título deste "post".
A Diáspora de quem se espalhou pelos quatro cantos do mundo e ao mundo deu outros quatro novos cantos, criou um tesouro cultural que foi e será sempre a nossa maior potencialidade.
A empatia que ainda hoje se vai sentindo, seja na sede de livros, pintura ou, lá está, de ritmos e música, faz com que, até, neste Pinhal Beirão, a Praia Fluvial se transforme nalgum areal, ali à beira do Atlântico e um pouco acima do Equador.
E já dizia o Saudoso Jorge Perestrelo: "Isto é do que o meu Povo gosta!" Seja onde for!
Apenas uma última pergunta: Acaso não seremos mais do que Portugal, Portugália?

sexta-feira, junho 20, 2008

Assim foi...

E assim foi... A Alemanha jogou melhor e ganhou. Mas valeu a pena, como sempre.
De qualquer modo, ser Português é saber sofrer e saber chorar, seja de Alegria ou de Tristeza.
Seremos sempre assim e isso ninguém nos tira.
Viva Portugal! Hoje e Sempre!

sexta-feira, junho 06, 2008

Sede de Vintage

Parafraseando, ainda que toscamente, Pessoa, sempre me aventuro a dizer:

Primeiro, sequiosos, depois, saciados.

E só de ver.

segunda-feira, junho 02, 2008

Menos ais...

Sou um adepto incondicional da Selecção Nacional.
Para mim, não importa que as vitórias que obtemos dentro das quatro linhas venham a substituir outras, mais precisas, que teimam em não aparecer. Ao menos estas, ninguém nos tira!
Para mim, as vitórias da Selecção vão representando aquele orgulho que vimos de perder em tudo o resto.
E mesmo que nos acusem de adormecer enlevados pelo ópio de coisa tão pretensamente espúria e inútil - porque não nos faz, de maneira nenhuma, "andar para a frente" -, eu digo que tal pouco importa.
É que, para todos os efeitos, são essas vitórias, esse percurso que nos habituámos a ver como vitorioso, de há quatro anos a esta parte, o que nos dá algum alento por alguns dias, ainda que breves.
Por outro lado, mesmo na hora das derrotas conhecidas, também soubemos sofrer tragicamente, com dor no peito e poucas palavras, já de si embargadas, num sentimento que é apenas nosso.
De qualquer modo, o mais importante de tudo reside precisamente no facto de talvez poder ser por aqui que comecemos a cumprir Portugal.
Porque o orgulho nunca fez mal e ser-se patriota é uma coisa até muito simples... Basta sentir e viver!

domingo, junho 01, 2008

Será um Blackberry?...


Pois é verdade, sim senhor! Mais importante do que ser um Dark Lord of the Sith, Darth Vader descobriu que caso não dê conta disso mesmo a todos os cibernautas, o Lado Negro da Força pouca importância terá nos dias de hoje, onde os telemóveis se assumem como um meio de comunicação e um verdadeiro vício.
Deste modo, é com muito prazer que anuncio esta minha descoberta: para todos os discípulos das artes do Sabre de Luz e da Força, Lord Vader está no Twitter, propondo-se a dar conta de todas as suas actividades de maior relevo.
A partir daqui, sempre o digo:
"May all of us, turn to the Dark Side of the Force!... Because, it's cool, actually!"

quarta-feira, maio 28, 2008

02

"I have no armour left. You've stripped it from me"

Com vagar e em tempo

Ao Sábado, Camilo gostava de almoçar como devia ser - com calma, com vagar e a ler o jornal desportivo. E todos os Sábados lá ia ao café "Tróia", num gesto irrepetido, que a erosão do hábito semanal de tantos anos lhe tinha acabado por imprimir.
As regras costumeiras estavam tão enraizadas, naquela gostosa cumplicidade que mantinha com Pessanha, o empregado de mesa, sempre bem-disposto e de resposta bem lembrada e artilhada - ainda que sem qualquer malícia -, que até as piadas trocadas eram, há muito, as mesmas.
"Ò Senhor Camilo, então hoje não está com pressa?" - perguntava o bom do Pessanha.
"Hoje não, meu rapaz" - respondia Camilo, no suspirar satisfeito de quem se sentia dono do tempo, porque em dia de descanso.
"Olhe, já pelo sim pelo não, eu hoje atrasei o relógio do patrão".
"Ai sim? Como é que o fizeste, meu rapaz?" - inquiria o velho Camilo.
"Então, como? Pus uma rolha no buraco da bacia!" - atirava-lhe Pessanha.

Uma vez mais, em traços de suavíssima pena.

terça-feira, maio 27, 2008

Pressa

De olhar nervoso, Camilo ia olhando para o helénico relógio que estava junto ao balcão de mármore do café "Tróia".E por cada pingo, por cada gota de água que via cair para o cristalino recipiente colocado por baixo daquela estranha bacia furada, agitava-se um pouco mais... Cada vez mais impaciente e exasperado.Da sua pequena mesa quadrada - também em tons de alabastro e com rebordos de madeira escura a condizer com a cadeira em couro tratado -, sorvendo o resto do digestivo brandy, Camilo persistia e aliterava:"Pssst! Pssst! Ò Pessanha, vamos lá! Faz-me a conta do almoço que já estou atrasado para o trabalho!".


Para uma pena suave.

Geek Review, Tour de Blog

A recuperar um conceito que encontrei aqui (este, um post entre muitos que a senhora bibliotecária intitula de, precisamente, "tour de blog") , venho, como não podia deixar de o fazer - por razões sobejamente conhecidas de quem me é próximo -, venho, dizia, dar conta de um achado em que tropecei numa sessão de login na blogosfera.
De facto, para um fã confesso da série de ficção científica "Battlestar Galactica" (desde os seus primórdios, logo ali, no início dos anos oitenta, finais de setenta) o blog que, por estes dias, é tido como digno de nota pela equipa deste nosso "bem-amado" servidor, revela-se como a excelente combinação dos ingredientes necessários à ficção científica, no sentido de se afirmar enquanto manifestação cultural séria e coerente; longe, pois, de qualquer juízo pejorativo e redutor que a possa remeter para uma "coisa-de-tótós".
The Sience of Battlestar Galactica propõe-se, assim, dar uma sólida visão mais "pop" (e naturalmente também "geek" com estilo, claro) - o que aqui está longe de ser algo de negativo - sobre variados temas científicos, que vêm servindo de base aos episódios da nova série épica.
As próprias estórias que ali se contam, servem aqui de mote para umas quantas glosas sobre astronomia, biologia, química, física, etc.
Na minha opinião, "a very nice treat", ficando aqui a deixa: "Some believe that Science began here..."