quarta-feira, novembro 22, 2006

O belo do postal - Manifesto Anti-CTT por extenso e tudo!!!

"Correios em greve - Paralisação parcial vai afectar centros de Lisboa, Porto e Coimbra"

E aqui está! Quando os CTT se mexem Portugal treme!

Indignados com tamanha falta de consideração e aparente lay-off encapotado, carteiros, estagiárias, balconistas, auxiliares de terceira, auxiliares de segunda, auxiliares de primeira e chefes de Estação uniram-se numa última batalha pela manutenção dos seus direitos, reivindicando a manutenção de um status quo que prima pela eficiência, esclarecimento, simplicidade e rapidez dos serviços que sempre prestaram e onde o lógico corolário é naturalmente a qualidade!

Contudo, se esta onda de greves não fosse tão triste - está apenas na moda vir para a rua e contestar, contestar, contestar - esta tomada de posição de tais bravos funcionários e trabalhadores mereceria algumas considerações mais profundas do que aquelas que aqui se pretendem deixar e que são mais um desabafo de um pequeno ódiozinho urbano do que uma análise detalhada de toda questão.

Em boa verdade, tenho para mim a ligeira impressão que esta tão pomposamente chamada "greve parcial" dos CTT nunca poderá deixar de provocar uma daquelas largas gargalhadas, assim que nos detemos nas parcas e redundantes declarações - porque importadas de uma cartilha revolucionária mitigada e, por aí, sem qualquer conteúdo -do iluminado dirigente sindical que as profere, num tom tranquilo, mas austero e cheio de cortantes farpas, directamente dirigidas ao "Grande Capital". De facto,

Perante tão drástica e séria tomada de posição, somos, de imediato, levados a perguntar o porquê da agressão aos direitos laborais destes dedicados funcionários, que até tinham, inclusivamente, pelo menos aqui há uns anos, uma task-force, tipo comandos ou rangers, de Pais-Natal que alimentavam esse mito tão bonito de que o velho das barbas - um honesto contribuinte fiscal registado na Lapónia e criador de renas - realmente vestia o seu fato de treino vermelho da Nike e se lançava em verdadeiras batalhas sangrentas nas ruas do "gostoso" comércio tradicional a fim de adquirir as desejadas prendas dos petizes que lhe escreviam - em lápis da Faber Castell e com ranho do nariz, que era limpo à manga dos seus pullovers de malha grossa -, juntando em anexo uma longa lista de desejos consumistas.

O Pai-Natal respondia às cartas!

Mas, voltando àquela inquietude que a dúvida provoca, faminta de resposta:

Por que será que a Administração dos CTT, esse ente porco capitalista sabujo, que boicotou essa jornada tão linda que foi o PREC, quer agora eliminar mais de cinquenta por cento dos postos de trabalho fixos existentes na Instituição (é mais do que uma empresa, sim! É útil!)?

Por que entende a Administração, laborando num erro de gestão crasso, ser mais eficiente o recurso a empresas de trabalho temporário, dedicadas à distribuição postal, do que aos seus próprios funcionários, seus filhos ainda em amamentação agora lançados nessa sarjeta cruel que é a vida sem motivos?

Arriscamos uma resposta, em jeito de, precisamente, outra ou outras perguntas:

Será porque aqueles desgraçados com excesso de qualificações, que enviam para tais empresas de part-time resmas e resmas de folhas de papel (pelos CORREIOS - com aviso de recepção, registo, prova de depósito em duplicado, taxa pelo leite com chocolate Gresso do senhor Carteiro que o mesmo bebe pela manhã) com os seus preciosos Curricula Vitae, sentem mesmo vontade de trabalhar e prestar provas de que conseguem fazer melhor?

Ou de que pelo menos o dinheiro que ganham é merecido e assim se sentem orgulhosos e dignos por serem úteis?

Será por tudo isto?

Um silêncio parece instalar-se... Por constrangimento? Não!

Porque nada disso interessa! O que interessa é que os senhores funcionários e trabalhadores dessa tão nobre Instituição, que mantém o país unido - como num filme foleiro do Kevin Costner (olha a novidade!) - merecem a preservação dos seus lugares do lado de lá do balcão, onde vão vociferando os números das senhas de atendimento, como se do monólogo de Hamlet ou de Ariosto Furibundo se tratasse!

Vai sendo dever moral de todos os portugueses esperarem nas filas, no ritmo imposto por esta verdadeira matriz de que eles - os iluminados dos envelopes, selos, caixas de encomendas e impressos para envios de tísicos faxes - são os Supremos Guardiões!

E assim deve ser, porque estar ali a desempenhar aquelas tão altas funções, a bem da Nação, é uma verdadeira tarefa Hercúlea que há muito devia ter sido reconhecida como digna de inclusão no plano de estudos de uma qualquer Academia Universitária deste país - talvez com preferência para certas Escolas e Institutos Superiores que se mostram na vanguarda do choque tecnológico ao oferecerem ditas licenciaturas como "Psicopedagogia Propedêutico-Curativa" ou "Psicopatologias da Saúde Social".

Senão vejamos:

Quem melhor do que estes senhores para averiguar das profundas indiossicrasias existentes na discrepância que existe entre o Remetente e o Destinatário de um envelope em papel pardo que até poderá não estar dentro das normas?

Quem melhor do que estes verdadeiros Reis-Sol da cola de papel e da bela da gosma salivante, para averiguar se um selo está devidamente posicionado no canto superior esquerdo sobrescrito?

Quem melhor do que estes justos para colocar uma carta ou um pacote em cima de sumíticas balanças de precisão e ter olho aquilino (que não o Ribeiro) para alertar em tom veemente e repreensivo - em altos berros, ecoantes por toda a Estação, para envergonhar e servir de intimidação a outros eventuais incautos que aguardam a sua vez, segurando em suas mãos trémulas pequenas caixas atadas com cordéis e fita adesiva castanha - para alertar, dizíamos, do excesso de peso que subrepticiamente se queria fazer passar?

Apenas os "Senhores dos Correios"!

Enfim, a rendição é a única atitude que podemos ter perante esta luta que agora está aí até Sexta-feira!

Porque apenas estes déspotas esclarecidos que arduamente trabalham para o nosso bem-estar na intersubjectividade comunicativa possuem o conhecimento necessário para preencher um impresso de abertura de apartado sem erros e logo à primeira.

Apenas quem enverga tais vestes sabe a importância do telefone e as subtilezas de um PBX de cavilhas verdes e vermelhas!

Apenas por intermédio destes Bravos do Postilhão é que sabemos poder dormir mais descansados esta noite, pois as nossas cartinhas de correio azul, correio verde, correio normal, correio com prova de depósito, correio de avião, correio por comboio e correio o-raio-que-o-parta, chegarão sãs e salvas ao seu sorridente e aconhegado destinatário!

Um grande bem haja a tanta (in)competência e força para a jornada! Até à vitória!

2 comentários:

RCP disse...

Ahmm...

Sub-Lodo disse...

Não puseste selo...