quinta-feira, outubro 30, 2008

A ignorância premiada

A 4ª Dinastia de Portugal, também cognominada de Dinastia de Bragança, poderá ser a menos bem conhecida de todos aqueles que, neste nosso Portugal Moderno, tendo estudado a História Lusa, nunca chegaram, contudo, ao final dos manuais. De qualquer modo, isso nunca poderá servir de desculpa a certos "erros"cometidos por quem se propõe, além de distrair, ensinar.
Servem estas breves considerações para dar aqui notícia da "calinada" que acabei de ver, há pouco, no concurso "Jogo Duplo", apresentado pelo bonifácio José Carlos Malato. De facto, à pergunta "Quem sucedeu a D. José I?", apresentaram-se, três respostas possíveis, duas delas com os nomes de D. Maria I e D. João V. Tendo eu aventado, prontamente, da minha mesa de café, o nome da Soberana que equilibrou a nossa balança comercial externa, não me chegou para espanto o facto de ter visto como resposta correcta "D. João V". Mais, houve quem tenha ganho dinheiro, tendo escolhido tal opção.
Enfim... Provavelmente num tempo em que as "novas oportunidades" vão premiando a ignorância e o facilitismo, tal enormidade devia ser tida para mim como algo perfeitamente normal.
Afinal, que culpa terá a produção do concurso por ser ignorante?
Acima de tudo, é injusto que se apelide de "besta quadrada" o néscio - passe a redundância - que definiu, informaticamente, essa resposta como certa. E isto porque, para todos os efeitos, estamos a viver o Tempo do Magalhães, onde as verdades do computador são indiscutíveis dogmas produzidos por uma qualquer inteligência artificial, nossa substituta.
No final de tudo, resta-me, pois, pedir desculpa pelo desabafo. Mas, "burro velho não aprende línguas" e que custa ver tais coisas, lá isso custa.

2 comentários:

Mariana disse...

A existência do analfabetismo funcional é um facto. Não só se lê mal como se percebe mal o que se lê.

ViriatoFCastro disse...

Sim, e quando temos essas pessoas a implementar como norma a sua ignorância ficamos com uma boa ideia onde ficam certos bens, hoje desvalorizados, como sejam a memória e a identidade nacionais. Aqui ainda me cheira a verdadeira política da "terra queimada". Contudo, apenas assim é pela força de uma qualquer inércia estupificadora, alimentada pelo manto diáfano de coisas como o défice, as taxas de juro e o desemprego. Já ninguém se importa com grandes questões. Os dias pequenos pesam a todos. O Portugal Moderno será assim... algo de relativo, ao sabor dos disparates dos labregos que nele venham a mandar.