Ao Sábado, Camilo gostava de almoçar como devia ser - com calma, com vagar e a ler o jornal desportivo. E todos os Sábados lá ia ao café "Tróia", num gesto irrepetido, que a erosão do hábito semanal de tantos anos lhe tinha acabado por imprimir.
As regras costumeiras estavam tão enraizadas, naquela gostosa cumplicidade que mantinha com Pessanha, o empregado de mesa, sempre bem-disposto e de resposta bem lembrada e artilhada - ainda que sem qualquer malícia -, que até as piadas trocadas eram, há muito, as mesmas.
"Ò Senhor Camilo, então hoje não está com pressa?" - perguntava o bom do Pessanha.
"Hoje não, meu rapaz" - respondia Camilo, no suspirar satisfeito de quem se sentia dono do tempo, porque em dia de descanso.
"Olhe, já pelo sim pelo não, eu hoje atrasei o relógio do patrão".
"Ai sim? Como é que o fizeste, meu rapaz?" - inquiria o velho Camilo.
"Então, como? Pus uma rolha no buraco da bacia!" - atirava-lhe Pessanha.
Uma vez mais, em traços de suavíssima pena.
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Há 18 horas


1 comentário:
Muito literário... :)
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